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'Todas' - Jorge Aragão |
From: Waldemar Pavan (wpavan@uol.com.br)
Date: Seg 10 Set 2001 - 22:33:32 GMT
"Todas" de Jorge Aragão já chega com sucesso
São Paulo - As cifras chamam a atenção: o 14.º disco da carreira de Jorge
Aragão, Todas (Indie Records), sai com uma vendagem inicial de 250 mil
discos. O seu trabalho anterior, Ao Vivo, Volume 2, passou de 750 mil.
"Estou vivendo o sucesso, mas não quer dizer que a minha verdade se anulou.
Vejo o sucesso como se eu estivesse sentado na cadeira de alguém, como algo
que pode ser transitório. Num outro dia vem outro e passo essa cadeirinha
adiante, volto para o meu lugar sem nenhum problema", afirma o compositor,
que é um dos sambistas de grande destaque no momento, tanto pela qualidade
de sua música quanto por sua popularidade.
Essas cifras chamam a atenção por dois fatos: Jorge Aragão não é o
estereótipo de sambista (seja o do bamba antigo ou dos jovens pagodeiros)
nem tão pouco é uma cria do mercado, muito pelo contrário; mas também não o
nega. "No novo disco, começar com um samba romântico foi um critério da
gravadora. Mas a maneira de fazer o disco foi toda minha. Quando comecei a
gravá-lo foi com uma música bem pra cima", conta ele. "Porém, essa leitura
romântica de samba é o que há de mais verdadeiro no meu trabalho, é o perfil
de samba que gosto de escrever. Não quero dizer que esse seja o certo, ou
errado, também não quero dizer que estou fazendo samba de raiz e que ele é a
maneira certa", completa. "Nunca fui estereótipo. Se não bebo, é só porque
não bebo, não é pra falar que sou bom moço. Por isso, acho esquisito dar
entrevista, aparecer na TV: o meu enredo não tem graça, não é interessante.
Mas vou, não vejo problema. Vou com a minha música, o escudo e a única coisa
que tenho para mostrar."
A naturalidade de Jorge Aragão é evidente. Ele não dá respostas comedidas.
"Gravar dois discos ao vivo, um seguido do outro, foi critério da gravadora.
Eles perceberam que o momento era propício. Eu não. Por mim, nunca iria
gravar disco ao vivo, eu não tinha motivação. Mas eu tinha uma idéia errada,
achava que era só uma questão de acomodação. Depois, entendi que há um
perfil de consumidor que quer ter um disco como se estivesse no show
cantando. Acho que errei nessa primeira idéia", diz. "Por outro lado, ao
gravar dois discos ao vivo, percebi que não devo ficar muito longe de ter
uma música inédita na praça. Tudo isso que o povo vem cantando, hoje, são
músicas que eram desconhecidas. Demorou para chegar a esse ponto, de ser
reconhecido. Isso foi através do disco ao vivo, ele deu essa reviravolta."
Em Todas é evidente a experiência e a habilidade do sambista. O repertório é
quase todo inédito. "Gosto de fazer um samba com uma sonoridade limpa,
senão, com todos os detalhes do samba, com todos os seus instrumentos
percussivos, é perigoso ele sair com uma cara embolada." Cada composição tem
uma arregimentação específica. Há somente uma participação especial: a sua
prima Sandra Menezes. "Eu não a conhecia, mas gostei muito de tê-la colocado
nesse trabalho, pois tem uma outra forma de cantar, diferente do samba."
Além do seu disco, Jorge Aragão é um compositor bastante requisitado.
"Sempre e em qualquer situação, o trabalho de compositor está na frente. É a
essência de tudo. Vou querer me aposentar de cantar, mas não de escrever",
informa.
Janaina Rocha, para O Estado de São Paulo
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