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Nossos compositores na telona (CB)Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Data: Mon 04 Mar 2002 - 11:34:22 EST
Oi gente:
Matéria do Jornal Correio Braziliense de ontem, 03.02.2002 (domingo), sobre
filmes que estão em fase de pré-produção e produção sobre alguns dos maiores
artistas da nossa música popular (Cartola, Paulinho da Viola, Jackson do
Pandeiro, Noel Rosa...).
Beijins. Sonia Palhares (BsB-DF)
"Ver a música
Praticamente ignorada pelos cineastas no passado, a música brasileira começa
a servir de tema para diversos projetos ao mesmo tempo. Longas-metragens em
produção abordam personalidades como Cazuza, Cartola e Jackson do Pandeiro
Gustavo Galvão
Da equipe do Correio
Kleber
A música acontece em qualquer lugar, a qualquer hora. Pode sair de improviso
num bar de periferia ou num estúdio bem equipado. No Brasil, país
reconhecido pela riqueza e pela tradição musical, criar parece ser ainda
mais fácil. O cinema brasileiro sempre esteve alheio a isso. Em mais de cem
anos de história audiovisual no país, poucos filmes trataram do assunto.
O quadro começa a mudar agora, talvez como reflexo da diversificação da
produção. Em momento raro, nove longas sobre músicos brasileiros estão sendo
produzidos por aqui, quase todos documentais. Os projetos contemplam gêneros
tão distintos quanto o clássico e o popular. ‘‘A produção musical brasileira
é fenomenal’’, justifica Elizeu Ewald, diretor de Nelson Gonçalves, exibido
recentemente no Cine Brasília e disponível em DVD.
Tradicionalmente, o cinema nacional utiliza a música como apetrecho de
tramas de ficção. Caso notório é o de Rio 40 Graus (1955), filme de Nelson
Pereira dos Santos pontuado pelos sambas de Zé Kéti. Nelson Pereira se
rendeu de vez ao ritmo do morro no recente Compadre Zé Kéti, curta-metragem
produzido em homenagem ao compositor e amigo, morto em 1999.
O samba é o ritmo mais celebrado dessa nova fase (Samba Riachão dividiu
prêmio principal do último Festival de Cinema de Brasília com Lavoura
Arcaica). O ritmo serviu de tema até para Moro no Brasil, misto de
documentário musical e declaração de amor ao Rio dirigido pelo finlandês
Mika Kaurismaki, morador do bairro de Santa Teresa. A estréia aconteceu há
duas semanas, no Festival de Berlim.
Em seguida, são esperados Cartola (Lírio Ferreira e Hilton Lacerda),
Paulinho da Viola (Izabel Jaguaribe) e O Poeta da Vila (ficção inspirada na
vida de Noel Rosa, por Ricardo Van Steen). Sem contar Jackson do Pandeiro
(Marcus Villar e Cacá Teixeira), dedicado ao homem que deu sua contribuição
a inúmeros estilos — ao samba, ofereceu o clássico Chiclete com Banana.
Para Marcus Villar, tantos projetos de uma vez só não passa de
coincidência. Isso deveria acontecer mais cedo ou mais tarde. ‘‘Tudo vem da
necessidade de se retratar e resgatar pessoas que estão sendo esquecidas. Os
projetos são importantes pelo fato de lembrar às novas gerações que esses
músicos fizeram mil coisas pelo Brasil’’, acredita o cineasta, paraibano
como Jackson do Pandeiro.
Não basta resgatar pessoas, mas também um gênero. O samba de raiz continua
em segundo plano na mídia e no gosto popular, apesar do crescimento de
ritmos aparentados na última década. Isso inspirou o pernambucano Lírio
Ferreira a falar de Angenor de Oliveira, Cartola. ‘‘É um privilégio fazer um
filme sobre Cartola, um dos maiores gênios do século 20’’, exalta.
Com lançamento previsto para o segundo semestre, Cartola mistura ficção e
realidade. O roteiro fala do compositor, do samba no Rio e de composições
como As Rosas Não Falam. ‘‘Falamos de quase cem anos na vida social e
política da cidade’’, adianta Lírio, que já demonstrou ter afinidade com a
música no anterior Baile Perfumado — onde o mangue beat serviu de base para
narrar um episódio da vida de Lampião.
O projeto mais esperado se chama Cazuza. A convite do produtor Daniel
Filho, da Globo Filmes, a diretora Sandra Werneck (de Amores Possíveis)
aceitou o desafio de encenar a vida do cantor e compositor de O Tempo não
Pára. Ela conta com o aval de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza e autora de Só
as Mães São Felizes, livro de memórias e base para o roteiro.
Werneck anuncia aos fãs: está a par dos detalhes na meteórica carreira de
Cazuza. Com estréia prevista para o fim do ano, o filme não tem elenco
definido — com exceção de Marieta Severo para viver Lucinha. Para os papéis
de Cazuza e Frejat, a diretora realiza testes com atores desconhecidos.
Enquanto isso, passa o tempo revendo filmes sobre roqueiros. Gostou muito de
The Doors, de Oliver Stone, embora queira fazer algo bem menos sombrio. Algo
mais brasileiro.
Colaborou Klecius Henrique
memória
Harmonia veio nos anos 90
A relação entre o cinema brasileiro e a música nem sempre foi das
melhores. Aliás, são raros os momentos de sintonia. O período mais produtivo
foi nos anos 50. As chanchadas da Atlântida utilizavam regularmente números
musicais para melhor se comunicar com o público. Na década seguinte, com a
chegada do Cinema Novo, um movimento de caráter social, veio a ruptura.
Curiosamente, o Cinema Novo começou a ser esboçado com Rio 40 Graus
(1955), no qual os sambas de Zé Kéti complementavam o roteiro de Nelson
Pereira dos Santos. Em 1959, inspirado em texto de Vinicius de Moraes, o
francês Marcel Camus rodava Orfeu do Carnaval. Desde então, poucos filmes
com caráter musical foram produzidos aqui. Um número ainda menor de filmes
resistiu ao tempo. Caso de Ópera do Malandro (Ruy Guerra), Quando o Carnaval
Chegar (Cacá Diegues) Bahia de Todos os Santos (Leon Hirszman e Paulo César
Saraceni).
A reconciliação só viria a acontecer nos anos 90, quando a música serviu
de base para projetos de características distintas. Em Villa-Lobos, Zelito
Vianna recuperou a trajetória do compositor erudito mais importante do
Brasil. O sambista Mário Reis inspirou Júlio Bressane a realizar O Mandarim.
Entre os documentários, os mais conhecidos são Um Certo Dorival Caymmi
(Aluisio Didier) e Samba Riachão (de Jorge Alfredo, premiado no último
Festival de Brasília). Houve até um caso de ópera filmada: La Serva Padrona,
de Carla Camurati.
No forno
Cartola, documentário de Lírio Ferreira
Cazuza, ficção de Sandra Werneck
Di Menor-MVBill, documentário de Alex Barbosa
Jackson do Pandeiro, documentário de Marcus Villar
Música Libre, ficção de Carolina Sá
Nelson Freire, documentário de João Moreira Salles
O Poeta da Vila, ficção de Ricardo Van Steen
Paulinho da Viola, documentário de Izabel Jaguaribe
Vinicius de Moraes, ficção de Miguel Faria Jr.
Filmes em produção ou em pré-produção.
A volta do boêmio
Em 1997, Elizeu Ewald decidiu filmar a vida de Nélson Gonçalves. O
intérprete eterno de Boêmia foi vizinho de Elizeu em Niterói (RJ). Um ano
depois, quando o projeto de uma série de três capítulos para a tevê estava
pronto, Nélson morreu. Já que a BMG e a família do cantor sustentaram a
idéia de ver Nélson Gonçalves na tela, Elizeu foi em frente. O documentário,
com o ator Alexandre Borges na pele do cantor, passou recentemente pelo Cine
Brasília. Quem perdeu a oportunidade, pode encontrá-lo em DVD — sob
encomenda, pois a primeira tiragem, de duas mil unidades, esgotou em uma
semana. Atualmente, Elizeu trabalha no documentário Morou, com o qual
pretende relatar a História do Brasil dos anos 50 sob o ponto de vista da
música e da política do período."
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