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Re: Violonistas (era Altamiro Carrilho)

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From: Alexandre Balistrieri (bali@sir.inpe.br)
Date: Qui 06 Set 2001 - 12:10:04 GMT


Oi Carlos e demais.

Mesmo achando q vc já disse quase tudo, como o assunto me interessa já q sou
violonista, coloco mais alguns comentários. Eu tenho essa gravação do Rafael
Rabello tocando Desvairada junto com O Radamés Gnatalli no piano c/ os dois se
revezando no solo. Realmente o andamento é uma loucura e tbm acho q não fica tão
bonito se bem q não escutei em outros andamentos um pouco mais lentos a não ser
eu mesmo me ouvindo. Toco essa música com o metronomo em 180 ou 190 no máximo e
a partitura q tenho, c/ digitação do Belinati q acabei alterando pq achei muita
"aranha" em partes q não precisariam dificultando a execução, tem o andamento em
200. Eu prefiro em 180. Sinto melhor a música nesse andamento. No livro q tenho
do Belinati ele diz q o Garoto compos essa música como um desafio a Jacob do
Bandolim e portanto o andamento deve ser bem rápido mesmo. Gostaria de ouvir a
gravação de Desvairada c/ o Belinati mas infelizmente não tenho, ou então o
proprio garoto tocando no bandolim tbm (parece q gravou) ou c/ o Jacob.

Carlos Roberto Castelli wrote:

> Paulo Sà,
>
> Sua observação sobre o Rafael é muito pertinente, embora injusta. Ele ainda
> não tinha formado um estilo de tocar seu seu violão, embora fosse um
> espetacular instrumentista. No começo da carreira, quando tocava seu violão
> solo mais simples e acompanhava choros no sete cordas, ele era magnífico.
> Depois que passou pelo flamenco, perdeu um pouco o rumo da carreira, passou
> a tocar uma coisas ininteligíveis. Me recordo de uma das gravações do Rafael
> do choro "Desvairada", do Garoto, em que ele toca na incrível velocidade de
> 220 (no metrônomo), o que evidentemente distorceu a música (já vi o Yamandú
> tocar, e me parece que ele toca isso tão ou mais rápido que o Rafael). Não
> fica bonito. Mas digo que é injusto porque o Rafael com certeza iria
> encontrar o seu estilo e tornar-se um dos maiores violonistas brasileiros de
> fato. Não acho que o Yamandú seja seguidor do Rafael, ele nem é um sete
> cordas de verdade, toca muito diferente do Rafael. Yamandú tem um som "sujo"
> e muito mais percussivo, usa pouco os baixos, e também é mais veloz. A um
> certo momento, alguém vai ter que lhe dizer p'ra "segurar a mão", porque a
> maioria das músicas não se presta a uma exibição exclusiva de velocidade. Vi
> o Yamandú tocar algumas músicas tradicionais, como por exemplo, "Conversa de
> Botequim". Para mostar virtuosismo, encheu a músicas de notas, arpejos,
> acordes, improvisos, e o resultado é uma versão descaracterizada e pífia do
> original (isso é mais ou menos o que o Rafael andou fazendo, ao menos nisso
> eles se parecem). O Yamandú irá encontrar um estilo mais "limpo", mais cedo
> ou mais tarde, até mesmo pela maturidade que irá adquirir (mas espero que
> não se deixe seduzir pelo flamenco também).
>
> Carlos Castelli, Rio de Janeiro

--
[]s, Bali
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                    Alexandre Balistrieri - Analista de Suporte
  Instituto Nac. de Pesq. Espaciais - SJCampos-SP - Brasil
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