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Dois de Ouro em Campinas (achei que era só o Hamilton) |
From: Eduardo Pimenta (epimafre@yahoo.com)
Date: Qua 18 Abr 2001 - 13:39:49 GMT
E eu achando que era só o Hamilton que
vinha... é o Dois de Ouro inteiro! Agora mesmo
é que não tem como eu não aparecer por lá.
Segue a matéria com entrevista, no Correio
Popular (jornal de Campinas) de hoje.
'Bração do Pimenta.
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O velho/novo choro
O virtuosismo do bandolinista Hamilton de Holanda
pode ser conferido hoje na primeira edição do ano
do projeto Palco Iguatemi – e com entrada franca
Ana Ligia Scachetti, do Correio Popular
Os 25 anos de idade de Hamilton de Holanda podem
esconder a importância que ele representa para o choro
nacional. Bandolinista nascido no Rio de Janeiro e
criado em Brasília, ele formou o duo Dois de Ouro com
o irmão Fernando César aos 6 anos de idade. Dessa já
longa estrada musical, brotaram três discos –
Destroçando a Macaxeira (1997), A Nova Cara do Velho
Choro (1998) e Dois de Ouro (2000).
O show que o duo faz hoje, para abrir a temporada
anual do projeto Palco Iguatemi, vai pinçar
composições dessas várias faces da dupla, apresentando
músicas próprias ao lado de obras consagradas (de
Pixinguinha, Jacob do Bandolim etc) no gênero choro.
De Brasília, por telefone, Hamilton de Holanda falou
ao Correio na semana passada. Na entrevista a seguir,
ele mostra como está contribuindo para que a história
do choro seja registrada com glória neste novo século.
Correio Popular – Você atualmente está na
universidade, cursando composição, e além disso está
dando aula de bandolim. Como está sendo essa relação
da experiência prática que você tem com a teoria na
universidade?
Hamilton de Holanda – Eu tive a oportunidade, desde
muito pequeno, de tanto tocar em rodas de choro, em
shows, de desenvolver tanto o lado artístico quanto o
lado acadêmico. Desde muito pequeno eu também entrei
na Escola de Música de Brasília. Então eu estudei
violino, fiz a teoria... Para mim o ideal é a gente
conseguir aliar as duas coisas, a parte de você ser um
músico prático, de chegar e tocar, e também de saber
escrever um arranjo, ouvir uma música erudita e
analisar. Hoje aqui em Brasília eu sou o coordenador
da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, que é a
primeira escola de choro no País. Então, eu dou aulas
de bandolim e coordeno a escola. A gente tenta
desenvolver um método didático para o ensino do choro
que até então não existia.
Quando você começou a estudar música, você teve que
estudar violino porque não havia aulas de bandolim,
não é?
Isso.
Então agora é uma outra realidade que você mesmo está
ajudando a mudar?
Exatamente. Na minha época não tinha professor de
bandolim aqui em Brasília. É lógico que eu tive ótimos
professores de música, de violino, de teoria, mas eu
não tive a oportunidade de ter um professor direto do
que eu queria. Hoje na escola a gente tem quase 300
alunos que estudam bandolim, cavaquinho... só
instrumentos de choro mesmo.
Você tem 25 anos. Então, você acha que essa sua
geração está tendo a obrigação de rever a tradição da
música brasileira? Além de Brasília, você sempre
participa de shows em outras partes do País. Como você
vê esse movimento?
Sinceramente, eu vejo como uma coisa natural do jovem
em ter o interesse pela música do choro. Primeiro
porque é uma música que sempre vai existir porque tem
conteúdo e tem a coisa da brasilidade. As pessoas que
ouvem o choro, podem ser de qualquer idade, quando
ouvem ou vêem um show que tenha choro no repertório,
se identificam. Então eu acho que isso é um ponto
principal que faz com que não só os jovens, todas as
pessoas tenham interesse nessa música. Eu tenho
conhecido vários músicos novos também e tenho
realmente visto que tem esse movimento que você falou.
No Rio de Janeiro acabaram de fazer um filme chamado
Choro Novo, que vão lançar até segunda-feira que vem,
dia 23, que é o Dia Nacional do Choro. É um curta
justamente sobre esse assunto que você falou, o
interesse dos jovens pelo choro. Quer dizer, isso já
tem sido documentado e é uma realidade no Brasil. Vai
crescer cada vez mais, isso eu tenho absoluta certeza,
e tenho o privilégio de participar desse movimento.
No Free Jazz Festival do ano passado você fez o que
foi chamado de um "choro plugado". Você tem a intenção
de procurar novas linguagens e tecnologia para colocar
no choro tradicional?
Vou te ser bem sincero, eu não tenho objetivo de fazer
diferente não. Eu tenho o objetivo de fazer uma música
boa e que tenha na sua base o choro. É lógico que por
ser novo e tanta informação que tem rolado por aí, eu
adoro ouvir de tudo, então com certeza a hora que a
pessoa ouvir minha música vai ver um monte de outras
influências, não diretamente só o choro. E esse lance
de plugado na verdade é um termo que eu não aplico ao
que eu faço. Eu só plugo por uma necessidade técnica,
porque se eu pudesse tocar num lugar que todo mundo ia
ouvir sem ligar o som para mim seria perfeito. Mas
como a gente precisa às vezes tocar em lugar grande ou
lugares em que a microfonação não fica legal, então eu
sou obrigado às vezes a ter instrumento que seja
elétrico e que resolva esse meu problema, porque a
pior coisa que tem é você ir num show e o instrumento
ficar dando apito... Então essa coisa do plugado é
mais uma coisa objetiva técnica mesmo, nada mais.
Tanto que se você ouvir os meus dois discos nenhum é
feito com instrumento plugado, é tudo com instrumento
acústico.
Para este ano você pretende continuar trabalhando a
divulgação dos discos ou tem alguma novidade prevista?
O ano promete bastante. Além do disco do Dois de Ouro
que eu estou lançando com meu irmão, a gente está
lançando também um disco chamado Luz das Cordas, que é
com o Marco Pereira e a gente deve estar lançando no
final de maio aí em São Paulo provavelmente. Por aí
também, maio ou junho, deve estar saindo o disco de um
trio novo que eu tenho e chama Brasília Brasil. É um
trabalho diferente, ele é um pouco mais intimista, mas
ao mesmo tempo ele é aberto a tudo porque o repertório
não é só de choro, é de música brasileira em geral, e
a formação do disco inteiro é bandolim, violão de sete
(cordas) e violão de seis. Violão de sete é Rogério
Caetano e violão de seis, o Daniel Santiago, que são
dois semifinalistas do prêmio Visa. Aí eu já tenho
idéia de outros discos e um projeto pessoal meu, que
eu estou realizando agora: no meio do ano eu vou me
formar e vou apresentar um concerto para bandolim e
orquestra sinfônica.
Duo Dois de Ouro – Hamilton de Holanda e Fernando
César. Hoje, às 19 horas, na Praça de Alimentação do
Shopping Iguatemi. Entrada gratuita.
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