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Re: O Mercado e a Teoria da Destruião[era O Novo e o Velho |
From: Carlos Mauro (cmtiosamba@hotmail.com)
Date: Qua 10 Out 2001 - 20:39:28 GMT
Dando prosseguimento à importante discussão sobre a evolução dos gêneros
musicais ou o conjunto de transformações por eles sofridas(como melhor
preferir, ó Bruno "Darwinista"), Daniel Brazil formula a "Teoria da
Destruição":
>Parece que a maioria das opiniões está convergindo para um grande DEPENDE
>(como disse o Gangaz). Mas o Rafa, lá de Porto Alegre, reafirma uma coisa
>curiosa, que sempre ouço quando falam de MPB, e que nunca entendi direito.
>Diz ele:
>"Gosto de novidades desde que não prejudique o que foi originalmente
>feito."
>"O errado não é tocar diferente e sim tentar transformar a força."
>"Tudo é válido desde que não destrua o que já existe."
>
>A soma dessas afirmações leva a um raciocínio meio tortuoso: Algumas coisas
>novas são feitas para destruir (ou prejudicar) formas anteriores. Será que
>existe isso em música?
>Quando o músico/ compositor - um criador - descobre uma coisa nova e
>coloca
>no ar, será que age como um "destruidor?" O Tinhorão acha que a Bossa Nova
>veio para destruir o samba. O Pedro Alexandre Sanches acha que a Tropicália
>nasceu para enterrar o samba. E muito anônimo em botequim reafirma esta
>teoria da destruição...
>Discordo completamente desta tese. Não posso compartilhar a idéia de que
>fazer música, procurar novas formas artísticas, implique em extinção de
>outras.
Essa história está me lembrando um comercial de televisão que fazia
propaganda do mais novo micro-system de áudio de uma determinada marca. O
novo produto era vendido ridicularizando-se uma pessoa que ouvia música
usando um toca-discos. Na realidade, a indústria sempre faz isso quando quer
afirmar um novo produto no mercado, maior exemplo disso acontece de montão
no mercado de produtos ligados à área de informática onde se faz de tudo
para termos a sensação de estarmos sempre ultrapassados se não adquirirmos
correndo os mais novos lançamentos da "tecnologia informata".
A partir do século passado, a música popular através de seus registros
fonográficos ganhou contornos de "produto industrial", e obviamente, passou
a ser objeto de todas as estratégias de marketing comuns a qualquer produto
lançado no mercado. Indicativos publicitários do tipo "rock é a música do
jovem para o jovem","quem ouve jazz é elegante e sabe das coisas" ou "ouça o
som de sua geração" são esforços no sentido de primeiro "vender"
gratuitamente esses conceitos para depois faturar bastante com as vendas
desses "produtos".
Por outro lado, em toda a história da história da arte sempre houve esses
"movimentos artísticos", que reunia artistas de maior ou menor talento com o
objetivo de "quebrar os antigos paradigmas e propor novos conceitos" - na
verdade, tais artistas, mesmo antes do surgimento da indústria cultural, já
eram grandes "marketeiros" e dessa forma atraiam atenção para si e suas
obras.
Sinceramente, não acredito na tranformação dos gêneros através destes
"cortes epistemológicos marketeiros",ou seja, trocando em miúdos, concordo
com você, Daniel Brazil, não acredito na destruição do velho para o
surgimento do novo. Acredito sim, que da mesma forma que a casca do ovo tem
que se romper para que surja o pinto, a transformação dos gêneros musicais
sempre irão acontecer na superfície, como, por exemplo, nos choros de
Hermeto Paschoal. Para o observador apressado, o ovo não tem nada a ver com
o pinto, assim como "Bebê", do Hermeto, nada tem a ver com Jacob do
Bandolim. Mas a essência do pinto é comum a do ovo, assim como no seio do
coração de um choro do Hermeto sempre bate um Jacob do Bandolim.
Um abraço,
Carlos Mauro
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