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[S&C] Entrevista com Leonardo Miranda

Outros Meses Por Data Por Discussão Por Assunto Por Autor

From: Daniella Thompson (daniv@jps.net)
Date: Ter 30 Mai 2000 - 12:31:25 GRNLNDST


Entrevista Leonardo Miranda

        Durante a minha infância propriamente dita, passada no
interior, pouco ouvi de música em casa. Apesar de ser tataraneto,
bisneto e neto de músicos (todos de sopro), militares de bandas de
música no interior de Minas Gerais, meus pais eram relativamente
alheios a isso tudo.
        A música brasileira, o choro, entraram na minha vida através
da descoberta, entre os discos velhos de meu pai, de dois discos, um
de Noel Rosa, e outro de Pixinguinha, de uma antiga coleção de discos
de banca sobre MPB. Ainda me lembro de ouvir centenas de vezes a
gravação de "Último Desejo", de Noel, com Aracy de Almeida e de me
encantar com a flauta que pontuava aquele samba, que hoje sei ser do
Benedito Lacerda. Mas a flauta ainda não viria por aí.
        Aos 13 anos, pedi para estudar música, e por falta de opção
no interior, fui estudar piano, ao qual me dediquei com afinco por 4
anos, interrompidos pela minha vinda para o Rio de Janeiro.
        Aqui, depois de um ano, veio parar em minhas mãos um disco da
CID chamado "Flauta no choro". Aquele foi um impacto definitivo para
mim: eu tinha que aprender aquilo!
        Chateei os meus pais até conseguir uma flauta, uma Yamaha
modelo estudante, e fui estudar com meu primeiro professor, Décio
Carrascosa, um flautista/saxofonista especialista em instrumentos
andinos. Por pouco mais de um ano aprendi com ele os rudimentos do
instrumento.
        Sentindo necessidade de um aprendizado mais específico,
voltado para o choro, mudei de professor, tendo ido estudar com o
chorão Dirceu Leite, que por três anos me ensinou muito do estilo,
além de me por em contato com vários músicos do meio.
        Por fim, fui estudar na Pró-Arte, com o professor Carlos
Alberto Rodrigues, que me deu embasamento técnico e disciplina para
estudar, que foram fundamentais para dar maior clareza à minha
maneira de tocar.
        O interesse pelo Callado, e também pelos outros pioneiros do
choro, veio do início naturalmente: o repertório antigo me parecia
maravilhoso, diferente, original, e inexplicavelmente inexplorado.
Desde o início do meu aprendizado do choro venho tentado aprender
mais do estilo dessa época e do seu repertório.
        A idéia do disco veio pronta também do início. Porque o autor
do "Flor Amorosa", o primeiro dos choros, não tem sua obra conhecida?
Essa curiosidade veio desde o início, e foi então que procurei
escolher a maior quantidade possível de partituras e informações
sobre o Callado.
        Animado pelo Mauricio, que vem me incentivando a fazer o
disco desde que me ouviu pela primeira vez tocando uma polca
desconhecida do Callado, fui atrás de mais material, disposto a ter
uma visão geral de sua obra. O resto da estória já é história, é só
pegar o disco e botar pra tocar...

-- 
Daniella

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