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CopinhaEsta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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pl_PL: Daniel Brazil (dbrazil_at_ig.com.br)
Data: Sun 03 Mar 2002 - 23:52:08 EST
COPINHA
Certa vez, no meio dos anos 70, fui assistir uma apresentação do Paulinho da
Viola, no Jardim da Luz, em São Paulo, Fui sozinho, claro, pois os meninos
da minha rua, lá na Vila Mariana, só ouviam rock progressivo, e aquilo era
um programa caretíssimo (chacal, ou boko-moko, falava-se então).
Lembro-me de uma brincadeira que o Paulinho fez com o seu flautista, um
senhor de cabelos brancos, dizendo que ele já tinha tocado muito ali,
debaixo daquelas árvores, quarenta anos antes. Disse também que ele tocava
nas salas de cinema mudo da Praça da República! Comecei a prestar atenção
naquele paulista que se enturmava tão bem com os cariocas do grupo (César,
Dininho, Hércules e Chaplin). Fiquei admirado com a desenvoltura com que ele
trocava de instrumento, da flauta pro sax, do sax pra clarineta.
Naquele dia descobri que o melhor flautista do mundo não era o Ian Anderson,
do Jethro Tull. Foi meu primeiro contato com Nicolino Cópia, nascido em S.
Paulo, em 1910, numa família que tinha mais 8 irmãos músicos. Só depois fui
conhecer Altamiro, Manezinho e Poyares, de modo que Copinha foi o primeiro
grande flautista de samba & choro que vi na minha frente. Descobri coisas
incríveis, que eu não achava ser possível em um artista brasileiro. Foi
músico de cabaré, de rádio, maestro de cassino (Atlântico e Urca), de TV e
de gravadoras. Em 1934 era músico de café-concerto em Hamburgo; em 1966,
tocava no cassino Montecarlo, em Mônaco; em 67, nos EUA, acompanhado por um
quarteto de feras.
E no Brasil? Tocou com tantos que até dá preguiça enumerar. É uma lista que
vai de Dick Farney até Alvarenga & Ranchinho. Isso mesmo, aquela clarineta
que “dá risada” no Romance de Duas Caveiras é dele! E a introdução de flauta
mais famosa do Brasil, aquela que todo mundo (todo o planeta!) reconhece, em
Chega de Saudade, adivinhe de quem é: Tom Jobim chamou o mestre Copinha, na
hora de mudar a história da MPB, e ali tem a sua marca. Afinal, não havia
muitos flautistas na ativa que já tivessem tocado com Pixinguinha...
Gravou com tanta gente... De Aracy de Almeida a Roberto Carlos, de Moreira
da Silva a Caetano Veloso, de Carmen Miranda a Chico Buarque, de Chico
Alves, Silvio Caldas e Ciro Monteiro até Gilberto Gil, Edu Lobo e Milton
Nascimento, sem nunca abandonar os bambas como Elton Medeiros, Elizeth e
Beth Carvalho. Gravou um único disco com seu nome na capa, pela Som Livre,
em 76. Só tenho em vinil, nunca vi em CD...
Estou falando tudo isso porque hoje, 03/03, é o aniversário de nascimento
do senhor músico Nicolino Cópia. E como ele era sempre surpreendente,
amanhã, 04/03, beberei por conta de sua morte, em 1984. Grande Copinha!
Daniel Brazil, especial para a Tribuna de Samba & Choro
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