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Re: Altamiro Carrilho |
From: Paulo Sergio (pspsp@abordo.com.br)
Date: Ter 04 Set 2001 - 23:18:53 GMT
Olá a todos, principalmente Gangaz, Eduardo Pimenta, Alexandre e Bisdré:
assim realmente vale a pena participar da tribuna (sem off topics! pô).
Com relação ao choro X jazz, a discussão é bastante atraente porque tratamos
de duas formas musicais completamente distintas: uma européia, derivada de
polcas, mazurkas etc e a outra tendo profundas raízes africanas, portanto,
podemos dizer que uma privilegia a melodia (o choro) e a outra o rítmo. Vou
transcrever o que escreveu o H B de Carvalho num disco magnífico do Jacob,
lançado pela RCA, em 1971, chamado "Os Saraus do Jacob" (será que saiu em
cd? é fantástico, foi gravado de forma rústica na casa do Jacob, em
Jacarepaguá, e conta com a participação do Paulo Tapajós), diz o Hermínio:
"Choro tem muita coisa de jazz. Altamente estimulante, é um gênero que exige
um tremendo swing de quem o executa, um senso de improvisação bastante
incomum. Se no jazz essa improvisação é coletiva, no caso de Jacob se passa
algo que em nada diminui seus músicos: sua terrível personalidade fazia com
que ele conduzisse todos os climas, todas as tramas harmônicas e melódicas
que se sucediam aos jorros quando ele improvisava." Percebem a desculpa do
produtor " que em nada diminui os seus músicos", por que? Porque
absolutamente ninguém se lembra que o violão era do Benedito César e o
pandeiro era do mestre Rigaud, somente Jacob brilhou e ficou para a
história. Este é meu ponto de vista em relação a este assunto, ressaltando
que gosto de jazz, mas amo o choro.
Quanto ao outro assunto (violão) a discussão é estéril, entretanto para
"apimentar" mais um pouco lá vai: citar Marco Pereira e Paulo Belinatti (com
todo o respeito que ambos merecem) como grandes violonistas brasileiros é,
no mínimo, não ter escutado, jamais, Neco, João Gilberto, Waltel Branco ou
Geraldo Vespar, para citar alguns. Estamos falando de músicos de samba e
choro, se o camarada faz escalas velocíssimas, se faz arpejos, se estudou
música em universidade americana, então amigos, não está mais aqui quem
falou.
Abraços
Paulo Sá Pereira
"Paulo , sua opnião foi muito bem colocada.
Muitos dos músicos contemporâneos que se apropriaram do choro, mudaram sua
estrutura e impulseram outra cultura, carecem de algo extremamente
importante IDENTIDADE...
O choro agoniza...
gangaz
> ----- Mensagem original -----
> De: Paulo Sergio [SMTP:pspsp@abordo.com.br]
>
> Quanto ao que disse o Mestre Altamiro, sem citar nomes, creio que se
> referiu
> ao que faz o Armandinho Macedo ou ao "virtuose" Hamilton Holanda citado
> pelo
> repórter. Armandinho tem formação roqueira, vem do Jimi Hendrix a sua
> "pegada", e nunca será um músico de choro. O Brasil está carente de bons
> violonistas porque enquanto tivermos seguidores de Rafael Rabello (ih!!
> mexi
> num vespeiro danado), como Yamandu Costa e quetais, não evoluiremos. O
> Rafael (que Deus o tenha! estamos apenas falando de musica)no final de sua
> curta permanência entre nós, já não sabia se tocava como o Paco de Lucia,
> quando a sua vontade sempre foi a de tocar como o Mestre Dino.
>
> Não quero criar mais polêmicas do que as, creio, já citadas.
>
> Abraços
> Paulo Sá Pereira
>
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