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Sérgio Santos no JB

Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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From: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Date: seg 18 fev 2002 - 15:16:10 EST

Oi moçada:

JB de 14.02.2002 (5ª feira), mais uma matéria sobre o cd "Áfrico" do mineiro
Ségio Santos.

Beijins. Sonia Palhares (BsB-DF)

"Sérgio Santos visita a sonoridade africana
MONICA RAMALHO

Não há distância entre Minas Gerais e Rio de Janeiro que telefonemas e
correspondências não resolvam. A prova está aqui: o mineiro envia as músicas
em fita cassete para o carioca que, por sua vez, passa as letras por
telefone ou por carta.

Parceiros há cerca de uma década, o violonista e cantor Sérgio Santos e o
compositor Paulo César Pinheiro acabam de colocar
nas prateleiras um disco primoroso. O repertório de Áfrico - quando o Brasil
resolveu cantar, traz o que Francis Hime batizou de "afro-canções", em
referência aos afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes.

"Nunca vou comparar os dois trabalhos, mas é inegável a existência de uma
ligação temática entre eles. O Baden funciona em relação ao Vinícius de modo
inverso ao meu diante do Paulinho. Enquanto o Paulinho foi na raiz, eu
continuei fazendo a minha música, sem incorporar elementos externos. No caso
deles, foi o Baden quem pesquisou profundamente a sonoridade africana e
Vinícius escreveu as poesias de sempre", lembra. As letras do Vinícius, é
verdade, falam até de amor e se encaixariam perfeitamente em outras peças.
Já as letras de Paulinho foram feitas sob medida para as descobertas
rítmicas do violonista.

Interessado até a alma pelas harmonias e melodias, o músico criou coragem
para atravessar o risco no chão que o separava do tratamento rítmico.
"Faltava mesmo debruçar sobre o ritmo. Eu gosto muito de burilar as melodias
e sempre me comprometi com as harmonias, que é o forte da música mineira",
admite. Faltava. Neste álbum, que reconta o percurso dos negros da África ao
Brasil, o cantor usa e abusa dos batuques tribais sem cair naquela
sonoridade tradicional: um batalhão de cordas e tambores da pesada.

"Descobri que o arpejo que fazia no violão me remetia às canções africanas,
mas eu queria ousar. Eu queria fazer um trabalho diferente, sem repetir sons
habituais neste caso". É claro que aparecem marimbas, caxixis e atabaques em
determinadas músicas, mas há lugar para voz, piano e violão, por exemplo.
Todas as 18 afro-canções gravadas foram compostas em dois meses, na segunda
metade de 2000. Mais uma semana dentro do estúdio e, pronto, nascia o
terceiro disco da carreira de Sérgio Santos, que está à venda.

Acertos - O disco tem alguns "achados", como a vinheta Vem ver, que aparece
quatro vezes no roteiro. Ela atua como uma espécie de fio condutor e deixa a
impressão de ser uma música só, mas fragmentada com o propósito de indicar a
passagem do tempo entre as faixas. Ela abre e fecha o disco. Na abertura, a
voz é do próprio Sérgio. Em seguida, na faixa 7, quem canta é Olívia, e nas
duas últimas inserções da vinheta (12 e 18), entra um coro formado pelas
cantoras Martinália, Ana Costa e Analimar.

"É como se existisse uma espécie de apresentador, chamando as pessoas para
conhecer a história dos negros", explica o cantor. "O disco é cronológico.
Inicia com Chico Rei vindo para o Brasil como escravo, mostra a chegada
deles, o sincretismo, a libertação e termina falando da união das culturas
africana e brasileira. É uma dádiva compor com o Paulinho porque tenho a
oportunidade de praticar o que acho ideal num disco: contar o enredo com
princípio, meio e fim, como se fosse um livro", comemora.

Uma turma de primeira acompanha o cantor na narração dos episódios: Rodolfo
Stroeter no baixo acústico e na produção musical, André Mehmari no piano,
Sílvio D'Amico no violão, Teco Cardoso no sax alto e nas flautas mais o
grupo instrumental Uakti e os cantores Lenine, Joyce e Olívia. "Todos foram
importantes. O Rodolfo, além de ser um produtor exemplar, é um baixista
exímio. Teco levou uma pitada de jazz fantástica e o Tutty colaborou com a
dinâmica perfeita", elogia, já pensando em convidar os mesmos músicos para
os shows de lançamento que fará no eixo Rio-São Paulo entre março e abril
próximos."

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