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Re: Padeirinho da Mangueira

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From: Marcus Fernando (marcusfernando@uol.com.br)
Date: Qui 04 Out 2001 - 22:18:00 GMT


Bruno perguntou:
>
> Descobri também que conheço muito pouco sobre a vida e a obra do
> Padeirinho. Alguém conhece mais sambas gravados desse mangueirense?
>
> Qualquer informação vai acrescentar, pois eu não sei nada sobre ele.

Padeirinho nasceu Osvaldo Vitalino de Oliveira em 1927. Ganhou esse apelido
por ser filho de padeiro. Começou a compor aos 12 anos, época em que cantava
seus sambas nos botequins da Mangueira e saía na bateria da escola. Entrou
pra Ala de Compositores da escola em 1947 quando apresentou o samba
"Mangueira desceu pra cantar". Sua primeira música gravada foi "Mora no
assunto" (parceria com Joaquim dos Santos) num disco de Jamelão no início da
década de 50. Com Joaquim dos Santos fez também "Fofoca no morro" e "Vida de
operário". Foi funcionário do Cais do Porto e da Limpeza Pública do Rio de
Janeiro. Participou do show "O samba pede passagem" no Teatro Opinião no
Rio. Em 1974 gravou como intérprete o samba "A mais querida" e o
samba-enredo "O grande presidente" (ambos de sua autoria), para o selo
Marcus Pereira, no LP "História das escolas de samba: Mangueira". Seus
sambas tem um estilo sincopado e Padeirinho foi um grande partideiro.

Além de "Favela" (parceria com Jorge Pessanha) e "Linguagem de Morro" (com
Ferreira dos Santos), "Como será o ano 2000?" é um samba bastante conhecido
que foi gravado por João Nogueira em "Bem Transado" (BMG/1983) (que sai em
CD este mês) e por Nara Leão em "Meu Samba Encabulado".

Além da gravação de Jards Macalé em "O Q Faço é Música" (Atração/1998),
"Favela" está também no LP "Manhã de Liberdade", de Nara Leão e "Resistindo"
do Quarteto em Cy. "Linguagem do Morro" foi registrado por João Nogueira
("Boca do Povo", na caixa da Universal), Beth Carvalho ("Brasileira da
Gema") e Jamelão (em CD na caixa "A Voz do Samba", Continental).

Germano Mathias gravou vários sambas de Padeirinho: "Zé da Pinga", "Conselho
de Coroa", "Não é da Bahia" (com Jorge Costa), "Doutor no Samba", "Terreiro
em Itacuruçá" e "Vou ficar devagar" (com Nelson Pechincha). Ele também
gravou "A situação do Escurinho" duas vezes: em seu disco de 1957 e no disco
que diviviu com Gilberto Gil, "Antologia do Samba-Choro".

Paulinho da Viola gravou "Cavaco emprestado" em seu disco de 75 (EMI) e no
ano seguinte Emilio Santiago também gravou. Leci Brandão gravou "A Mais
Querida" em "No Tom da Mangueira" (Saci/1991) que ela já havia gravado em
seu disco de 75 pela Marcus Pereira. Elza Soares gravou o samba-enredo "Rio
carnaval dos carnavais" (com Moacir da Silva e Nilton Russo) em "Elza Pede
Passagem" (Odeon/1972). Jorginho do Império gravou "Esta Saudade" (com
Jorginho Peçanha). Mestre Marçal gravou "Andarilho" e "A Nova Mangueira".
Clementina de Jesus canta "Me dá o meu boné" em "Marinheiro Só"
(Odeon/1973). Jorge Aragão registrou "Cavaco" em "Sambaí" (Indie/1998). Beth
Carvalho em "Na Fonte" gravou "Salve a Mangueira" (em CD pela BMG). Zezé
Motta gravou "Atividade" em "Negritude" (1979) que sai este mês em CD pela
Warner. Candeia gravou "Já curei minha dor" em "Luz da Inspiração",
disponível na coletânea "e-collection" (Warner). Xangô da Mangueira gravou
"Zé Cansado". A Velha Guarda da Mangueira gravou "Amargura" em "A Mangueira
Chegou", lançado recentemente em CD pela Nikita, que também traz "Partido
Alto de Padeirinho".

No disco do show "O Samba Pede Passagem" (Polydor/1966), que tem como
intérpretes Aracy de Almeida e Ismael Silva, Padeirinho participa na faixa
"Vem Chegando Ismael", com Bide, Zagaia e Leléo.

O samba-enredo da Mangueira de 1956 "O Grande Presidente" foi gravado por
Beth Carvalho no LP de mesmo nome em homenagem a Getúlio Vargas lançado na
campanha de Brizola em 1989. Também foi gravado também por Jamelão (também
na caixa "A Voz do Samba"), Mestre Marçal ("Sambas-Enredo de Todos os
Tempos", Velas) e Martinho da Vila ("Samba Enredo", RCA)

Em "Mangueira - Sambas de Terreiro e Outros Sambas" Padeirinho canta
"Decepção de um autor", "O remorso me persegue" (que Moacyr Luz gravou em
"Na Galeria", que acaba de ser lançado pela Lua Discos) e "Modificado". No m
esmo disco Tantinho canta "Terreiro em Itacuruçá".

Em 1987 estava prevista a gravação de seu primeiro disco. Neste ano veio a
falecer Mida, sua companheira por mais de 40 anos. Padeirinho morreu dois
meses depois.

Abraços,

Marcus Fernando
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