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Re: Primo Pianista

Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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From: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares_at_hotmail.com)
Date: qua 02 jan 2002 - 18:05:01 EDT

Oi Luli, você escreveu:

>de primeira, que todos tenham um grande 2002!

Também desejo que 2002 seja um ano pleno de coisas bacanas prá você e para o
pessoal do Spirituals de Porco!

>mas tenho uma notícia triste: faleceu aqui em brasília o pianista >primo,
>que formava o conjunto primo 3. ele tinha problemas de pressão alta e de
> >fígado e não resistiu a um ataque cardíaco aos 68 anos. no velório,
> >homenagens de todo o clube do choro, que primo ajudou a fundar. hamilton
>de holanda >tocou durante as homenagens.

Eu só conhecia o Primo de vista..., nunca o vi tocar, mas sei que era uma
figura que tinha uma história na música da cidade e que estava sempre
tocando para os "mandatários de ocasião", fossem eles quem fossem.

Aí vai uma matéria que saiu sobre ele hoje, dia 02.01.2002 (4ª feira) no
jornal Correio Braziliense que ilustra bem a trajetória do pianista Peixoto
Primo, não obstante todo o carinho que a moçada do Clube do Choro nutria por
ele.

Vale lembrar que ele foi o cara que deu uma das primeiras oportunidades a
Elis Regina na sua carreira de cantora, quando ela foi crooner de seu
conjunto - Flamingo - em Porto Alegre ainda no início dos anos 60.

Beijins. Sonia Palhares (BsB-DF)

"Peixoto Primo, pianista

Irlam Rocha Lima

Primo morreu de parada cardíaca: músico animava as recepções do poder em
Brasília

Fora da capital, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, não estava no
Campo da Esperança para participar da última homenagem ao conterrâneo e
amigo fraterno João Antônio Peixoto Primo, morto à 0h de ontem, aos 68 anos,
no Hospital Santa Luzia. Foi Pratini que em 1972, à época ministro da
Indústria e do Comércio, trouxe Primo para Brasília.
  ‘‘A convite do general Breno Borges Fortes, chefe do Estado-Maior do
Exército, vim tocar na festa de aniversário do presidente Médici. Na festa,
reencontrei o ministro Pratini, que me convidou para trabalhar em sua
assessoria’’, recordou o pianista em reportagem sobre seus 50 anos de
carreira, publicada pelo Correio em 14 de setembro de 1995.
  Desde que veio para Brasília, em 1972, Primo nunca mais deixou a cidade, a
não ser para cumprir compromissos artísticos em outras praças. A última
apresentação do pianista foi no dia 24 de dezembro, quando, juntamente com
seu conjunto, o Primo Três, animou a festa de Natal da Pousada do Rio
Quente, em Caldas Novas (GO).
  ‘‘Há sete anos, ele se apresentava na Pousada do Rio Quente. Depois da
festa de Natal, continuamos lá, pois ele iria tocar no rèveillon. Mas, como
passou mal no dia 26, teve de voltar às pressas para Brasília, numa UTI
móvel, sendo internado no Hospital Santa Lúcia’’, conta Rose, a filha mais
velha.
  Primo teve alta na manhã de segunda-feira. Às 13h, no entanto, voltou a se
sentir mal e foi levado ao Hospital Santa Luzia, onde viria a morrer. A
causa da morte, de acordo com a médica Vânia Maria de Oliveira, que assinou
o atestado de óbito, foi parada cardíaca em decorrência de cirrose provocada
por abuso de medicamentos. Trata-se de doença rara que gera descompensação
cardíaca e hepática.

Proximidade com o poder
Logo que chegou a Brasília, Primo passou a animar recepções no Itamaraty, no
Palácio da Alvorada e festas de ministros e políticos. Assim, reuniu muitas
histórias que tinham figurões do poder como personagens. Uma delas: ‘‘No
banquete de despedida de Médici, no Palácio da Alvorada, a parte musical
ficou por conta da cantora Maria Creusa, da dupla Antônio Carlos e Jocafi, e
do nosso conjunto. A festa foi até as 3h da manhã, quando o Presidente se
recolheu aos aposentos com dona Scyla. Ficamos tocando com Roberto Médici
(filho do presidente) e uns poucos convidados até quase de manhã. Aí, o
general apareceu na janela e esbravejou: ‘Vão dormir seus vagabundos’’’,
relembrou ele, na reportagem dos 50 anos de carreira.
  Outra história que Primo contou foi a de um churrasco na Granja do Torto,
durante o governo João Baptista Figueiredo. ‘‘Foi em 1982, em uma homenagem
ao presidente Ronald Reagan, dos Estados Unidos. Depois de interpretar
várias músicas brasileiras, o Reagan me pediu para tocar As Time Goes By,
tema do filme Casablanca, de Michael Curtiz. Ao final, veio até o piano e me
agradeceu.’’
  Houve um fato em que Primo relutava em revelar o nome dos envolvidos. Mas,
por insistência, acabou contando. ‘‘Certa vez, também no governo Figueiredo,
fui convocado para animar um chá comemorativo do aniversário de Lili, na
casa de um ministro, no Lago Sul. Pensei que a festa fosse para alguma amiga
da mulher do ministro. A homenageada, porém, era a cachorrinha chamada Lili,
pela qual a madame tinha muito carinho.’’ O ministro, no caso, era Délio
Jardim de Matos, da Aeronáutica.
  Embora a proximidade com o poder seja traço forte na carreira de Primo, o
que marcou sua trajetória musical, de forma indelével, foi o fato de
praticamente ter lançado Elis Regina. No início da década de 60, o músico
liderava o conjunto Flamingo, em Porto Alegre, que tinha como crooner a
adolescente Elis.
  Além de Rose, Peixoto Primo deixou mais três filhos, Guadalupe, Luciano e
Alexandre — que tocava percussão eletrônica no grupo Primo Três —, e as duas
mulheres com quem foi casado, Marisa Steigleder e Adelaide Primo. Uma das
cantoras que se apresentavam freqüentemente com ele era Glória Maria, atual
presidente da Ordem dos Músicos em Brasília. Outro músico que costumava se
juntar ao pianista, em reuniões festivas, o acordeonista gaúcho e também
deputado do PL por Roraima, Alceste Almeida, lamentou emocionado, a perda do
‘‘amigo de todas as horas’’. Entre os muitos prêmios e condecorações
acumulados pelo músico, destaca-se a comenda da Ordem do Rio Branco.

Homenagem no enterro

Ricardo Borba

Ontem, às 14h, antes do sepultamento, Peixoto Primo recebeu homenagem
póstuma do grupo Dois de Ouro (foto). O bandolinista Hamilton de Holanda e o
violonista Fernando César, acompanhados pelo pai, o violonista José Américo,
tocaram Santa Morena e Vibrações, de Jacob do Bandolim, músicas que Primo
apreciava; Ave Maria, de Gounod, a pedido da família; e Evocação de Jacó, de
Avena de Castro. ‘’Quando do recente show do Dois de Ouro no Clube do Choro,
o Primo pediu a meu pai para que tocássemos a Evocação de Jacó, quando da
sua morte’’, observou Hamilton. O autor da música foi um dos maiores amigos
do pianista na cidade. ‘‘O Avena foi quem o aproximou do Clube do Choro. Lá,
ele participou de dois projetos, um em homenagem a Jacob do Bandolim e outro
a Waldir Azevedo’’, recorda Henrique Filho, o Reco do Bandolim, presidente
do Clube do Choro."

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