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Rainha do rádio começou em BHEsta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros. |
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From: Antônio Augusto (bocaiuva_at_bocaiuva.com.br)
Date: sáb 27 out 2001 - 20:18:56 EDT
Rainha do rádio começou em BH
Personalidade forte, que não se conformava com o machismo reinante em
sua época, a Rainha da Voz, como ficou conhecida Dalva de Oliveira,
engravidou antes de casar, desquitou, casou-se de novo e, finalmente,
uniu-se a um graçom 20 anos mais jovem do que ela. Uma das passagens
mais marcantes de sua vida foi a separação do compositor Herivelto
Martins, de quem se tornou a maior intérprete desde a formação do
antológico Trio de Ouro. Incitada pela imprensa e pela própria
gravadora do casal, os dois travaram um duelo em que, a cada round, um
respondia publicamente ao outro com um novo sucesso.
Que será?, de Marino Pinto e Mário Rossi, Tudo Acabado, de J. Piedade,
Mentira de Amor, de Lourival Faissal, Errei sim, de A. Alves, Calúnia,
de Marino Pinto e Paulo Soledade, e A Grande Verdade, de Luiz
Bittencourt e Marlene, são algumas das composições gravadas por Dalva
na época, enquanto o próprio Herivelto e outros intérpretes respondiam
com Caminho Certo, Caminhemos, Quarto Vazio e Bom Dia.
O gesto em que, braços cruzados sobre o peito, a cantora se curvava
diante do público, e a saudação Obrigada, eu não tenho fãs. Tenho
amigos tornaram-se marcas registradas de Dalva de Oliveira, também
reconhecida pelos agudíssimos que atingia. Reza a lenda que os famosos
agudos registrados em discos por Carmen Miranda seriam de Dalva que, a
exemplo das grandes intérpretes da época, integrava o coro de Carmen.
Apesar de ouvir a informação de várias fontes escrevia a biografia da
cantora, João Elísio Fonseca não conseguiu comprová-la.
Além de entrevistas com familiares, amigos e fãs, o autor do livro e
da peça teve acesso ao depoimento gravado por Dalva de Oliveira no
Museu da Imagem e do Som (MIS), do Rio de Janeiro, onde um incêndio
acabou consumindo parte da memória da cantora. Entre as curiosidades
está a informação de que Dalva viveu no bairro das Flores (Floresta),
em Belo Horizonte, onde iniciou carreira na extinta Rádio Mineira,
tendo passado também pela Guarani, antes de se transferir para o Rio,
onde atingiu sucesso nacional.
Natural de Rio Claro, no interior de São Paulo, onde nasceu a 5 de
maio de 1917, Dalva de Oliveira foi batizada Vicentina de Paula
Oliveira. O pseudônimo seria adotado por sugestão da própria mãe.
Eleita Rainha do Rádio pela Rádio Nacional na década de 40, além de
estrelar inúmeras revistas, participou de 14 filmes, entre os quais
Tudo é verdade, de Orson Welles, e Samba em Berlim, de Luís de Barros,
nos anos 40, e Tudo Azul, de Moacyr Fenelon, nos 50. Seu último filme,
na década de 70, foi Os Herdeiros, de Cacá Diegues, em participação
especial ao lado de Caetano Veloso e Nara Leão.
Depois de escapar de um acidente automobilístico, em 18 de agosto de
1965, no Rio, que resultou na morte por atropelamento de três pessoas,
Dalva de Oliveira morreria sete anos depois, em 30 de agosto, vítima
de uma hemorragia interna, provavelmente provocada por um câncer. A
cantora viveu o apogeu nos anos 30, 40 e 50.
Numa tentativa de se aproximar das novas gerações, chegou a gravar
Roberto Carlos (Oh! Meu Imenso Amor) e Chico Buarque (Tem mais samba).
Seu último grande sucesso, no entanto, seria a marcha-rancho Bandeira
Branca, de Max Nunes e Laércio Alves, com a qual perdeu o primeiro
lugar no Festival de Músicas Carnavalescas de 1969, no Maracanãzinho,
para Dircinha Batista (O Primeiro Clarim) e Osvaldo Nunes (Não me
deixes), classificados respectivamente em primeiro e segundo lugar no
certame.
Dos mais de 300 fonogramas gravados pela cantora, pouca coisa foi
reeditada em CD. Até o momento, a mais completa edição da obra da
artista na nova tecnologia foi Dalva de Oliveira A Rainha da Voz, da
EMI, com produção de Hermínio Bello de Carvalho. Além de quatro CDs, o
pacote traz libreto com a biografia dela, cujos maiores sucessos, além
de Bandeira Branca, foram Segredo, Que será?, Tudo Acabado, Kalu e
Olhos Verdes.
O tempo é o senhor da verdade e da razão...
"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores;
se não houver flores, valeu a sombra das folhas;
se não houver folhas, valeu a intenção da semente."
Geir Campos citado por Henfil no poema O Rio
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