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O samba combatendo o racismo

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From: Sonia Palhares Marinho (soniapalhares@hotmail.com)
Date: Seg 03 Set 2001 - 18:21:46 GMT


Amigos da Tribuna S&C:

À propósito da Conferência Mundial Sobre Racismo, Xenofobia e Intolerância
Correlata, que acontece de 31/08 à 07/09, em Durban, África do Sul, lembrei
de uma história que o Billy Blanco contou no show dele 6ª feira, no Feitiço
Mineiro aqui em Brasília. Fomos eu (Sonia), Luli e Adalberto.

Conta o Billy Blanco que por volta de meados dos anos 50, no auge do Beco
das Garrafas em Copacabana, Dolores Duran cantava numa daquelas boates...
Tinha um cara que sempre ia aos shows da Dolores porque gostava muito da voz
dela, porém odiava negro ou afro-descendente - que era o caso da Dolores
Duran -. O cara ia ao show toda noite, sentava-se na primeira fileira de
mesas, mas sempre de costas para o palco. Não dirigia um única palavra a ela
porque não falava com negros. Sequer a olhava!

Quando queria pedir uma música, dirigia-se ao garçon - Alberico Campana,
hoje dono da Plataforma no Rio de Janeiro - e dizia, acenando com um
bilhetinho na mão: "Manda a neguinha cantar essa música aqui!"

Todo final da noite, pelo fato de ser solteiro, o tal sujeito sempre
comprava o jantar e levava para casa, como não carregava embrulhos - que
segundo ele era serviço de negro - pedia ao garçon que levasse até o seu
automóvel.

Dolores, profissonal e pacientemente atendia os pedidos do "animal". Nessa
época, ela e Billy Blanco - segundo ele - mantinham um "affair".

Um dia, muito aborrecida com a grossura do sujeitinho, Dolores contou a
história ao Billy que, imediatamente compôs o samba "A BANCA DO DISTINTO"

"Não fala com pobre
Não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Prá quê tanta pose, doutor
Prá quê esse orgulho
A bruxa que é cega
Que carrega a gente
E a vida estanca
O infarto lhe pega, doutor
E acaba essa banca

A vaidade é assim
Põe o homem no alto
E retira a escada
Mas fica por perto
Esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde
Ele acaba no chão

Mais alto o coqueiro
Maior é o tombo do côco
Afinal, tomo mundo é igual
Quando o tombo termina
Com terra por cima
E na horizontal

E aí..., na noite seguinte a Dolores cantou o samba prá ele...

Fico pensando que, uma mensagem dessa tem mais força que mil discursos.

E aí..., quem lembra de outros sambas sobre o tema!?

Lembro de PRECONCEITO, lindamente regravada pelo Paulinho da Viola - não sei
se de Geraldo Pereira ou se de Wilson Batista, algum tribunauta me socorra
-, que diz assim:

Eu nasci num clima quente
Você diz a toda gente
Que eu sou moreno demais

Não maltrate o seu pretinho
Que lhe tem tanto carinho
E no fundo é um bom rapaz

Você vem de um palacete
Eu nasci num barracão
Sapo namorando a lua
Numa noite de verão

Eu vou cantar serenata
Eu cantar minha dor
Meu samba vai e diz à ela
Que coração não tem cor

Alguém se habilita!?

Beijos. Sonia Palhares (BsB-DF)

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