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AgostinhoEsta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: Antônio Augusto (bocaiuva_at_bocaiuva.com.br)
Data: sáb 16 mar 2002 - 13:21:25 EST
Belo Horizonte, Sábado 16/03
Santo Agostinho
MEMÓRIA - Emilinha Borba venera o ídolo que divulgou o Clube da
Esquina e merecerá homenagem em programa radiofônico
O intérprete: em abril, homenagem especial no programa dominical “A
Hora do Coroa", na Rádio Itatiaia, com inserções de seus sucessos
(Foto Arquivo HOJE EM DIA)
Alécio Cunha
Repórter
Romântico por excelência, intérprete de rara extensão vocal, o cantor
paulista Agostinho dos Santos (1932-1973) faria 70 anos dia 25 de
abril. Em julho do ano que vem, completam-se 30 anos de sua morte, num
acidente aéreo no Aeroporto de Orly, em Paris.
Em Belo Horizonte, o radialista e pesquisador musical Acyr Antão
homenageará, o intérprete que eternizou “Estrada do Sol" e “Serenata
Suburbana"; será em abril, no programa dominical “A Hora do Coroa", da
Rádio Itatiaia, com inserções especiais de seus sucessos.
Nascido em São Paulo (SP), criado no bairro do Bexiga, ele começou a
carreira em 1950, como crooner de orquestras. Da paulista Rádio
América à carioca Mayrink Veiga, foi conquistando fãs nos meios
radiofônico e musical, assombrados pelo seu timbre.
“Ele tinha uma voz muito especial. Eu o ouvi cantar pela primeira vez
em São Paulo, no começo dos anos 50. Uma de suas principais qualidades
era não ter nenhum tipo de preconceito com relação ao repertório. Era
realmente um cantor popular" _ assegura a cantora Emilinha Borba.
Por mais de duas décadas, diz Emilinha, ele “cantou boleros,
foxtrotes, baiões, bossa nova. Era o tipo da voz que agradava mais de
uma geração. Por isso, fez tanto sucesso com a bossa", assegura.
“Ele morreu muito cedo. Talvez fosse engolido pelas gravadoras
multinacionais e não conseguisse gravar nos dias de hoje, com tanta
coisa medíocre na televisão e no rádio" _ considera a veterana
Emilinha, na ativa, octogenária.
O primeiro grande sucesso de Agostinho dos Santos, “Meu Benzinho", de
1955, é versão de “My Little One", sucesso na voz do norte-americano
Frankie Lane. A música rendeu um troféu Roquette Pinto e o feito de
vender, no Brasil, mais cópias que a gravação original.
Depois de gravar “Estrada do Sol", de Dolores Duran, em 1956,
Agostinho dos Santos chamou a atenção de Vinicius de Morais e Tom
Jobim, que o convidaram para interpretar a trilha sonora do filme
“Orfeu", do francês Marcel Camus, adaptação da peça “Orfeu da
Conceição" _ Palma de Ouro, no Festival de Cannes, e Oscar de melhor
filme estrangeiro.
Da trilha, Agostinho emplacou sucessos instantâneos, como “Manhã de
Carnaval" (Luís Bonfá e Antônio Maria") e “A Felicidade" (Jobim e
Vinicius), obrigatórias em seus shows.
Na visão do radialista Acyr Antão, a principal contribuição do cantor,
à história da música popular brasileira no século XX, está no seu
estilo eclético e a qualidade inegável.
“Não é essa tristeza que a gente escuta hoje. Agostinho é um divisor
de águas. Era um cantor que sabia ser moderno e antigo. Aprendeu a
cantar ouvindo grandes nomes da música popular brasileira, como
Orlando Silva, Sílvio Caldas e Anísio Silva, e não abandonou seu
estilo, sendo moderno com a bossa nova. Seu falsete era incrível",
elogia Antão.
O radialista se lembra de várias apresentações do cantor em Belo
Horizonte, na década de 60. “Ele aparecia muito no rádio e na
televisão. Talvez tenha sido um dos primeiros cantores a utilizar a
televisão como meio de divulgação, era muito carismático.
Apresentava-se nos auditórios das rádios Inconfidência, Guarani e
Mineira, e em vários programas da TV Itacolomi".
“As apresentações ficavam lotadas de gente nos auditórios, querendo
ver seus ídolos. Orquestras com músicos daqui e de fora eram montadas
só para acompanhar os cantores e cantoras. É lamentável que tudo isso
tenha simplesmente desaparecido. Fico muito triste quando penso nisso.
Não temos mais um programa de auditório na televisão em Minas. Seria
ótimo se pudéssemos resgatar este espírito", sugere Antão, utópico.
O sucesso de Agostinho dos Santos ultrapassou rapidamente as
fronteiras brasileiras. Chile, Uruguai, Argentina, Venezuela, México,
Itália, Portugal, Alemanha, França e Estados Unidos foram alguns dos
países que o acolheram.
Ele gravou também ao lado de célebres orquestras, como a Tabajara (do
maestro Severino Araújo) e a Simonetti. Com a primeira, cantou ao lado
de Ãngela Maria e Sylvia Telles em centenas de apresentações
radiofônicas; a segunda ajudou-o a perenizar canções como “Negue"
(Adelino Moreira e Enzo Almeida Passos), “Serenata Suburbana" (Capiba)
e “Por Quem Sonha, Ana Maria?" (Juca Chaves).
Para o crítico de música Augusto Duarte, colaborador do HOJE EM DIA,
por trás da imagem de romântico sério, Agostinho de Santos era, na
verdade, um travesso. “Ele teve grande responsabilidade sobre os
primeiros passos de Milton Nascimento, além das montanhas de Minas.
Foi ele quem inscreveu três músicas de Bituca, sem que soubesse, num
festival da canção que abriu as portas para Milton e e todo o Clube da
Esquina", afirma Duarte.
“Como intérprete, teve o mérito de ser respeitado, mesmo que vindo
após a leva do nível de Orlando Silva, Carlos Galhardo, Nelson
Gonçalves, Sílvio Caldas, Francisco Petrônio, Cauby Peixoto, Francisco
Alves, entre outros. Unia o vozeirão ao estilo terno, num momento em
que a bossa nova impunha sussurros", registra o crítico musical. “Lulu
Santos que me perdoe, mas Agostinho foi o último romântico.
Lamentavelmente, o que lhe sobrava em sensibilidade, faltava-lhe em
marketing", afirma Duarte. Hoje, restam em CD duas coletâneas de
sucessos do cantor.
A morte de Agostinho dos Santos, no acidente aéreo do dia 12 de julho
de 1973, leva a esta cruel ironia: uma de suas últimas gravações foi
“Avião" (Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Hélio Mateus).
No vôo fatal da Varig, também estavam o ex-chefe do DIP (Departamento
de Imprensa e Propaganda) do governo Getúlio Vargas, Filinto Müller, e
o jornalista Júlio Dellamare.
E-Mail: cultura@hojeemdia.com.br
O tempo é o senhor da verdade e da razão...
"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores;
se não houver flores, valeu a sombra das folhas;
se não houver folhas, valeu a intenção da semente."
Geir Campos citado por Henfil no poema O Rio
Antônio Augusto dos Santos
Divinópolis- Minas Gerais
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