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Re: Calma aê !!!

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From: Alan Romero (alanromero@mail.telepac.pt)
Date: Qua 26 Set 2001 - 23:20:02 GMT


Grande Fausto Nilo
É um prazer vê-lo por aqui. Bem vindo a este espaço pra lá de democrático.
De vez em quando quebra um pau danado, mas é tutti buona gente. E no meio
do tiroteio, a gente vai aprendendo muita coisa sobre samba e choro, além de
um amplo et cetera ofitópique, que vai da política à antropologia, passando
por abobrinhas diversas mas que dão o tão necessário toque humano. Ninguém é
de ferro, e essa coisa de virtualidade precisa mesmo de uma dose de emoção,
senão fica um saco.
Essa questão da letra em choro nunca foi mesmo pacífica, e a divisão das
opiniões é inevitável. Quem gosta de música instrumental (como eu!) fica
sempre desconfiado quando ouve falar de letra num tema a que já estávamos
acostumados a curtir na versão original. Lembro que foi assim quando ouvi
falar que vc tinha criado uma letra para o Baião Cigano, do Nonato Luiz. A
cisma desapareceu assim que ouvi a música cantada pelo Fagner (rebatizada
como Baião da Rua). E a minha opinião não estava isolada, tanto que a música
acabou ganhando um prêmio Sharp.
Foi assim também com a letra do Vinicius para Odeon (cantada pela Nara) e
com a Gente Humilde (do Garoto, com letra do Chico e Vinícius). Acabei me
acostumando e gostando, apesar de continuar preferindo as versões
intrumentais. Mas é inegável que essas versões cantadas contribuíram para,
senão popularizar, pelo menos tornar o nome de seus compositores mais
conhecido numa faixa maior de público.
Lembrei de um exemplo paralelo, só que num meio ainda mais purista que o
choro, que é o da música dita clássica. Quando o Richard Anthony apareceu
cantando Aranjuez Mon Amour, muita gente torceu o nariz como se fosse um
sacrilégio. Mas a melô foi um tremendo sucesso e contribuiu para popularizar
o Concerto de Aranjuez (de Joaquín Rodrigo) em todo o mundo, chegando até a
alavancar as vendas das versões orquestrais disponíveis na época.
Enfim, tudo para dizer que acho válido, desde que o letrista esteja à altura
da obra, o que é claramente o teu caso com a severina Espinha de Bacalhau.
Se a interpretação poderia ser melhor, aí já é outra história, né? Gostaria
de saber de outros desafios semelhantes que você tenha encarado, conta pra
nós!
Abração
Alan Romero
Lisboa, Portugal

From: Fausto Nilo
> Viva o samba, a democracia,o choro, o direito de letrar músicas e o de
> criticá-las e abaixo o preconceito.
>
> FN
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