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Parceria inusitada: Fausto Nilo & Carlos Paredes

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From: Alan Romero (alanromero@mail.telepac.pt)
Date: Qui 27 Set 2001 - 07:20:34 GMT


Grande Fausto

Rapaz, vc bateu na porta certa. Eu sou fã de carteirinha do Carlos Paredes,
tenho todos os discos dele, em CD e LP, video e até a biografia recentemente
publicada!
Essa música 'Arcos de Almedina' tem uma das mais lindas melodias de seu
último trabalho 'Canção Para Titi - Os Inéditos, 1993', mas só lançado em
dezembro passado.
Falar o quê da tua letra? Coloquei o disco e cantei junto. Casamento
perfeito! Fiquei emocionado, sinceramente. Já fiquei imaginando na voz da
Teresa Salgueiro...
Seguinte, fico muito honrado em intermediar essa aproximação. Já que vc está
meio tímido, vou mexer os pausinhos e falar com a Luísa Amaro, a companheira
do Paredes. Foi a violonista que o acompanhou nos últimos anos de atividade,
e é certamente quem pode dar a orientação mais adequada. Na minha opinião, é
impossível que ela não fique emocionada! Mas, claro, melhor esperar que a
própria se manifeste. Aguarde notícias brevemente.
Infelizmente, hoje com 76 anos, o grande guitarrista se encontra num estado
de saúde muito precário, sofrendo de uma mielopatia crônica. Lembra muito a
situação da nossa querida Rosinha de Valença já que, segundo dizem, por
vezes ele está consciente. Esse último disco, de 93, ele gravou lutando
contra a desobediência do corpo. E de lá para cá, sua situação só se
agravou, ficando totalmente imobilizado. Por isso o disco ficou inacabado,
com apenas 19 minutos (de pura beleza!).
É pena. Portugal perde desta forma um de seus maiores músicos, que criou a
própria linguagem na guitarra portuguesa, e (e)levando-a para as salas de
concerto do mundo. Seu tema mais conhecido é a Canção Verdes Anos, composta
para o filme de Paulo Rocha, que inaugurou o chamado Cinema Novo português.
Aliás, existe um belo arranjo desta música para quarteto de cordas feito
pelo compositor argentino Osvaldo Golijov, e gravada pelo Kronos Quartet.
Sensacional.
Com sua guitarra, ele foi um lutador engajado na contestação do regime
salazarista, juntamente com o Zeca Afonso e toda aquela geração musical dos
anos 70. E apesar de seu sucesso pelo mundo, o homem ficou também conhecido
por sua extrema modéstia. Não se considerava um músico profissional, tendo
trabalhado sempre como funcionário público, arquivando radiografias num
hospital. Nisso ele faz lembrar o nosso Drummond.
Dê-me só uns dias para agitar toda a história. E aguarde notícias em pvt.
Abração

Alan Romero
Lisboa, Portugal

----- Original Message -----
From: Fausto Nilo
No outro dia, em minha casa
> no Brasil, uma manhã ensolarada me provocou uma escrita quase automática
de uma
> letra sobre sua peça intitulada "Arco de Almedina".O texto cria situações
de
> trocas afetivas e culturais sobre nós e essas raizes queridas, pelo menos
para
> mim. Inspirada nas histórias portuguesas de trovadores eu dei o nome de "
Canção
> de Amigo". Essa letra ficou guardada por muito tempo e agora que pretendo
gravar
> um disco com inéditas me deu uma grande vontade de pedir ao mestre uma
> autorização para esta parceria. Você que vive em Portugal poderia me
escrever
> dizendo como pode ser vista essa iniciativa, uma vez que não conheço o
> personagem e seu temperamento. Uma vez vi a contra capa de um disco
português em
> que Alain Oulman, ao escrever diz que Carlos Paredes é o homem sem
parceiros e
> isso me deu grande timidez em abordá-lo.
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