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A velha bossa ganha molho 'beat'Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: Antônio Augusto (bocaiuva_at_bocaiuva.com.br)
Data: sáb 16 mar 2002 - 13:23:05 EST
Belo Horizonte, Sábado 16/03
A velha bossa ganha molho 'beat'
Menescal se junta ao Bossacucanova em 'Brasilidade'
'Essa sonoridade só será inteiramente percebida se amplificada em alto
e bom som. Isso quer dizer: Ouça na pressão!!!', aconselha o encarte
de 'Brasilidade' (Gravadora Trama), disco que reúne o veterano Roberto
Menescal e os jovens talentos do trio Bossacucanova - Alexandre
Moreira, Márcio Menescal e o DJ Marcelo DaLua. Por sonoridade,
entenda-se a aplicação dos fundamentos do acid jazz (fusão da harmonia
e melodia sofisticadas do jazz aos beats derivados do rap e do funk) à
bossa nova. Entre as músicas selecionadas, estão clássicos como
'Telefone', 'Garota de Ipanema' e 'Bye, Bye, Brasil'.
O lançamento do CD no Brasil tem o objetivo de divulgar por aqui um
conceito já assimilado há algum tempo na Europa. Mas os próprios
artistas envolvidos fazem questão de frisar que a pretensão vem
acompanhada de muita, muita cautela. Usando como parâmetro a turnê
pela Europa realizada no segundo semestre do ano passado, Roberto
Menescal opina: 'A turnê foi o mais fácil, a onda dessa bossa dançante
já está solidificada na Europa - a gente (referindo-se ao Brasil) é
que não sabe ainda. Aqui é que vai ser barra, pena que não posso fazer
mais do que estou fazendo', diz ele, fazendo menção à agenda lo-ta-da
de compromissos De qualquer forma, em junho e julho, Menescal e o
Bossacucanova voltam à Europa para apresentar o repertório de
'Brasilidade' nos tradicionais festivais de verão daquele continente.
No Brasil, 'Brasilidade', o espetáculo, foi apresentado ao público no
mês passado, na casa noturna Ballroom, no Rio de Janeiro. Logo em
seguida, os quatro, ao lado da cantora Cris Delano (que participa do
disco) fizeram apresentações em praias do litoral de São Paulo, como
Ubatuba. E foi justamente nesta pequena temporada que uma situação
algo inusitada ocorreu.
'Não sei porque motivo, o show foi anunciado como Menescal & banda.
Então, o público que compareceu era predominandente formado por
pessoas mais velhas, digamos assim. Notei que algumas pessoas
estranharam e aconteceu uma coisa até engraçada: uns cinco ou seis
casais se levantaram e saíram, discretamente. Por outro lado, como os
shows eram abertos, também notei que muitas pessoas foram chegando aos
poucos, e todas já entravam na área balançando', diverte-se Roberto
Menescal.
Filho de Roberto, Márcio Menescal acrescenta: 'A crítica está
recebendo o trabalho muito bem e o show está indo legal, mas ainda vai
demorar um tempo para que esta sonoridade seja digerida por aqui'.
(P.C.)
Projeto rodou meio mundo
O nome Bossacucanova surgiu da fusão de bossa nova com as duas sílabas
iniciais de Cucamonga, selo que Alexandre, Márcio e Marcelo tocam
junto com os sócios Dado Brother e Bernardo Bittencourt.
Concomitantemente, a palavra 'cuca', segundo eles, transmite a idéia
de 'uma mente aberta, menos conservadora'.
O primeiro disco do projeto foi lançado no Brasil pela Cucamonga
Records, mas não teve muita ressonância no mercado. Quem fez um link
interessante foi Marcelo D2, amigo de DaLua, que levou o disco para
Nova Iorque, apresentando-o ao produtor Béco Dranoff, que trabalha com
Bebel Gilberto.
Todo empolgado, Dranoff optou por lançar o selo Ziriguiboom
(distribuído pela gravadora belga Crammed Disc) com o petardo. O
sucesso animou todos os envolvidos. Como, na época, seria impossível
armar uma turnê, DaLua viajou pela França, tendo se apresentado ao
lado de Fat Boy Slim e Basement Jazz. No ano seguinte, o Bossacuca
nova fez um tour pela América do Norte, tendo feito um pocket show em
Santa Mônica, para a rádio universitária. Para essa apresentação
específica, foram arrolados também brasileiros residentes na
Califórnia, como Ricardo Siri (percussão) e Leonardo Tuchermann
(guitarra).
Com o sucesso, veio a idéia de produzir um novo trabalho com
repertório similar. Na sequência, o trio convidou Menescal para
'Brasilidade', disco que, segundo os próprios integrantes do
Bossacucanova, foi feito 'sem pressa'. Tanto que o petardo levou um
ano para ser considerado 'pronto'. Neste ínterim, o projeto foi
agregando participações especialíssimas, como as de Ed Motta, Cris
Delano e Leo Gandelman.
Para a primeira turnê pela Europa, que consumiu 25 dias, o
Bossacucanova contou com os acréscimos de Ricardo Siri e da cantora
Marcela Mangabeira, indicada pela própria Cris, que estava envolvida
com o processo de feitura de seu disco. Ao todo, foram 18 shows, em
palcos da Inglaterra, Dinamarca, Alemanha e Espanha. Neste ano, o
BossaCucaNova já tem shows marcados nos EUA e na Europa. (P.C.)
O tempo é o senhor da verdade e da razão...
"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores;
se não houver flores, valeu a sombra das folhas;
se não houver folhas, valeu a intenção da semente."
Geir Campos citado por Henfil no poema O Rio
Antônio Augusto dos Santos
Divinópolis- Minas Gerais
0 xx 37 3212 1543
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