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Clube do Choro- Transcrição e gravações |
From: Alexandre Dias (afsdias@terra.com.br)
Date: Sáb 13 Out 2001 - 22:54:51 GMT
Pessoal da lista O Malho, e das listas MusicaBrasil, M-Musica, Enanenes e
Tribuna Livre,
Repasso para vocês algo interessante. Trata-se da transcrição integral dos
comentários que o Sérgio Cabral fez ontem no Clube do Choro de Brasília,
referentes às músicas tocadas pelo conjunto Choro Livre, com o Reco do
Bandolim, presidente do Clube.
Infelizmente não sei por que cargas d'água, a segunda parte do show não
ficou gravada. Então dessa vez fica só a primeira.
Abraço,
Alexandre Dias- Brasília- Administrador da lista O Malho
Irmão do Reco, (alguém sabe o nome dele?):
"(...) que nós estamos recebendo aqui em Brasília uma figura ligada à
música popular brasileira de uma maneira bem forte, muito competente.
Jornalista, escritor, historiador da música popular brasileira: Sérgio
Cabral.
[Aplausos calorosos]
Que veio a Brasília pra lançar o seu mais recente trabalho nessa área da
música popular que é "Nara Leão, uma biografia". Recomendo. O autor estará
sentado ali no intervalo inclusive, autografando exemplares do seu livro,
que é uma beleza. Sérgio, parabéns por mais esse trabalho, que você faz,
pra tornar a música popular brasileira mais acessível, pra democratizar o
conhecimento sobre essas figuras e essas circunstâncias criadoras da MPB.
O Sérgio vai ficar sentado aqui nessa mesa, (tem um charuto aqui mas ele
sabe que não pode acender aqui dentro), certamente com um whiskyzinho na
mesa intervindo com muito mais propriedade do que eu seria capaz nos
momentos que julgar adequados pra ilustrar, pra pontuar o espetáculo que
vai ser apresentado pelo Reco do Bandolim e o Choro Livre.
[Apalusos]
Eu não preciso apresentar a vocês que são freqüentadores da casa o
conjunto Choro Livre, que tem se destacado numa posição aparentemente
modesta acompanhando os grandes nomes da música instrumental brasileira
que se apresentam aqui no Clube do Choro, mas recebendo a homenagem e o
agradecimento unânime de todos que se apresentam aqui no clube com o
acompanhamento competente da prata da casa da melhor qualidade que são os
músicos do grupo Choro Livre, que eu chamo aqui ao palco.
[Apalusos]
Augusto- Violão 6 cordas
Cézar- Violão 7 cordas, essa figura maravilhosa
Evandro- Cavaquinho
Pandeiro- Tonho
Surdo- Cuca, que é um dos surdos com o melhor ouvido que eu já vi,
E no bandolim, pra fazer a alegria de nós todos eu chamo o Reco do
Bandolim que, além de ser o homem que conduz o destino desse Clube do
Choro, e que há 6 anos mantém, eu costumo dizer que o povo brasileiro tem
virtudes e talentos singulares e indiscutíveis, agora quando você alia o
talento a essa espécie de teimosia, de determinação, pra ser perseverante
no que você está buscando como faz o Reco aqui a frente Clube do Choro que
há 6 anos, todas as semanas, trás a Brasília um grande nome, que eu não
tenho a menor modéstia e eu posso dizer que, quando ele traz a Brasília
toda semana um grande nome, ele também hoje se escreve entre os grandes
nomes da música instrumental brasileira.
[Aplausos]
Ô Sérgio, por favor.
[ E o Sérgio vem lentamente lá do fundo, caminhando até o palco]
É bom que demore um pouquinho pra chegar porque dá tempo da gente fazer um
agradecimento final patrocinatório desse Ernesto Nazareth- Pai do Choro
Moderno, que é o projeto desse ano no Clube do Choro. Banco do Brasil,
Correios, Petrobrás, muito obrigado a todos eles.
Sérgio- Essa família é fantástica, vocês viram que apresentador?
Eu ganhei um presente do Cuca aqui. Ah que bom... perfeito. É... Bom, eu
não sei se falo muito ou falo pouco, vou falar pouco. Aliás eu quero
avisar que eu vou intervir.... cadê o roteiro? Não tem não? Pega do chão,
pega do chão aí. Ah, não era do chão? Ele sopra pra você. Eu vou intervir
de duas em duas músicas pra não encher o saco de vocês. E queria dizer o
seguinte. Nesta primeira parte, esse fantástico conjunto do Reco e o Choro
Livre vai tocar apenas músicas de Ernesto Nazareth. Ernesto Nazareth,
segundo algumas teorias de hoje, teóricos do choro, não seria um chorão
exatamente, porque ele fazia músicas apenas para o piano, para solar no
piano sem acompanhamento, e choro é uma coisa que exige um número maior de
instrumentistas tocando. Mas a verdade é que as músicas dele são hoje um
dos maiores clássicos do choro. E muitas dessas músicas que a gente vai
ver foram adaptadas, foram transformadas em choro mesmo, e foram adaptadas
pra bandolim por ninguém mais ninguém menos que Jacob do Bandolim, que
gravou, há muitos anos, num disco de 10 polegadas, um dos que tinham
antigamente, você não se lembram porque não tinham nascido, disco de 10
polegadas que tinha 8 músicas, e ele gravou o disco interpretando Ernesto
Nazareth. ["Jacob Revive Músicas de Ernesto Nazareth" 1955 RCA Victor]. E
o conjunto e o Reco foram adiante no trabalho do Jacob e fizeram arranjos
especiais. Portanto, pra começar, de Ernesto Nazareth, Turuna, e depois
Tupinambá.
Nazareth- Turuna (Choro Livre)
[Esta música o Reco gravou no disco da FENAB "Choro- Aos mestres com
carinho",
pra quem quiser ouvir, eu coloquei à disposição de vocês a gravação. É só
clicar neste endereço:
http://groups.yahoo.com/group/OMalho/files/Turuna%20%28Reco%20do%20Bandolim%29.mp3
]
Nazareth- Tupinambá (Choro Livre)
[Está música se chama Tupinambá não porque foi composta em homenagem aos
índios dessa tribo, mas sim porque foi feita em homenagem ao Marcello
Tupinambá, compositor contemporâneo do Nazareth. Tupinambá era um
pseudônimo para Fernando Lobo, e, diz o Aloysio Alencar Pinto, que na
época era comum escolher pseudônimos com nomes indígenas. Vide "Chico
Bororó"- "Francisco Mignone"]
Sérgio- O Nazareth, ele pode ser considerado como um dos pais da música
brasileira. A música brasileira começou a tomar forma na segunda metade do
século XIX. O nosso querido Nazareth nasceu em 1863, portanto ele pegou,
quero dizer, ele foi um dos que ajudaram a fazer o sotaque da nossa
música. E esse sotaque começou a aparecer realmente através dos
instrumentistas de choro que tocavam, quase sempre, músicas estrangeiras,
particularmente a polca, e do jeito deles tocavam a polca foi nascendo um
tipo de música brasileira. Aliás a polca, segundo o Machado de Assis, era
tão familiar para os brasileiros que já era uma música brasileira também,
mas era o jeito deles tocarem. E ele percebeu, o nosso Nazareth, não só
criou, como percebeu aquele clima, ao fazer a sua música. Ele, Antônio
Cavaco, Henrique Alves de Mesquita, e vários outros, na verdade eram só os
pais dessa nossa música. E eu costumo dizer que a nossa música tem vários
pais, mas tem uma mãe, que é a nossa Chiquinha Gonzaga. Foi
importantíssima.
Mas essa coisa, que nascesse o primeiro gênero musical urbano do Brasil
foi o maxixe, também no século XIX, isso foi aquele grupo de músicos
realmente que fez, enfim, que nos ajudou a criar. Bom, eu tô muito
"profissional" hoje [risos], muito chato, mas daqui a pouco eu vou tomar
mais um whiskynho e tal [risadas!].
Só uma coisa rápida, só pra contar. Teve uma vez que eu dei uma entrevista
naquele programa Roda Viva, que eu já fui duas vezes lá, mas na primeira
vez foi quando eu lancei a biografia do Almirante, em 1990. Eu saí do
programa e tal, e fui pro hotel. Chegando no hotel, me liga um amigo do
Rio que tinha visto o programa. E disse "Sérgio, olha, foi a melhor
entrevista que você já deu! Foi a melhor entrevista, você tava maravilhoso
tava engraçado tava ótimo! Estava inteligente, tava ótimo! Quantos whiskys
você bebeu?" [hahahaha]. Eu falei "Eu bebi.... dois no hotel, e bebi um na
televisão- três."
"Então três! Toda vez que você falar em público bebe três whiskys!"
[gargalhadas]
Eu tô no primeiro então vocês me perdoem. [mais risos]. Voltando com
vocês: Atlântico e Escovado. Duas obras primas do nosso Nazareth.
Nazareth- Atlântico (Choro Livre)
Baseado no arranjo de Jacob do Bandolim
Nazareth- Escovado (Choro Livre)
Nas duas próximas músicas, o Nazareth homenageou duas grandes instituições
do Rio de Janeiro. Uma que foi o cinema Odeon, onde ele trabalhou. Vocês
sabem que no início do século os cinemas mais elegantes, no caso o Odeon,
que era na Rio Branco, centro do Rio de Janeiro, havia músicos na sala de
espera, grandes instrumentistas tocando lá, e o Nazareth tocou bastante no
Cine Odeon. Aliás era uma atração, ia muita gente ao cinema para ouvir o
Nazareth e se conta, inclusive, que a calçada ficava lotada de gente
ouvindo a música que vinha lá de dentro do cinema. Ele então homenageou o
cinema com o clássico dele que é o Odeon, música essa que recebeu letra do
Catullo da Paixão Cearense, se não me engano, [o letrista no caso, foi o
Hubaldo Maurício], e depois a Nara Leão encomendou ao Vinícius do Moraes
uma letra para essa música, e a Nara gravou a música "Um Chorinho Chamado
Odeon". Eu tô falando isso só pra lembrar que tem um livro aí, uma
biografia da Nara e tal [risos, risos], e discos, discos da Nara
inclusive, discos do Choro Livre, olha, aquele cantinho ali vale a pena
visitar. Então uma homenagem é o Odeon, e a outra homenagem é o Ameno
Resedá. Ameno Resedá foi um rancho carnavalesco. É uma pena que essa
tradição maravilhosa do carnaval do Rio esteja hoje praticamente extinta.
Eu me lembro que nos anos 60 quando tava assistindo ao desfile de ranchos,
eu ia sempre ver, e quem tava vendo também era aquele ator francês, o
Pierre Baruc (?), que tinha acabado de filmar aquele "Um Homem e uma
Mulher", e ele falou "mas isso é muito mais bonito que escola de samba", e
era mais bonito sim, só que era mais delicado, muito mais sutil. O racho
foi uma tradição que inclusive fez muito sucesso durante muitos anos . E o
grande rancho do Rio foi o Ameno Resedá. Era um rancho freqüentado por
várias pessoas , escritores, Coelho Neto, por exemplo, freqüentava, e
tantos outros. Então o nosso Nazareth homenageou essas duas instituições:
Odeon e Ameno Resedá, nome das músicas que esse brilhante conjunto que vai
tocar agora.
Nazareth- Odeon (Choro Livre)
Baseado no arranjo de Jacob do Bandolim
Sérgio- Só um instantinho, não é hora de eu falar agora, mas eu tenho um
recado importante pra falar. Pode sair um whisky aí por favor? [risadas,
risadas]. Pede um whisky ali pra mim por favor. Obrigado, pó tocar, pó
tocar. [risos]. [nessa hora alguém põe um copo e uma garrafa de whisky na
mesa dele]. Precisa não precisa não! O amigo aqui tá me socorrendo.
Nazareth- Ameno Resedá (Choro Livre)
Baseado no arranjo de Jacob do Bandolim
Fechando essa homenagem ao nosso Nazareth, nós teremos mais duas músicas,
mas eu vou aproveitar esse intervalo pra falar um pouquinho mais. O que eu
vou dizer é o seguinte. Enquanto mais ou menos 1915, 1916, a França era
representada no Brasil pelo Paul Claudel (?), poeta. [não consegui
entender a frase que ele fala aqui]. [Neste momento um copo de whisky é
servido a ele]. Obrigado viu, Deus te dê em dobro. E o secretário dele era
o Darius Milhaud, que viria a ser um dos maiores músicos, um dos maiores
compositores do século. E o Darius Milhaud ficou apaixonado pela música
brasileira, particularmente por Nazareth. Ele tinha o Nazareth quase como
gênio, ele ia ver o Nazareth, ele aprendeu a tocar as músicas do Nazareth.
Aliás, cá entre nós, pelo meu parco conhecimento, eu tenho a impressão que
o Nazareth era na época dele, era nessa época, fim do século XIX e início
do XX, o maior compositor popular do mundo. Porque das obras que eu
conheço... Eu vejo o Scott Joplin, americano, que também realmente, mas o
Nazareth era melhor. Era um compositor fantástico. E o Milhaud ficou tão
encantado com a música brasileira, e com o Nazareth em particular, que,
quando voltou pra França, incorporou as músicas que ele ouvi na obra dele.
Algumas vezes, cá entre nós, eu acho que foi até mais que uma homenagem,
foi uma... sabe? [risos, risos]. Aquele balé "O Boi no Telhado" que foi
feito em trio: A música do Darius Milhaud, a história era do Jean (--)
(?), e o cenário era do Pablo Picasso. Só faltava o leão da Metro. [risos]
Pois bem, ele citava muito esse pessoal, inclusive nessa obra ele cita
várias músicas de Chiquinha Gonzaga, o "Corta Jaca", o trombonista do
"Flor de Abacate" o Álvaro Sandim, enfim... E fez várias músicas com o
nome de bairros do Rio de Janeiro e tal, ele gostava muito realmente. E o
Milhaud é uma figura por que eu tenho admiração, por ser um grande
compositor, e por ser também uma figura bem humorada. No final da vida
dele, ele foi dar aulas de música na Califórnia para alunos ilustres,
David (--) (?), pianista de jazz, grande pianista, foi aluno dele, e
outros mais. E contam uma história dele que tinha um aluno que chegou com
uma missa escrita porque o Ravel acabara de morrer, e o aluno escreveu uma
missa pra mostrar pra ele. E ele pediu ao aluno "toca", o aluno foi ao
piano e tocou. E perguntou "que tal mestre?", ele falou "olha, pra falar a
verdade, e preferia que você tivesse morrido e que o Ravel tivesse
composto a missa" (hahahaha). O nosso Ernesto Nazareth viveu até 1934
quando morreu em circunstâncias na época misteriosas, ele morreu num dia
de carnaval, domingo ou Segunda, ele tava internado numa clínica de
alienados lá em Jacarepaguá, que se hoje é um lugar meio assim meio com
mata, imaginem na época que era de acesso mais difícil ainda. E realmente
o nosso Nazareth surtou no final da vida. E ele tinha umas coisas
esquisitas, tinha umas coisas esquisitas. Ele por exemplo quando via
alguém tocando música dele no piano, ele fala assim "não é assim que se
toca Nazareth", cá entre nós isso é meio besta mas aqui eu já acho que era
maluquice. E ele tava internado e apareceu morto lá no riacho. E o Jacob
do Bandolim que além de músico genial, trabalhava como escrivão na 16ª
vara criminal, resolveu fazer uma pesquisa, perito mesmo, e tal, pra
apurar em que circunstâncias o Nazareth morreu, e concluiu que foi
suicídio. Nazareth suicidou-se. Bom é uma história chata falar da morte
dele mas tudo bem. Então vamos mais duas músicas, vamos homenagear esse
grande extraordinário nome da nossa música que foi o Nazareth com mais
duas músicas fantásticas: uma é "Nenê" que não é muito conhecida, e a
outra é um clássico dele que fez muito sucesso, sempre fez muito sucesso,
que é brejeiro, que o Jacob do Bandolim gravou de maneira extraordinária e
que eles tocam também, aliás vocês vão ver que é um choro fantástico. O
Jacob tinha um panderista O Gilberto (--) (?) que tocava pandeiro e tocava
surdo muito bem, muito bem, ele era craque . E uma vez o Gilberto disse
assim "sabe, eu sou capaz de tocar surdo em qualquer lugar. Eu toco aqui e
você pode conversar ali que eu não atrapalho". Esse nosso aqui, o Cuca é
assim. [clap, clap, clap]. Não incomoda, não incomoda, é uma coisa que
vai... não é? Soma. Nenê e Brejeiro
Nazareth- Nenê (Choro Livre)
Nazareth- Brejeiro (Choro)
[Não posso deixar de mencionar aqui a quantidade de aplausos que essa
interpretação recebeu. A platéia ficou completamente arrebatada, de pé,
aplaudindo esse arranjo absolutamente diferente de todas as gravações de
brejeiro que já ouvi. Para fazer jus a o que digo, eu vou colocar à
disposição de vocês essa gravação não-comercial, sem fins lucrativos
(apenas educativos), para vocês ouvirem, na página da lista O Malho. Basta
clicar nesse endereço:
http://groups.yahoo.com/group/OMalho/files/Brejeiro.%20%28Choro%20Livre%29.mp3
Incluí os aplausos também na gravação. O som está audível, mas de
qualidade ruim. Mas recomendo.]
Sérgio- Bem, agora a gente vai fazer um intervalo. Sempre que eu falo em
intervalo em lembro de um show que eu participei, já há alguns anos,
chamado "onde o rio mais cavoca" (?), e o show tinha Beth Carvalho, João
Nogueira, Joel do Bandolim. E a primeira parte terminava com, vejam vocês,
vocês não acreditam mas é verdade, eu e Beth Carvalho dançando [risos], e
modéstia a parte eu danço bem. E aí eu dancei naquele cruzadinho assim,
meio de gafieira e tal, aí então eu inclinava a parceira até o chão, fazia
assim, e voltava, e despedia do publico dizendo: agora vocês têm 10
minutos pra beber alguma coisa e dar uma mijadinha. [risadas]. Um dia foi
ver o show um bixeiro lá do Rio, que tinha cometido um crime terrível,
matou uma pessoa dias antes. E foi com a mulher, e depois do show foi lá
no camarim e aí falou assim pra mim "Sérgio Cabral... Pô rapaz.... Pegou
mal... Eu tava com a minha senhora, e você falou aquele negócio de
mijadinha.... Pegou mal." [Aí o Sérgio analisa sobre como varia a moral
das pessoas] [risos, risos, risos]. Concluindo, vocês tem dez minutos pra
dar uma mijadinha."
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