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Re: Contribuição Africana - Esta é pra acabar

Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: Helion Póvoa Neto (hpovoa_at_uol.com.br)
Data: seg 01 abr 2002 - 20:37:08 EST

Por favor se concentre-se no meu último parágrafo: o problema é a
mediocridade de TODAS as culturas locais atuais, existe um grande rolo
compressor nivelando por baixo e igualando a música africana, européia,
asiática, americana e latina. Simples assim.
[]s,
Jorge
P.S: nesses ambientes de terror político sempre têm um que vai lá e resgata
a música nativa e a apresenta ao resto do mundo, é o caso do link que o
Gangaz mandou, é o caso do Paul Simon mostrando o canto sul-africano em seus
discos e - aí, lá vêm pedrada - o caso do "Buena Vista".

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Jorge, acho que está aí um dos aspectos interessantes dessa discussão. As culturas locais não são medíocres, nem a africana, nem a européia, nem a latino-americana. Estão é “mediocrizadas” pela imposição da música massificada do Ocidente (que, além de Mozart, nos dá também essa bosta).

Mas eu acho que a saída para essa mediocridade costuma estar nas fusões, no “rai” argelino que é franco-árabe, nos ritmos influenciados por Cuba nos EUA, nas interessantes misturas da música africana tradicional com o “pop” do Ocidente, na influência brasileira e latino-americana no jazz norte-americano, na música cigana dos Balcãs que bebeu de todas as influências mediterrâneas, no flamenco “fusão” da Espanha, na “morna” cabo-verdiana que é uma esquina africana onde se encontram o fado e o Brasil....
  
Daí vem toda a minha “profissão de fé” na negação de haver estilos musicais puros, porque acho que para a criação, e também do ponto de vista político, o mais legal é o encontro intercultural. O futuro está aí.

E a música tradicional, menos “misturada”? Não precisa ficar isolada, aliás, é impossível. Mas deve ser preservada, pois nela estão as matrizes que mais tarde aparecerão nas diversas misturas. Não é à toa que o Paul Simon, o David Byrne, o Ry Cooder, se voltam para a música do Terceiro Mundo. É de onde eles retiram elementos de renovação. Sempre foi assim: o Primeiro Mundo sempre veio aqui retirar aquilo de que precisava. Só que com a música temos a oportunidade de entrar nessa história de maneira menos subalterna.
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