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Nova Mensagem Responder Outros Meses Por Data Por Discussão Por Assunto Por Autor

From: Rafael Ferrari (rafael.ferrari@cdl-poa.com.br)
Date: Qua 10 Out 2001 - 12:34:50 GMT


Olá, meu nome é Rafael Ferrari e aprecio muito o Choro, em especial, toco bandolim e cavaquinho e faço parte de um conjunto, aqui em Porto Alegre, com formação de Choro ( violão de 6 e de 7, cavaquinho, eu no bandolim e pandeiro ) e tocamos Choros, valsas, maxixes, polcas, etc, com arranjos nossos mas sem descaracterizar a maneira tipicamente sentimentalista e alegre ao mesmo tempo, com era feito antigamente. Jacob do Bandolim nos anos 50 já falava na deturpação da Música Brasileira pois dizia que transformar música nossa em música com influências americanas era descaracterização da NOSSA CULTURA e INVOLUÇÃO, ao contrário do que muitos pensavam época.
        Outro dia conversando com oviolonista do nosso conjunto falei sobre isso com ele e entramos numa polêmica. Ele dizia que via a música sem barreiras e que tocar Choros com frases de JAZZ ou com acordes dissonantes como na bossa nova era a evolução natural, que sertanejo em ritmo de pagode era aceitável, etc. Eu discordo em alguns aspectos:

         Se existe música brasileira, seja qual for o estilo, choro, samba, sertanejo, música gauchesca aqui no Sul, frevos, toadas, etc, e de repente começamos a tocar samba como se estivessemos tocando blues, ou choro como se fosse jazz. Acho que é válido como um arranjo eventual ou coisa parecida mas transformar o choro em jazz americano é inadmissível pois estaremos introduzindo a cultura deles e destruindo a nossa. Em todos os lugares do mundo existem museus, bibliotecas, e locais onde estão registrados todos os momentos políticos, culturais, nomes que foram importantes, seja por uma invenção, uma música que marcou, um filme que fez, ou um minuto apenas que tenha sido importante para o história do país ficará registrado para sempre. Quando se chega na Europa por exemplo e se fala em música todos falarão em Mozart, Bach, Bethoven, Paganini, etc, muitos do século passado, retrasado e mais longe ainda, mas foram responsáveis por uma parte da história e contribuíram para os que estão lá hoje e então são reconhecid
os com o devido respeito. Aqui no Brasil, infelismente, o povo tem a cultura que quem é daqui é sempre pior do que quem é de longe. E isso vai desde o seu amigo que mora no seu bairro e vê que você toca muito mas ele diz: Ah o "fulano" mora ali na outra rua, é meu amigo não tem importância." E isso é cada vez maior conforme as proporções, ou seja, a nível nacional "damos" mais valor aos estrangeiros do que para oque é nosso. Gostaria que me respondessem quando é que já viram um armarem um pauco com mais de 30 metros de comprimento, telões, não sei quantos wats de som e etc, para um Joel Nascimento, Henrique Cazes, Cartola, Jovelina, quem é que patrocina turnês dos nossos craques da música, onde é que foram feitas estátuas ou placas ou algum memorial sobre o Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, ou Chiquinha Gonzaga. Se não fosse eles e vários outros com sua paixão pelo Brasil, não haveria música hoje. Se Jacob fosse vivo hoje acho que se mataria de vez com tanta porcaria que tem nomercado e, prin
cipalmente, injustiça, pois todos dão fama, dinheiro pra essa gente toda que não tem valor cultural algum e esquecem aqueles que dão a vida para o estudo da arte e se preoculpam e fazer música de qualidade. Todo mundo baba o ovo de qualquer estrangeiro que venha pra cá dão tudo que pedem, camarins luxuosos, regalias e as vezes até coisas absurdas que ficam lá sem ser usadas enquanto que patrocinio para os daqui viajar é quase zero. Aqui em Porto Alegre, por exemplo, não vem ninguém e temos a maior dificuldade em ver os craque sem suas performances.
        Oque quero dizer não é que não seja válido oque faz o Hamilton de Holanda. Acho demais e as músicas ficam muito bonitas e legais de se escutar, mas é o estilo dele enão do Choro como estilo musical. Não sei se consegui explicar mas é disso que estou falando, deveríamos dar mais velor pro que é nosso para depois oque é dos outros afinal você não deixa de dar comida para seu filho pra dar pro filho de um estranho, mesmo que o seu tenha uma doença ou não seja tão bonito, ou tão esperto, mas ele é seu e é isso que é importante. Somos filhos da nossa cultura, seja musical, teatral, ou qualquer que seja e não podemos deixar que troquem nossas mães por outras que nem conhecemos. Não sou contra fazer um mega show para uma bando estrangeira ou um músico estrangeiro mas sim botar uma ordem nas coisas, que na minha opinião é a seguinte: Primeiro oque é nosso e bom, depois oque for dos outros e bom também e é claro, sempre por último e com menor imprtância para oque é ruim. O problema é que nem sempre oque é maravilhos
o em termos de qualidade é lucrativo no pensamento das gravadoras e mídia, só que isso foi uma maneira fácil que eles acharam de ganhar dinheiro, impurrando oque é ruim e fazendo todos acreditarem que é bom pois é muito mais fácil achar por aí 200 bonde do tigrão ou é o tchan do que um Elton Medeiros, uma Beth Carvalho, um Waldir Azevedo, um Déo Rian, um Marco Pereira e isso só sitando aqui o nosso Samba e Choro, sem falar nos tantos outros esquecidos por aí.
        Acho que a mensagem é esta. Oque Jacob falava e era criticado por burros que não entendiam seu ponto de vista, é exatamente oque aconteceu: deixamos que caísse o nível e descaracterizamos a nossa música. Até dentro da nossa música há este tipo de coisa querem ver. Quando começou a onda de pagod epelo Brasil, grupo de pagode eram grupos que tocavam sambas e hoje muitos são cantores de música romântica, até em espanhol. Isso é pagode? Pagode não é uma reunião de amigos para cantar samba!!! Viram até dentro da nossa música mesmo existe deturpação. Hoje quando se quer fazer um grupinho e ficar famoso logo falam: é um grupo de pagode. Pagode não é um estilo musical e sim um encontro para se tocar samba, assim como um sarau não é um estilo musical é uma reunião para se tocar choro e outros mais, só como exemplo.

        Não sei mais do que ninguém nem quro ser malhor, simplesmente mostrar que estamos enganados no que diz respeito a música, estamos perdidos e achamos tudo isso muito bonito e cada vez mais vamos estragando as raízes. "Estão nos empurrando outra mãe a força e estamos aceitando tranquilamente." Poucos são os que lutam para mudar isto.

        Abraços choristas,

        Rafael Ferrari
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