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Re: Altamiro Carrilho

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From: Paulo Sergio (pspsp@abordo.com.br)
Date: Seg 03 Set 2001 - 22:09:02 GMT


Carlos Mauro tascou:

"1) Se encaramos o choro como uma linguagem musical e não como um gênero, na
minha opinião, o jazz é muito mais expansivo e, conseqüentemente, livre em
comparação ao choro. Uma das razões para isso é que a estrutura harmônica do
jazz é derivada do blues, e, não raro, é modal, enquanto o choro é
tradicionalmente tonal, mais próximo da música européia - a melodia do choro
é mais presa ao centro tonal. Há outras razões menos técnicas, e que dizem
respeito principalmente à improvisação dos músicos. No jazz, eles costumam
se utilizar da melodia da composição apenas como origem para um vôo
expansivo em que têm oportunidade de apresentar várias idéias rítmicas e
harmônicas, até mesmo tímbricas, se afastando cada vez mais de sua origem, o
tema principal. É uma trajetória, ouso afirmar, bem mais individualista do
que a atitude mais adequada a ser tomada por um músico executando um choro.
Ao invés, espera-se dele um sentido mais coletivista durante seus
improvisos, que, ao criar suas variações, estabeleça um namoro constante e
permanente com a melodia original e uma conversação atenta e instigante com
os seus companheiros músicos."

Prezado Carlos, me desculpe mas discordo. Creio que neste ponto a observação
é justamente a inversa, ou seja, o músico de choro é muito mais
individualista que o músico de jazz. Quem dá "altos voos" senão o solista?
Pegue um clarinetista e todos os belos temas que lhe venham a cabeça agora,
para facilitar, "Saxofone Porque Choras?", do Ratinho, por exemplo, quem vai
ficar "para a história" é o solista, porque os outros estão ali apenas para
acompanhá-lo, e vão ficar a noite inteira fazendo isto. É o que penso, sem
ser um "chorão", naturalmente. No jazz, não vou me alongar, ocorre o
contrário.

Quanto ao que disse o Mestre Altamiro, sem citar nomes, creio que se referiu
ao que faz o Armandinho Macedo ou ao "virtuose" Hamilton Holanda citado pelo
repórter. Armandinho tem formação roqueira, vem do Jimi Hendrix a sua
"pegada", e nunca será um músico de choro. O Brasil está carente de bons
violonistas porque enquanto tivermos seguidores de Rafael Rabello (ih!! mexi
num vespeiro danado), como Yamandu Costa e quetais, não evoluiremos. O
Rafael (que Deus o tenha! estamos apenas falando de musica)no final de sua
curta permanência entre nós, já não sabia se tocava como o Paco de Lucia,
quando a sua vontade sempre foi a de tocar como o Mestre Dino.

Não quero criar mais polêmicas do que as, creio, já citadas.

Abraços
Paulo Sá Pereira
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