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Re: Altamiro Carrilho

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From: Eduardo Pimenta (epimafre@yahoo.com)
Date: Seg 03 Set 2001 - 18:28:36 GMT


Paulo Sergio batucou assim no teclado:
> Entrevista do mestre ao Diário do Nordeste, por
> favor prestem atenção ao que
> ele diz no final da entrevista!
>
>
http://www.diariodonordeste.com.br/2001/08/31/030001.htm
>
> Abraços
> Paulo Sá Pereira
>

    Valeu, Paulo. Acho que o povo ficou com preguiça
de dar um clik ou tiveram problemas de rede (pra
mim o diariodonordeste demora uma vida pra aparecer
na tela), então lá vai o trecho em questão:

-------------
     - No Brasil, existem nomes como o de Luciana
Rabelo, Maurício Carrilho e Zé da Velha & Silvério
Pontes - que nem são tão novidades assim - e mesmo o
do virtuose brasiliense Hamilton de Holanda, que levam
adiante a tradição do choro no país. Que tipo de
evolução você acha que o chorinho sofreu com essas
novas gerações e como você vê esse processo de
renovação?

     Altamiro - Eu não vejo com muitos bons olhos,
essa renovação assim drástica. Acho que tudo deve ser
naturalmente, caminhar naturalmente, sem forçar.
Alguns grupos estão forçando um pouco o choro para o
lado do jazz, quando não tem nada a ver uma coisa com
a outra. Como eu disse, o choro é música camerística,
para você sentar em silêncio e ouvir, nem é para
dançar, pode-se até dançar, mas nem foi pensada em se
tocar para dançar. Mas de qualquer forma é válido o
que eles estão fazendo. Só que alguns deles estão
exagerando um pouquinho. É preciso não perder aquela
característica principal, aquele sabor bem brasileiro.
Se você mistura frases muito complicadas no choro, ele
passa a não ser choro, ele passa a ser rock, jazz,
qualquer coisa. As improvisações, as variações têm que
ser muito bem feitas. É por aí. Eu acho válido, mas ao
mesmo tempo peço que eles não exagerem para conservar
a essência do gênero.

---------------

    Bom, ele acha que a mistura de choro com jazz não
dá samba, com o perdão do trocadilho. Ao mesmo tempo
tem uma visão camerística que pode afundar o choro na
falta de popularidade (ainda que a visão do Jacob
do Bandolim, nas palavras do filho Sérgio, faça o
maior sentido: "O estado de contrição diante de um
choro lá em casa é muito exigido". Enfim, achei que
esta declaração do Altamiro valia aparecer por aqui.

              'Bração do Pimenta.

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