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Exposição de Fotos de Rui Mendes: Imperdível

Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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pl_PL: wpavan (wpavan_at_uol.com.br)
Data: Fri 01 Mar 2002 - 10:20:20 EST

O Rui Mendes é meu amigo de longa data e meu vizinho de rua, ele me contou
sobre a intenção desta exposição há algum tempo e por algum pediu-me sigilo
quando disse que iria contar para voces. RM é absolutamente fissurado na
figura humana que é Guilherme de Brito, tudo o que ele diz na matéria abaixo
é verdadeiro, apesar de ter feito o maior número de capas do rock brasileiro
das décadas de 80 e 90, na sua coleção particular de discos o Samba sempre
foi o destaque principal, os de rock ele ganhava, os de Samba ele comprava.
Tive o privilégio de ouvir aquele celebre album duplo da Mangueira por que
foi RM quem me apresentou o artefato. Para quem acha que cerveja e Samba são
inseparáveis pode ficar um pouco decepcionado com o que diz RM abaixo.

VV

MÚSICA - FSP

Rui Mendes inaugura amanhã, em SP, mostra dedicada a retratar sambistas
históricos em seus próprios ambientes

Fotógrafo do rock se rende ao samba
DA REPORTAGEM LOCAL

O Rui Mendes que se notabilizou como fotógrafo de nove entre dez bandas e
discos do rock nacional dos anos 80 está de férias. Em seu lugar, entra em
cartaz amanhã o autor da exposição "Heróis do Samba".

A mostra reúne, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, 23 imagens em
preto-e-branco de grandes figuras do samba, das mais celebradas (como
Guilherme de Brito) às mais marginalizadas (como Dona Shirley da Nenê, para
Mendes uma "Aretha Franklin brasileira, que nunca teve chance de gravar um
disco").

A tônica que une as fotos, de sabor "impressionista" segundo o autor, é a de
flagrar sambistas cariocas e paulistas como Dona Ivone Lara, Nelson
Sargento, Germano Mathias, Mestre Fuleiro, Osvaldinho da Cuíca e outros em
seu habitat natural, quase como se fizessem parte da paisagem -as salas de
suas casas, quase sempre.

A idéia surgiu em 1994, de uma reportagem que Rui Mendes, 40, fotografou
para a extinta revista musical "Showbizz", inicialmente com cinco sambistas.
De lá para cá, levou adiante a série, que já conta com 38 fotografados.

"O objetivo, para mim, era homenagear essas pessoas, tirá-las um pouco do
ostracismo, mostrar que existem e que já foram muito importantes", define.

"O que mostro é a simplicidade e a precariedade em que essas pessoas tão
importantes vivem. É uma denúncia, é dizer "acorda, gente"." Vários dos
paulistas retratados prometeram presença na inauguração, amanhã.

O grupo reunido nas fotos inclui autores e intérpretes, mas não só.
"Coloquei gente relacionada ao samba em geral. Dona Zica, por exemplo, está
lá. A mostra ficou restrita a Rio e São Paulo, mas pretendo transformá-la em
livro e documentário e aí fazer o Brasil todo, com Riachão da Bahia, Antonio
Vieira do Maranhão..."

Na tentativa de institucionalizar o trabalho, encontrou os obstáculos de
sempre: "Não consegui patrocínio, tive que investir do meu próprio bolso.
Uma marca de cerveja me disse que não queria sua imagem atrelada ao samba".

E o rock?

Mais marcado por sua ligação com a geração rock, Rui Mendes se diz hoje
desanimado com ela. "Sempre fui ligado ao rock, mas de uns anos para cá ele
me encheu o saco. Na verdade, nunca ouvi muito rock. Nos 80 só ouvia porque
era impossível não ouvir. Na época eu gostava, fazia parte, mas foi uma
década de cópia, não há nada de original ali", esnoba.

Ainda assim, é imodesto ao citar sua participação naquela geração agora
quarentona: "Criei um certo visual para as bandas, em mais de 300 capas de
discos. Em muitos casos, criei a própria identidade das bandas. As atitudes
do Ira! e dos Raimundos fui eu que criei. Eles vão dizer "não, imagina", mas
é verdade".

Nega que a aproximação com o samba corresponda a qualquer desavença com o
rock. "Gosto ainda de fotografar bandas, continuo fazendo. Mas meu trabalho
pessoal, hoje, é com o samba".

Conta, então, experiências do Carnaval de 2002: "No centro do Rio, o
Carnaval está renascendo. Vêm bandos de 60 bandidos da periferia,
maravilhosamente indumentados, só criar confusão. Você passa por cadáveres
no caminho e vê fantasias com Osama Bin Laden e Saddam Hussein estampados ao
lado da frase "paz para quem merece". Ninguém sabe que isso tudo
existe".(PEDRO ALEXANDRE SANCHES)
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HERÓIS DO SAMBA - exposição do fotógrafo Rui Mendes.
Onde: Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, tel. 0/xx/11/ 229-9844).
Quando: a partir de amanhã, às 11h; de terça a domingo, das 10h às 18h.
Quanto: entrada franca.
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