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Trio Mocotó

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From: wpavan (wpavan@uol.com.br)
Date: Qua 03 Out 2001 - 12:37:59 GMT


Trio Mocotó subverte eletrônica a seu favor
Precursor do samba-rock, grupo criado nos anos 60 dialoga com o novo e
mostra, na Choperia do Sesc Pompéia, que sabe utilizar bem a tecnologia da
música popular eletrônica

Cláudio Elisabetsky/Divulgação
Trio Mocotó: samba-rock elogiado pelo 'Pasquim'

JANAINA ROCHA

O samba-rock de Fritz Escovão, João Parahyba e Nereu Gargalo, o Trio Mocotó,
de fato, sustenta a retomada do gênero, criado no fim dos anos 60, sob a
vigilância esquizofrênica do regime militar e dos olhares dos patrulheiros
da MPB engajada. Em pleno vigor criativo, o conjunto, formado na famosa
boate Jogral (na cidade), em 1968, apresenta-se hoje na Choperia do Sesc
Pompéia.

Desde o princípio, o samba-rock é música impura. Isso não é demérito. Por
meio da visão de Jorge Ben, do trio, de César Camargo Mariano, Wilson
Simonal, Tim Maia, Roberto e Erasmo e outros, o samba foi relido - nem
melhorado nem piorado. Ganhou, na ocasião, o frescor do jazz, do blues e do
soul norte-americano, através das suas harmonias e letras ingênuas, sem
conteúdo contestatório. A mistura, que teve outros ingredientes autorais e
particulares, resultou numa música atraente e suingada, nomeada de
samba-rock.

Hoje, samba-rock é tendência musical no País. "Parece que ele se encaixou
direitinho nos desejos da nova geração, que trabalha com grooves, que tem
uma preocupação maior com a música do que com a palavra", analisa Parahyba,
referindo-se à talentosa geração de DJs, como Patife, Dolores e Max de
Castro. "O samba-rock foi resgatado e projetado na mídia, mas nunca deixou
de existir; e manteve-se recluso e criativo nos subúrbios, justamente porque
sempre esteve nesses locais, sempre foi música de aceitação e de consumo nas
periferias. Hoje, encontra espaço no meio universitário, justamente por não
sofrer mais preconceito. Acho que isso é um grande passo de conscientização
política: não ter preconceito." João Parahyba conta que o Pasquim foi um dos
poucos veículos de comunicação a valorizar o samba-rock, especialmente, o do
Trio Mocotó.

Entretanto, o samba-rock também é modismo. O interessante é que ele está
sendo bancado por vias alternativas, como os selos independentes. E o trio,
certamente, não está entre os grupos que logo mais desaparecerão. Não só
porque ele é composto por excelentes instrumentistas, mas também porque
esses sabem dialogar com o novo, no caso, algo da tecnologia da música
popular eletrônica. No novo disco, lançado recentemente pelos selo YB e Net
Records (inovador no mercado fonográfico por distribuir CDs em bancas de
jornais), Samba Rock, o conjunto utilizou esses efeitos, subvertendo a
eletrônica a seu favor. O show ainda não usa essa instrumentação, porque,
segundo Parahyba, o trio é muito perfeccionista e acredita não estar com
essa novidade no ponto certo para o palco.

O trio também tem antenas para o rap e no roteiro do show e do disco inclui
a participação despretensiosa do MC Max B.O, do grupo Academia Brasileira de
Rimas, fazendo um freestyle na música Kibe Kru.

João Parahyba informa que o espetáculo de hoje vai dar atenção especial aos
clássicos do grupo, como Palomares, Aleluia, Aleluia e Não Adianta. O show
será também o primeiro momento em que o videoclipe do trio, dirigido por
Mauro Lima, será exibido em público.

No palco, Fritz toca violão, cuíca e faz a voz principal, Nereu Gargalo
suinga com o pandeiro (e também canta) e João Parahyba marca o ritmo com
toda a percussão (e também canta). O trio será acompanhado pelos músicos
Luiz Dumont (guitarra), Roberto Lazzarini (teclados), Gilberto Pinto
(baixo), Alcides Oliveira (percussão), Cláudio Zicciato (bateria), Paulo
Oliveira (sax), Carlos Alberto (sax tenor), Jericó (trompete) e as
vocalistas Vera Lúcia de Menezes e Juliana Lourenço
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