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O SONHO DE UM LOUCO

Esta lista de discussão é apenas sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
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From: Eduardo Goldenberg (edugold_at_osite.com.br)
Date: ter 16 out 2001 - 11:10:43 EDT

Sem querer ser repetitivo, a festa foi um absurdo de boa. E esta mensagem
vai pra lista inteira como um depoimento meu e de um amigo que estava lá
também, sem computador, sem email, mas que fala aqui, também, através de
mim.

Talvez - posso estar enganado - eu e Zé Preto, o impagável Zé Henrique,
fossemos as únicas pessoas dentre as que ali estavam (tirando é claro a mãe
e o irmão do Paulo) que assistiram de verdade o sonho do criador do site
começar a virar realidade.

Foi absolutamente impossível não lembrar durante a festa, da imagem do Paulo
invadindo as casas de samba (principalmente a Mãe Joana, o epicentro do
samba na noite da época) com cartolina amarela contendo o endereço da
"Agenda", panfletando como um louco pra divulgar sua idéia. A gente até
sacaneava, eu, Zé, Cachorro, Lobão, Fernando (meu irmão)... "lá vem a
cartolina amarela...".

Foi absolutamente comovente no sentido menos piegas que a palavra possa ter,
ver o CCJB absolutamente lotado e encontrar o Zé Preto lá! Quando nos vimos
quase que dissemos ao mesmo tempo "pqp... quem diria...", lembrando das tais
histórias de cinco anos atrás. Essa história me lembra a história da Toca do
Vinícius, do Carlos Alberto, em Ipanema.

Ele ficava todos os domingos, quando o calçadão fechava, com sua barraquinha
armada, vendendo livros do Vinícius, tocando os CD's do Vinícius, vendendo
seu livro sobre o poeta, e muita gente achava o cara um doido, um louco.
Aquela cara de bonachão que ele tem, aquele sorriso de boa praça,
alimentando o sonho dele que virou realidade. Tem hoje a Toca do Vinúcius na
Rua Vinícius de Moraes, que é uma referência quando se quer saber da obra do
Vina. Tem de tudo, tem CD's, tem livros, ele organiza recitais, enfim, o
cara transformou o sonho.

Como o Paulo. O que ele fez foi coisa de maluco. Sem apoio. Sem patrocínio.
Sem divulgação de mídia, de jornal etc. E aquela multidão que estava lá,
estava, mesmo sem saber, celebrando isso, a força que tem um ideal, um
sonho, ainda que louco. Por isso, mais que justificável o porre do Paulo no
fim da festa. Bebeu pouco, até.

Edu
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