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JORNALISTA/BANDOLINISTA e AS SUAS MELHORES MÚSICAS

Outros Meses Por Data Por Discussão Por Assunto Por Autor

From: Lourival Augusto de Santana (laugustos@UOL.COM.BR)
Date: Seg 31 Jan 2000 - 23:50:09 GRNLNDST


De: Lourival
Para: L-DISCUSSAO@SAMBA-CHORO.COM.BR

Olá pessoal,

Vejam a opinião do jornalista e músico (bandolim) Luís Nassif sobre as suas melhores da MPB. O cara não é nenhum Jacob, porm executa seu instrumento de forma convincente. Quem na lista já escutou-o ao vivo?. Ele se confessa fã do Jacob.
Axé,
Lourival Augusto
Salvador-Ba.

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            FOLHA DE SÃO PAULO, São Paulo, Domingo, 30 de Janeiro de 2000
             

             
            
            LUÍS NASSIF
            As melhores da MPB

            A expectativa de fim de século produziu a síndrome do bug e as listas dos melhores do século. De tanto ver proliferar as listas, resolvi montar a minha, com minhas músicas preferidas. Escolher as melhores músicas brasileiras do século é tarefa facílima -desde que não haja limite de número. O melhor seria definir as "500 mais do século".
            Resolvi começar a lista por autores. Em qualquer lista de dez, cinco ou três, por exemplo, tem que estar Ary Barroso. "Aquarela do Brasil" já entra automaticamente. Eu, particularmente, gosto mais de "Na Baixa do Sapateiro", "Rio de Janeiro" (que quase levou o Oscar de melhor música em 1944), "Rancho das Namoradas" (com Vinícius), "Prá machucar meu coração", "Três Lágrimas"... Pára!, senão a camisa de força das dez não vai ser suficiente nem para Ary Barroso.
            Com Tom Jobim, o mesmo problema. Vamos esquecer os Ibopes conhecidos -"Garota de Ipanema", "Águas de Março", "Wave". Sobram "Modinha", "Estrada Branca" (ambas com Vinícius), "Choro Bandido" e não sei quantas mais.
            Pensei em dividir a pesquisa por características de músicas. Dentre as músicas narrativas, daria para acrescentar várias obras-primas, como "De frente para o crime", "Mestre Sala dos Mares", "O bêbado e a equilibrista" (de João Bosco e do maior letrista vivo da MPB, Aldir Blanc), "Água de Menino" e "Domingo no Parque" (de Gilberto Gil), "Peguei um Ita no Norte" (Dorival Caymmi).
            Aí passei para as pequenas obras-primas, aquelas músicas que têm apenas o essencial, como as valsas de Erik Satie ou do venezuelano Antônio Lauro. Entrariam "Serenô" um clássico de Antônio Almeida, "Luar do Sertão" (oficialmente de Catullo, mas que todo mundo sabe ser de João Pernambuco), "Beijinho doce", de Nhô Pai, "Canto do Povo de um Lugar", obra-prima de simplicidade de Caetano Velloso, "O Sol Nascerá", de Cartola, "Maracangalha", de Caymmi, "O Orvalho Vem Caindo", de Noel.
            Que tal aquelas músicas que evocam sentimentos complexos? Só com o tema "ciúmes" entrariam uma dúzia, a começar a de Caetano, e uma outra penosíssima, que julgo ser de Aldo Cabral -"condeno teus ciúmes, que mataram nosso amor"-, além de "Nervos de Aço", de Lupicínio Rodrigues, e "Todo Sentimento", de Chico. Colocaria "Pai", de Gilberto Gil, para ser ouvida com duas garrafas de vinho e três quilos de recordações, e aquela que Chico Buarque fez para as filhas ("quando vejo amanhecer"), que eu ouvia no carro toda vez que saía do jornal e ia para a casa encontrar minha Maricotinha, e "Rosa Desfolhada", de Toquinho e Vinícius, que me foi ensinada por uma ruiva de Ribeirão Preto.
            Falando em sentimentos, há que se relacionar as melhores valsas brasileiras. Só por aí, a relação engorda em algumas dezenas, como "Número Um", "A Deusa da Minha Rua", "A Voz do Violão" (de Francisco Alves e Horácio Campos), "Cigana" (Romualdo Peixoto, o Nonô, e Paulo Roberto).
            Mas não poderiam ficar de fora os clássicos sertanejos. Da produção sertanejo-urbana carioca entrariam umas 15 músicas, a contar de "Linda Flor do Ypê", de Bonfiglio de Oliveira, "Guacira", de Heckel Tavares, "Sítio da Tijuca", de Joubert de Carvalho. Da produção sertaneja paulista e do centro-oeste, "Tristezas do Jeca", de Angelino Oliveira, "Triste Berrante", de Adauto Santos, "Marvada Pinga", de Laureano, "Chalana", de Mário Zan e Arlindo Pinto, o clássico "Vide-vida marvada", de Piraci e Tonico, além de modernos como as obras de Almir Satter, Renato Teixeira e Paulo Simões, especialmente "Sonhos Guaranis" e "Trem do Pantanal", do Paulo Simões, a última em parceria com Geraldo Rocca. Cometeria até a ousadia de incluir umas sertanejas mais modernas, como "Sessenta Dias Apaixonado", de Darci Rossi e Constantino Mendes e um candidato a clássico, "Terra Tombada", de Carlos César e Fortuna.
            O espaço acabou e nem entrei ainda em Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Jorge Benjor, Zé do Norte, Wilson Batista, Noel Rosa, Assis Valente, Garoto, Baden.
            Por enquanto, estou na 260ª música, e mesmo assim porque não incluí as instrumentais, só as dos "canários". Parafraseando Paulinho da Viola, "a MPB é tão grande, que nem cabe explicação". Nem relação das mais do século, pelo visto.
            
            email: lnassif@uol.com.br
             


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