![]() |
Antônio Vieira, a biografiaEsta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
| Nova mensagem | Responder | Mensagens por data | Mensagens por discussão | Mensagens por assunto | Mensagens por autor |
|---|
pl_PL: wpavan (wpavan_at_uol.com.br)
Data: Fri 01 Mar 2002 - 11:04:55 EST
Biográfia
Antonio Vieira nasceu em 9 de maio de 1920, na rua de São João, em São Luís
do Maranhão. Ainda bebê de um ano, passou a ser criado por seu padrinho João
Batista Alves Lomba, que o batizou em homenagem ao padre Vieira, o mais
famoso padre português dos tempos coloniais, que por aqui pregou no século
XVII. Apesar dos mimos da família de posses, Vieira sempre andou pelas ruas
da sua infância brincando com a molecada. "Eu era menino pobre criado por
família rica".
O filho de dona Maria cresceu próximo ao Mercado Central, local de
efervescências sociais e culturais, com seus muitos personagens. Era a gente
do povo. Naquela época, quando nem se sonhava com supermercados, a cidade
borbulhava de vendedores típicos ambulantes, os chamados pregoeiros, que
vendiam (ou compravam) de tudo de porta em porta, anunciando-se com seus
pregões cantados e bem-humorados, que tanto fascinavam o menino. Tudo isso,
e a paz de uma cidade ainda civilizada,ficou para sempre gravado na memória
de Seu Vieira.
Começou a se interessar por música e a compor muito jovem. Ainda menino,
prometeu à sua segunda mãe:"minha madrinha, quando eu souber escrever, eu
vou fazer o poema para o azul, a cor que eu mais gosto". Aos 16 anos fez sua
primeira música, com o entusiástico título de "Mulata Bonita", um samba
cadenciado e bem moderno para a época. Mais tarde compôs o "Poema Para o
Azul", cumprindo a promessa de menino. Para compor, Vieira usa sua marca
registrada, a simplicidade. Ao longo de sua extensa carreira, a sua
principal fonte de inspiração tem sido a vida do homem comum, da gente das
ruas, o amor e o sofrimento das pessoas simples. "Tudo do que eu ouço, às
vezes uma frase, um dito simples pela rua, é fonte de inspiração. Assim
tenho sido feliz nas minhas composições e na minha vida..."
A música, embora desde sempre tenha sido o maior esteio da sua alma de
artista, nunca foi meio de sustento material para Seu Vieira, que teve de
exercer outras profissões para sobreviver. Trabalhou como inventariante de
bens imóveis, serviu ao exército como sargento, trabalhou no comércio e na
rádio Timbira, foi diretor administrativo de um hospital e até vendeu
telefones. Hoje é aposentado como músico. Mora desde os anos 30 na rua
Teófilo Dias, no bairro de Monte Castelo, numa casa de esquina com muros de
pedra colorida, sobre os quais se debruçam folgadamente fartas ramagens de
flores. Ali, nessa bucólica casinha bem cuidada, onde se adentra por um
portão de ferro e um pátio com muitas plantas, vive Seu Vieira com seu cão
Akita, duas irmãs e uma sobrinha, e o seu inseparável companheiro das
últimas décadas - o violão.
A carreira de Vieira tem sido tão singela quanto sua personalidade. Aprendeu
a tocar violão quase aos 60 anos. Ousou cantar em público pela primeira vez,
nos idos de 1942, no quinteto Anjos do Samba. Até então, ele se dedicava
apenas a compor e a ouvir seus grandes ídolos na rádio Timbira e na rádio
Nacional: "no tempo de Francisco Alves e Orlando Silva, não era qualquer um
que cantava, precisava ter coragem". Em 1968, bons prenúncios do que viria
muito depois. Vieira participa de um Festival de Música Popular, em São
Luís, e leva os primeiro e segundo lugares, com as músicas "Papagaio de
Papel" e "Menino Travesso", ambas em parceria com Pedro Giusti.
Em 1975, conheceu a famosa dupla Ponto e Vírgula, formada por Jorge Barros e
Othon Bastos, que insistiram para ele entrar como novo acento musical. A
dupla já se apresentava há mais de 18 anos, e com a entrada de Vieira, virou
o JB Trio.
Outro grupo de grande influência na história musical de Antonio Vieira foi o
Tira-Teima, que alegrou São Luís por mais de dez anos, entre 1977 e 86. Dele
participavam, além de Vieira, os músicos e compositores Ubiratan Sousa,
Chico Saldanha, Hamilton Rayol, Paulo Trabulsi e Adelino Valente, todos
precursores na arte de admirar Vieira bem antes do sucesso de público.
No seu baú musical, Vieira guarda um repertório saboroso, com cerca de 300
composições, um tesouro que só começou a ser devidamente apreciado pelo
grande público há bem pouco tempo, no final dos anos 90. Embora seja moderno
e sem fronteiras no seu jeito de fazer samba, não se considera um sambista,
e compõe em ritmos diversos, de tambor de crioula a bumba-meu-boi, de
baralho a bolero, de samb-canção a bossa nova, com direito a invenções como
o samba-macumba, um misto de samba com a levada dos terreiros do Maranhão,
cuja autoria Vieira reclama.
A primeira gravação de Vieira dá-se em 1986. É "Na Cabecinha da Dora", uma
das quatro canções a integrar o compacto duplo "Velhos Moleques", produzido
pelos compositores maranhenses então radicados em São Paulo Chico Saldanha,
Ubiratan Sousa e Giordano Mochel. Esse pequeno mas valioso registro contava
ainda com a participação de outros três velhos moleques: Cristóvão Alô
Brasil, Agostinho Reis e Lopes Bogéa. Com este último, Vieira escreveu o
livro "Pregões de São Luís", que oito anos depois daria origem a um lp, com
canções compostas especialmente sobre o tema, baseadas nos personagens de
rua e nos refrões dos pregoeiros. Posteriormente, foi lançado o cd
"Pregoeiros", que registra, além das 22 canções gravadas no lp original,
outras onze composições da dupla inspiradas nas brincadeiras de crianças,
algumas das quais hoje quase em pleno esquecimento.
Em 1997, foi gravado o cd "Memória - Música do Maranhão", um trabalho de
pesquisa, feito com a intenção de registrar parte do enorme acervo de
composições de autores maranhenses desconhecidos do grande público. Neste
cd, foi incluída uma canção de Vieira, "Ciúme" (parceria com Chaminé),
interpretada pela cantora Célia Maria.
No mesmo ano, Vieira começou a dar o ar da sua graça musical no cenário
nacional. Outra música, a gostosa e original "Cocada" (um doce composto há
mais de 60 anos!), foi "descoberta" e gravada pela cantora maranhense Rita
Ribeiro. Tal gravação valeu a Vieira uma indicação ao Prêmio Sharp 98, na
categoria Melhor Canção. Antes de Rita e além do próprio, somente Ary Lobo
(cantor paraense que fez relativo sucesso nos anos 60), havia gravado uma
música de Vieira, "Balaio de Guarimã" - parceria com Lopes Bogéa.
Já prestes a completar 80 anos, Vieira intensificou sua atividade,
divulgando seu trabalho com o entusiasmo de um jovem iniciante. Foi assim
que ele realizou o hilário show "Múmias Que Cantam!", em 99, na companhia de
Bogéa, e o lírico "Papel de Seda", em que ele dividiu o palco com César
Teixeira, outro grande compositor maranhense, no ano de 2000.
Em janeiro de 2001, aos 81 anos, Vieira sobe ao palco do Teatro Arthur
Azevedo completamente lotado para realizar, por dois dias, o show "Antonio
Vieira", acompanhado pelo regional Surra Curuba e tendo como convidados Elza
Soares, Sivuca (a quem Vieira conhecera há cerca de 50 anos nos estúdios da
rádio Timbira), Rita Ribeiro, Célia Maria, o violonista Sinhô (João Pedro
Borges) e o compositor conterrâneo Zeca Baleiro, idealizador do projeto. O
registro dessas apresentações memoráveis resultou neste cd "O Samba é Bom".
Seu Vieira, sempre teve comportamento de asceta. Nunca fumou ou bebeu,
sempre teve o hábito de dormir cedo, foi grande nadador. Nunca se casou e
portanto, não tem sogra! Alimenta-se com disciplina e frugalidade e vai
vivendo a vida com saúde e jovialidade e disposição para compor, sua maior
alegria.
Após tanto tempo e uma longeva carreira, não será tarde demais para que os
brasileiros reconheçam que a obra de Vieira merece destaque na ala dos
grandes compositores brasileiros. Agora todos poderão dizer o que já
sabíamos: O SAMBA É BOM! MELHOR É VIEIRA!
Ronald Almeida, arquiteto, pesquisador de música brasileira e fã confesso ,
no site da Elo Music.
_____________________________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
| Nova mensagem | Responder | Mensagens por data | Mensagens por discussão | Mensagens por assunto | Mensagens por autor |
|---|
Este arquivo foi gerado por hypermail 2.1.4 : Fri 01 Mar 2002 - 11:19:24 EST