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[S&C] texto - Noel e Jubran no "Valor" |
From: Danilo Chammas (ddchammas@hotmail.com)
Date: Ter 30 Mai 2000 - 14:58:37 GRNLNDST
Meus caros...
Fui conferir e eis aí o texto. Notícia realmente fantástica.
"Valor Econômico"
Nº 21, Terça-feira, 30|5|2000
Música Memoria
Coleção organizada por Omar Jubran com 228 canções do poeta de Vila Isabel
sai em junho pela Velas.
Por Jadyr Pavão, de São Paulo
Enfim, a obra completa de Noel em CD
Demorou, mas, enfim, o Brasil poderá ouvir todas as composições de que se
tem notícia do carioca Noel Rosa: são 228 músicas com melodia, ou letra e
melodia, tomadas sempre a partir de suas primeiras gravações. Acordo firmado
entre a gravadora Velas, a Fundação Nacional de Arte (Funarte) e Omar Jubran
– pesquisador que reuniu as antigas gravações – prevê o lançamento da
coleção da obra integral do compositor de Vila Isabel em 14 CDs para o fim
de junho. Serão colocadas no mercado 3 mil caixas com a coleção, ainda sem
preço definido.
Faltam para tanto as respostas positivas de duas gravadoras detentoras de
direitos sobre 12 gravações da coleção: Eldorado e Warner. “Mas o material
já está liberado verbalmente”, afirma Luiz Pedreira, que, ao lado de
Claudiney Ferreira, coordena o projeto na Velas. Os 216 registros restantes
já tiveram autorização para uso, segundo Pedreira. A Velas será, por
contrato com a Funarte, responsável pela administração dos direitos da
coleção.
A demora em reunir e tornar disponíveis as 228 composições de Noel
(1910-1937) foi realmente grande – já se passaram 63 anos desde a morte do
compositor, aos 26 anos.
Também longa foi a demora aos olhos do pesquisador “amador” Omar Jubran.
Este professor de biologia de 46 anos dedicou os últimos 13 a um trabalho
metódico de buscar as primeiras gravações de todas as músicas de Noel. À
época do início da pesquisa, ele descobriu que já possuía cerca de 70% da
obra em disco ou gravações de rádio. Apesar disso, a parte mais difícil da
pesquisa não financiada estaria por vir: encontrar os outros 30%.
Jubran procurou colecionadores e nem sempre foi bem recebido. “Alguns
emprestavam os discos com boa vontade para que eu pudesse gravá-los; outros,
nem tanto”, diz. “Me olhavam com menosprezo, como quem diz: ”Quem é esse
fedelho?’“
A responsabilidade pela remuneração do pesquisador solitário coube à
Funarte, que, este ano, fez o pagamento a Jubran. O valor – que o
pesquisador prefere não revelar –, não cobre, no entanto, os gastos feitos.
Afinal, além da compra de discos antigos (muitos esgotados e, por isso,
raros e valorizados), ele realizou o trabalho de recuperação das antigas
faixas. Só para a construção de um estúdio em casa, gastou cerca de US$ 50
mil (R$ 95 mil) em equipamentos. Deixou pronta a obra de Noel em nove CDs.
Por questões de direitos e mercado, a Velas os transformou em 14.
Recuperar o dinheiro investido em uma única tacada não é a preocupação, no
entanto. ”O que eu quero é me credenciar junto ao pessoal respeitado da área
para produzir outras coisas“, diz. Deixando para trás o menosprezo de parte
dos tradicionais colecionadores e também de algumas gravadoras que não
compraram a idéia, Jubran já tem sob a manga ao menos dois outros projetos:
um será dedicado às composições de Ari Barroso; outro, às canções de
carnaval. ”Tenho cerca de 3 mil músicas já gravadas“, diz. ”Elas podem
contar a história do carnaval deste século.“
O cancioneiro de Noel adotado por Jubran, com 259 canções, foi estabelecido
a partir do livro ”Noel Rosa – Uma Biografia“, de João Máximo. ”É uma obra
quase científica“, diz. Os CDs apresentarão 228 canções, porque as linhas
melódicas das 31 músicas restantes se perderam. As letras dessas canções, no
entanto, também farão parte da coleção.
A maior parte das gravações foi colhida a partir dos ”bolachões“ – os já
antigos discos. Um número menor veio de programas de rádio. Há registros
gravados pelo próprio Rosa, caso de ”Com Que Roupa?“, por intérpretes
tradicionais dos anos 40 e 50, como Aracy de Almeida e Francisco Alves, ou a
partir de ”aventuras“ como a da atriz do teatro de revista Ruth Franklin,
que gravou ”Fiquei Sozinha“, em 1932.
É de surpreender o fato de que nem todas as gravações sejam antigas. Isso
porque muitas das composições de Noel permaneceram inéditas até bem pouco
tempo. É o caso de ”Marcha da Prima... Vera“, gravada a partir do rádio, em
1992, por Vânia Bastos.
Entre as músicas, surpresas e curiosidades. Um dos discos que serviu de base
à coleção chegou às mãos de Jubran partido em três pedaços. O pesquisador
conta que teve o trabalho de recuperá- lo com cola e uma possante lente de
aumento. ”A gravação ficou perfeita“, diz. Por isso, ele esconde o nome da
canção e desafia os apaixonados por Rosa a descobrir a faixa que reapareceu
a partir da colagem histórica.
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