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Re: Altamiro Carrilho

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From: Eduardo Pimenta (epimafre@yahoo.com)
Date: Ter 04 Set 2001 - 15:03:20 GMT


Paulo Sergio batucou assim no teclado:
> Carlos Mauro tascou:
>
> > "1) Se encaramos o choro como uma linguagem
musical
> > e não como um gênero, na
> > minha opinião, o jazz é muito mais expansivo e,
> > conseqüentemente, livre em
> > comparação ao choro.
> >
> Prezado Carlos, me desculpe mas discordo. Creio que
> neste ponto a observação
> é justamente a inversa, ou seja, o músico de choro é
> muito mais
> individualista que o músico de jazz. Quem dá "altos
> voos" senão o solista?

    Aí eu concordo com o Carlos e discordo de ti,
Paulo. Veja este trecho da entrevista do Álvaro
Carrilho, irmão do Altamiro, na rádio MEC, que o
Alexandre Dias transcreveu n'O Malho:

---------
*É, eu acho. E todos os gêneros, com exceção da música

erudita, claro, que requer aqueles detalhes, que eles
exigem. Mas fora isso não, eu acho que sai muito
espontâneo quando você faz sem medir, sem pegar a fita

métrica "tem que ser meio centímetro aqui". Não... tem

que ser o que sai na hora, é a roda de choro, famosa
roda de choro.

-E isso eu até comentei em Cordeiro com as crianças da

banda de lá, que tocam choro, que "ó, quando vocês
tiverem tocando na banda, olha a partitura, tem que
fazer certinho, porque tem muitos tocando a mesma
coisa. Agora, na hora do choro, fica à vontade. Pega,
toca o que você sentir, porque o choro é isso." E foi
o que aconteceu com a nossa gravação nesse dia. Não
tem nada, não combinamos nada. Um olhava pro outro e
vai!
---------

    Ou seja, numa clássica formação de jazz trio,
piano-contrabaixo-bateria, o que acontece com maior
freqüência é um solo/improviso de cada um
separadamente. Já no choro, com bandolim-violão-
pandeiro, todo mundo obedece às mesmas regras durante
toda a música, e até noimproviso, se tiver. Mesmo
com um sopro no meio, se ele começar a viajar num
improviso numa terceira parte, vão dizer que o
que ele está fazendo é jazz, e não choro.

> Quanto ao que disse o Mestre Altamiro, sem citar
> nomes, creio que se referiu
> ao que faz o Armandinho Macedo ou ao "virtuose"
> Hamilton Holanda citado pelo
> repórter.

   Armandinho é visitante no choro mesmo, apesar de
parecer o contrário. Já o Hamilton, não sei, não
tenho nenhuma gravação, mas assisti a uma apresentação
do Dois de Ouro uma vez, e ele agiu como um astro do
rock mesmo, talvez por estar tocando num shopping.
Preciso ouvir mais pra criar uma opinião.

> O Brasil está carente de bons
> violonistas porque enquanto tivermos seguidores de
> Rafael Rabello (ih!! mexi num vespeiro danado),
> como Yamandu Costa e quetais, não evoluiremos.

    A gente tem sim bons violonistas, a morte
prematura do Rafael e a talvez nem tão prematura do
Baden devem ter feito muita gente achar que o legado
deles deve ser seguido. Mas o caminho realmente é
outro, criar o próprio estilo é passo necessário
para qualquer artista. Só que esse passo é um dos
últimos, esta afirmação só acontece depois de dominar
muito a técnica de forma mais ou menos padrão, até
acadêmica.

         'Bração do Pimenta.

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