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Clube do Choro- Vitor Santos

Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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From: Alexandre Dias (afsdias_at_terra.com.br)
Date: sáb 20 out 2001 - 20:55:13 EDT

Clube do Choro

19-10-2001

Vitor Santos (trombonista), e conjunto Choro Livre

Oi Pessoal, o show de ontem foi bastante rico e diferente. Com seus
milhões de improvisos jazzísticos e virtuosos, o Vitor Santos arrebatou a
platéia em várias as músicas, e prendeu a nossa atenção enquanto falava.

A duração da apresentação foi longa, porque, apesar de jovem, ele gosta de
contar muitas histórias. Além disso, a duração das músicas foi acima da
média, por isso tivemos um número menor de músicas. O Vitor elogiou muito
o clube do choro, fez um longa comparação, com a raiz das árvores. Nós não
as vemos, mas são elas que nutrem e dão vida à planta. O mesmo com o Clube
do Choro, que também fica abaixo da terra, e sustenta a tradição da música
brasileira antiga. É interessante notar que ele foi fundado em 9-9-1977. E
o Reco do Bandolim vem fazendo esse ótimo trabalho nos últimos anos,
quando assumiu a presidência da casa.

Gostaria de aproveitar o momento para descrever o local o Clube do Choro
para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ir lá. Localizado no
centro de Brasília, ao lado do Planetário, fica um espaço entre algumas
árvores, com uma construção redonda que dá para o subsolo. Depois de
estacionar o carro na frente de uma árvore, passando ao lado da famosa
Escola de choro Raphael Rabello, chegamos às escadas que dão para o
interior do Clube do Choro. Uma vez lá dentro, o que se vê é um local
aconchegante, iluminado antes de começar o espetáculo da noite. Cerca de
30 mesas de madeira distribuídas de maneira homogênea entre o curto espaço
nos põem próximos uns dos outros. Cada cadeira com 4 mesas às vezes passa
a ter 5, ou às vezes 6, dependendo do tamanho do grupo que vai :). E é aí
que começa o desespero dos garçons, que simplesmente não conseguem se
mexer hehehhe, alguns ficam presos a noite toda entre 3 mesas.
(brincadeira :P)

Com a meia hora de atraso costumeira, vai-se aumentando a converça no
local, e as risadas passam a ser mais freqüentes deixando as pessoas mais
à vontade :). Olhando para uma paredes, pode-se ver grandes quadros com
fotos dos homenageados dos anos passados, como Pixinguinha, Jacob, Waldyr
e Chiquinha. Em outra parede ficam fotos do homenageado do ano, o
Nazareth, com uma biografia divida em pequenos quadros e mais fotos. No
fundo, à esquerda fica o bar que nos mantem bem alimentados durante a
noite, e, do lado, um cantinho com os melhores CDs de choro lançados
recentemente. Bem no centro, ao lado da pilastra cilíndrica fica o
contralodor do som, e um cinegrafista filmando todos os shows. Geralmente
as apresentações começam às 10:00 e podem terminar lá pela 1:00 :O)

Bom, é isso. Todas as músicas foram entremeadas por vários comentários e
histórias. Pra começar o show, ele nos brincou com uma série de músicas
começadas com "F".

1.Noel Rosa- Feitiço da Vila

2.Ernesto Nazareth- Feitiço

É a primeira pessoa que eu vejo caçar a partitura desse ótimo tango
Nazareth. Soou muito bem no trombone.

3.Ary Barroso- Folhas Mortas

Excelente participação do Evandro do Cavaquinho. Como o próprio Vitor
disse, é ele um "cavaquinho que pensa".

4.Nelson Cavaquinho- Folhas Secas

Ele comentou que o Branco Melo, do Titãs, adora Nelson Cavaquinho, e eles
chegaram a fazer um álbum juntos só cantando sambas desse tipo. Só que
está arquivado, aguardando lançamento.

5.Cartola- As Rosas Não Falam

Roberto Carlos quase que gravou essa música. O seu maestro (que agora não
me recordo do nome), e arranjador, geralmente faz 3 arranjos em
tonalidades diferentes, grava com a orquestra, e depois vê em qual tom
fica melhor pro Roberto cantar. Já tava tudo pronto pra ele gravar As
Rosas Não Falam, só que em vez de rosas ele falava "plantas". Por isso até
hoje os arranjos estão lá na Sony Music. Eu não sou muito bom pra entender
histórias, mas é isso mesmo? Por que o Roberto simplesmente não passou a
cantar "rosas" mesmo?

"E nisso ele perdeu a oportunidade de registrar uma maravilhosa
experiência rítmica e intervalar que é esse samba do Cartola"

6. (compositor)- A noite do meu bem

Ernesto Nazareth- Matuto

O Choro Livre já deve estar craque em tocar essa música do Nazareth. Até
pouco tempo ela era muito pouco tocada. Mas esse ano, é a Quarta vez que
eu vejo, pelo menos (MTMadeira, Altamiro Carrilho, Zé da Velha e Silvério
Pontes).

Noel Rosa- Feitio de Oração

Com muuuuitas improvisações, muitas divagações, muitas reflexões.

Baden Powell/Vinícius de Moraes- Deixa

Segundo ele, esta música deveria estar dentro as "30 mais do século".

Lupicíniio Rodrigues- (?)

Infelizmente não pude pegar o nome dessa linda música.

Ernesto Nazareth- Brejeiro

O brejeiro mais longo da história, e talvez o mais curioso que eu já tenha
ouvido até hoje.

Em ritmo lento, tocou a primeira parte.. depois a segunda.. depois a
primeira, e depois o que se seguiu foi um verdadeiro "desafio entre
instrumentos". Um por um, o trombone ia desafiando os instrumentos do
Choro Livre. Desde Augusto (violão seis cordas), que tem um ouvido ótimo,
pois reproduzia com precisão os improvisos/desafios do trombone, até Cunca
no surdo, cada um fazia o mesmo número de compassos, cedendo lugar pro
próximo. Até o tema do "vôo do besouro" apareceu heheheh

Durou pelo menos uns 12 minutos.

Geraldo Pereira- Sem Compromisso

Um dos clássicos do trombone. O Zé da velha e o Silvério gravaram uma
versão excelente no último CD deles "Ele e Eu". O Vitor comentou algo
importante, que muita gente acha que o compositor dessa música é o Chico
Buarque, mas o Chico só gravou. Ele não tava nem nascido quando o Geraldo
Pereira compôs essa música. :O)

Raul de Barros- Na Glória

O Hino Nacional do Trombone. Hahahah. Na platéia estavam alguns
trombonistas de Brasília, inclusive os que formam o quarteto de trombones
de Brasília "BSBoni". Foi chamado um deles ao palco, e eles tocaram "O" Na
Glória. Com direito a todas as participações da platéia heheheh.

Foi tão rica a interpretação, mas tão rica, que não precisou nem pedir BIS
:O)

Um show muito bom.

Esqueci de comentar, que o Vitor é professor de música da Daniela
Spielman, que também esteve aqui há algumas semanas.

Obrigado a todos,

Alexandre Dias- Brasília

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