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Ainda a Pirataria

Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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From: wpavan (wpavan_at_uol.com.br)
Date: ter 19 fev 2002 - 09:26:43 EST

Pirataria de CDs derruba indústria do disco

FERNANDA MENA
GUILHERME WERNECK
da Folha de S.Paulo

Com o preço dos CDs pela hora da morte e a tecnologia a todo vapor, os
discos piratas já abocanharam metade do mercado fonográfico brasileiro.

O prejuízo calculado nas vendas de discos da indústria de música no Brasil
ultrapassou os 36% em 2001, obrigando grandes gravadoras a reduzir seus
quadros de funcionários, o número de artistas contratados e o de
lançamentos.

Com isso, o Brasil despencou do 7º para o 12º lugar no mercado mundial de
venda de CDs oficiais. O Estado de São Paulo concentra cerca de 70% da
pirataria de CDs, segundo a ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de
Discos) e funciona como um pólo irradiador para o resto do país.

Não é preciso ser muito atento para perceber que a pirataria está em todos
os lugares, da av. Paulista à periferia. E qualquer um é capaz de concluir
que o consumidor comum, que ganha pouco para as contas que tem de pagar,
dificilmente vacila ao constatar que, na calçada, em frente à loja de
discos, um mesmo título pode ser adquirido por um preço até quatro vezes
menor.

Apesar de a produção e a venda de discos falsificados ser a principal fonte
do tormento da indústria fonográfica, com a internet e o avanço de novas
tecnologias e mídias, outras peças se encaixaram no quebra-cabeça da
pirataria.

O advento de programas de intercâmbio de arquivos, como o Napster, fez com
que o público descobrisse que baixar música pela rede era proveitoso e
divertido.

Além disso, a proliferação de softwares e drives de gravação da mídia CD-R
tornou possível a criação de discos personalizados e coletâneas feitas tanto
com músicas baixadas da rede como com uma simples cópia de um CD original.

Foi assim, copiando discos de amigos e colecionando arquivos da rede, que o
estudante Diego (nome fictício), 21, duplicou sua coleção de CDs.

"Pirataria é passar por cima das leis de direitos autorais ou assaltar
navios atracados no porto de Santos. Acho que o que faço no meu computador é
pirataria, mas não me sinto um criminoso", afirma.

Márcio Gonçalves, diretor-geral da ABPD, concorda com o raciocínio. "O
garoto que tem um equipamento de gravar CD em casa obviamente está cometendo
uma infração de direitos autorais, mas isso não é crime, não é pirataria no
sentido que a gente fala. Para nós, pirataria é quando a cópia visa ao
lucro."

"A partir do momento em que as gravadoras acham que podem assaltar o meu
bolso, eu acho que posso buscar alternativas para continuar ouvindo novas
músicas", defende-se Diego, que se gaba de ter montado CDs só com raridades
de Bob Marley e Tim Maia conseguidas em pesquisas na internet.

"No meu círculo, gravar CD em casa é prática comum", garante. "Hoje, tenho o
equipamento e pirateio não só para mim como para todos os meus amigos. Já
cheguei a reunir 15 deles em casa, todos com seus cases de discos e CD
graváveis, para fazermos sessões de pirataria. Apelidamos os encontros de
"dia da contracultura" ", brinca.

"Se você pode gravar uma fita a partir de um CD original, pode também
registrar essas músicas em outro formato", argumenta.
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