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A DUPLA ROMILDO e TONINHO (era: Clara Nunes)

Outros Meses Por Data Por Discussão Por Assunto Por Autor

From: Lourival Augusto (lourivau@UOL.COM.BR)
Date: Seg 13 Mar 2000 - 22:22:57 GRNLNDST


De: Lourival
Para: Eduardo Martins e Valdir Mengardo.

Realmente voces tocaram numa interessante curiosidade. Por onde anda a dupla
Romildo/Toninho ? Parece-me que só gravaram com a Sabiá, Clara Nunes. Fui
dar uma olhada em meus discos de outros cantores de samba dessa época, como
Alcione, Martinho da Vila, Beth Carvalho e Roberto Ribeiro e não encontrei
nenhuma música desses compositores. Prá não dizer que não encontrei nada,
fora Clara Nunes, a dupla gravou tambem com A Divina, Elizeth Cardoso, no
disco "Elizeth Cardoso", LP Copacabana 12066, faixa 1 lado 2, o lindo samba
"Rio Seco" (transcrevo a letra no final).
A Clara Nunes foi realmente a lançadora da dupla. Há um texto (não há
assinatura) da capa do disco "Canto das Tres Raças" de 1976 EMI, comentando
uma nova gravação da dupla, "Fusuê", que vou transcrever aqui: " (Fusuê)
terceira gravação que Clara faz da dupla (Romildo e Toninho) que ela lançou
há tres anos atrás. "Conto de Areia" a primeira, depois "Deusa dos Orixás".
Romildo criado no cais do Recife, carteira de "22" no bolso, Toninho que tá
pintando como bom letrista entre os novos no meio do samba". Pelo que
entendi do texto, o Romildo, um recifense,caso esteja ainda entre nós, deve
estar com 78 anos. Atenção pessoal de Recife, investiguem! O Toninho era
ainda jovem. Não seria o Toninho Nascimento que compõs muito com o Roberto
Ribeiro? Atenção CARTAS PARA A REDAÇÃO, digo, A LISTA :-))
Aqui estão as letras.
Rio Seco
(Romildo e Toninho)

O meu cantar foi a maneira que eu achei
Pra não guardar o pranto que não chorei (estribilho)

Quando a madrugada principia
minha tristeza vadia passeia no meu olhar
E a ilusão deixa meu peito
Sai em sinal de respeito
para o meu pranto chegar

Meu coração não tem casa nem destino
Feito um sonho de menino
tem mania de voar
E nas desilusões das aventuras
vai colhendo as amarguras
pra enfeitar o meu cantar
(estribilho)

Ah! o meu desgosto é tão profundo
não há lágrima no mundo que possa me consolar
Vivo dividindo a minha mesa com a sombra da tristeza
que não quer se levantar

Sou um rio seco em meu caminho
só tem marcas dos espinhos
que o verão deixou ficar
E o vento triste do outuno
espalhou o meu abandono
desfolhando o meu cantar
(estribilho)

Fusuê
(Romildo e Toninho)

Berimbau batia
Cabaça gemia
Moeda corria
Eu queria pular, Rah! Rah! Rah!(Bis)
Escrevi teu nome
Num fio de arame
E quem quer que me chame
vai ter que gritar
Eh! Camará, Eh! Camará (Bis)
Eh! Fuzuê
Parede de barro não vai me prender (Bis)

Maria Macamba
Perdeu a caçamba num cateretê
Sambou noite e dia
Que até parecia que ia morrer
Nasceu num Quilombo
Aprendeu levar tombo num canjerê
Foi de cesta no tombo
Com água e pitombo
Trocar por dendê, Fuzuê
Eh! Fuzuê
Parede de barro não vai me prender (Bis)
Tinha um pé de coqueiro
Cobrindo o terreiro
De onde eu nasci
Eu ví que o coco era oco
a valia tão pouco
Para se subir
Mas eu com um taco de tôco
tocava no coco
Pro coco cair
E pegava no coco soco
sem repetir, Fuzuê
Eh! Fuzuê
Parede de barro não vai me prender (Bis)

Do disco "Clara Nunes - As Forças da Natureza", EMI ODEOM, 1977, Clara
gravou da dupla "Senhora das Candeias".

Senhora das Candeias
(Romildo e Toninho)

Eu não sou daqui não sou
Eu sou de lá,
Eu não sou daqui não sou
Eu sou de lá

A lua cheia
quando bate nas aldeias
A menina das candeias
cirandeia no luar
O seu lamento tem um jeito de acalanto
que o rio feito um prant
vai levando para o mar
Meu coração é feito de pedra de ouro
o meu peito é um tesouro
que ninguem pode pegar
Eu não sou

Eu não sou daqui não sou
Eu sou de lá,
Eu não sou daqui não sou
Eu sou de lá

A noite ficou mais faceira
pois dentro da ribeira apareceu
com suas prendas, bordados
seus cabelos tão dourados
que o sol não conheceu

a menina moça debutante
que namora pelas fontes
que a natureza lhe deu, é Oxum.
É Oxum, é Oxum!
Senhora das Candeias
que tristeza que me dá
saber que suas mãos
são tão pequenas
prá matar quem envenena
pra punir quem faz o mal, cega punhal!
cega punhal que fere tanto
pra mostrar que seu encanto
é uma coisa natural

Do disco "Clara Nação", EMI-ODEOM, 1982, a música "Menino Velho", da dupla.

Menino Velho
(Romildo e Toninho)

Îê, Îê, Îê, Îê, Îê,
Îê, Îê, Îê, Îê, Îê,
Menino velho
Quem te disse que eu não vou
Jogar búzios e capoeira
Pra prender o meu amor

Na peneira de Sabrina
Vi minha casa de barro
Co a luz da lamparina
tremilicando no jarro
Num copo de água clara
Eu vi meus olhos lá dentro
Mostrando pra minha cara
A face do sofrimento
Na casca do caramujo
Das praias de Porto Seguro
Ví o pó do meu refúgio
Lá no fim do meu futuro

Îê, Îê, Îê ....etc

Era eu, era meu mano
Era meu mano mais eu
Meu mano alugou uma casa
Nem ele pagavga nem eu
Por sentir medo ou preguiça
O dono montou num jumento
Foi direto prá polícia
Reclamar seu pagamento
Era um cabo e um soldado
A força do destacamento
Era meu mano mais eu
Dando pernada no vento

A minha suspeita de que esse Toninho é o Toninho Nascimento, acho que se
confirma no disco "Clara" EMI-ODEOM de 1981, na música "Congada", que vem
assinada como de Romildo e Toninho Nascimento. A temática é semelhante às
anteriores. A letra parece ser do Romildo, pois combina com as suas
características descritas no trecho citado anteriormente (Romildo criado no
cais do Recife)

Congada
(Romildo e Toninho Nascimento)

Benedito santo de Jesus querido
Valha-me Deus que eu tenho sofrido

Que santo é aquele
que vem no andor
É São Benedito
enfeitado de flor

É conga, é congada
bate marimba e tambor
Vou pegar minha espada
que eu tambem sou lutador

Sou do litoral do Norte
Sou fulho de pescador
batizado pela morte
e criado pela dor

Vou lutar pelo reinado
contra o embaixador
vpu lutar contra o reinado
pois contra o pecado
não há vencedor

É conga, é congada....

Eu cresci numa jangada
eu não vivi, só lutei
Vou entrar nessa congada
Eu vou lutar pelo rei

O rei tem que ser honesto
pra fazer a sua lei
à sua lei eu me presto
mas se ele é honesto,
eu não sei

É conga, é congada....

Que santo é aquele....

Resumindo: Pelo que encontrei em meus discos, a dupla gravou seis músicas cam a Clara Nunes e uma com a Elizeth Cardoso. Bem,Uffaaa!!!! por hoje chega! Desculpem pela extensão da msg, mas acho que valeu a pena, ou não? :-)))

Lourival Augusto
Salvador-Ba
<lourivau@uol.com.br>

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> De: Eduardo Martins
> Para: Valdir Mengardo
>
>> Prezado Valdir, só conheço a dupla Romildo/Toninho
dos discos da Clara Nunes. Você pediu outras músicas além de "Conto de
Areia".
> A Clara gravou desta dupla, além de "Conto de
Areia", um grande sucesso chamado "A deusa dos Orixás". Lembra? "Iansã cade
Ogum! Foi pro mar! Mas Iansã cade Ogum foi pro mar!".
> Outro samba muito bonito deles que a Clara gravou
se chama "Senhora das Candeias". Este samba esta no disco "As Forças da
Natureza".
> Os que eu conheço são estes.
> Abraços,

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