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Músicas - Discografia
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Seu pai, tipógrafo e flautista, foi, segundo alguns, o criador das Comissões de Frente das escolas de samba. Passava os domingos cantando com os amigos debaixo das amendoeiras do bairro de Oswaldo Cruz. Assim, nascido em casa de bamba, o garoto já freqüentava as rodas onde conheceria Zé com Fome, Luperce Miranda, Claudionor Cruz e outros. Com o tempo, aprendeu violão e cavaquinho, começou a jogar capoeira e a freqüentar terreiros de candomblé. Estava se forjando ali o líder que mais tarde seria um dos maiores defensores da cultura afro-brasileira. Arte negra era com ele mesmo.
Compôs em 1953 seu primeiro enredo, Seis Datas Magnas, com Altair Prego: foi quando a Portela realizou a façanha inédita de obter nota máxima em todos os quesitos do desfile (total 400 pontos).
No início dos anos 60, dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba. Em 61, entrou para a polícia. Tinha fama de truculento e suas atitudes começaram a causar ressentimentos entre seus antigos companheiros. Provavelmente, não imaginava que começava a se abrir caminho para a tragédia que mudaria sua vida. Diz-se que, ao esbofetear uma prostituta, ela rogou-lhe uma praga; na noite seguinte, ao sair atirando do carro num acidente de trânsito, levou um tiro na espinha que paralisou para sempre suas pernas.
Sua vida e sua obra se transformaram completamente. Em seus sambas, podemos assistir seu doloroso e sereno diálogo com a deficiência e com a morte pressentida: Pintura sem Arte, Peso dos Anos, Anjo Moreno e Eterna Paz são só alguns exemplos. Recolheu-se em sua casa; não recebia praticamente ninguém. Foi um custo para os amigos como Martinho da Vila e Bibi Ferreira trazê-lo de volta. De qualquer maneira, meu amor, eu canto, diria ele depois num dos versos que marcaram seu reencontro com a vida.
O couro voltou a comer nos pagodes do fundo de quintal de Candeia que comandava tudo de seu trono de rei, a cadeira que nunca mais abandonaria.
No curto reinado que lhe restava, dono de uma personalidade rica e forte, Candeia foi líder carismático, afinado com as amarguras e aspirações de seu povo. Fiel à sua vocação de sambista, cantou sua luta em músicas como Dia de Graça e Minha Gente do Morro. Coerente com seus ideais, em dezembro de 75 fundou a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos de sua nova escola dizia: Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo.
No mesmo ano de 75, Candeia compunha seu impressionante Testamento de Partideiro, onde dizia: Quem rezar por mim que o faça sambando.
Em 78, ano de sua morte, gravou Axé um dos mais importantes discos da história do Samba. Ainda viu publicado seu livro escrito juntamente com Isnard: Escola de Samba, Árvore que Perdeu a Raiz.
Com a palavra final, Candeia (do samba Anjo Moreno):
(faguiar@br2001.com.br)
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| Paixão segundo eu (Candeia) | Álbum: Samba da antiga |
| Canta: Candeia | |
No amor não se vence, por isto não pense que estou derrotado, não estou acabado. Todo dia que nasce renasce o amor, no jardim desta vida esperança é flor. Vou embora com Deus e Nossa Senhora (eu vou agora). Vou embora com Deus e Nossa Senhora. À tua traição deixarei meu perdão, humildade eu levo no meu coração. Eu tiro proveito da adversidade, do doce, amargo, a cruel falsidade. Vou embora com Deus e Nossa Senhora (e com a minha viola). Vou embora com Deus e Nossa Senhora. Na vida da gente nada se perdeu: a razão da semente é que o fruto morreu. E o beijo de Judas valeu pra contar e cantar a paixão - segundo eu. Vou embora com Deus e Nossa Senhora (e com a minha viola). Vou embora com Deus e Nossa Senhora (eu vou agora). Vou embora com Deus e Nossa Senhora (quem perdeu é que chora). | |
| Filosofia do samba (Candeia) | Álbum: Filosofia do samba |
| Canta: Candeia | |
Pra cantar samba não preciso de razão, pois a razão está sempre com dois lados. Amor é tema tão falado, mas ninguém seguiu nem cumpriu a grande lei: cada qual ama a si próprio, "liberdade e igualdade", onde estão, não sei. Mora na filosofia, morou, Maria... Morou, Maria? Morou, Maria! Pra cantar samba veja o tema na lembrança: Cego é quem vê só aonde a vista alcança. Mandei meu dicionário às favas: mudo é quem só se comunica com palavras. Se o dia nasce, renasce o samba. Se o dia morre, revive o samba. Mora na filosofia, morou, Maria... Morou, Maria? Morou, Maria! | |
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| Primeiro disco de Candeia em um grupo inspirado no conjunto Voz do Morro de Zé Keti, Paulinho da Viola e Nelson Sargento. O grupo era formado por Candeia (detetive), Casquinha (bancário), Arlindo (Detetive), David (polícia militar), Jorge (funcionário público), Picolino (guindasteiro do cais) e Bubu (torneiro mecânico). Se alguém souber dos nomes das faixas do disco por favor informe para que a informação fique completa. |
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| Primeiro disco individual de Candeia onde já mostrava ao que veio. A mais conhecida música deste disco, Dia de Graça foi regravada depois no Axé. Foi relançado em CD, pelo selo ABW, com o título modificado para Samba da Antiga. A qualidade da gravação é no CD é apenas razoável. A ABW é conhecida por praticamente não remasterizar os CDs que relança, o que não permite que a qualidade de som seja a que seus discos merecem. |
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| Mais um disco relançado em CD pela ABW. O título também foi modificado, desta vez para Filosofia do Samba. Este disco já vem recheado de músicas que se tornaram clássicas. Tem a própria Filosofia do Samba, que também foi lindamente gravada por Paulinho da Viola em seu primeiro disco de 1971; Vai pro lado de lá, regravada por Arlindo Cruz e Sombrinha; De qualquer maneira, música obrigatória nas boas rodas de samba; e a belíssima Minhas Madrugadas, parceria com Paulinho da Viola. |
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| Disco com músicas de Candeia (e parceiros) e do cancioneiro popular, como jongo, maculelê, partido alto e capoeira. Neste disco Candeia aprofunda ainda mais sua pesquisa da cultura negra brasileira. Relançado em CD pela ABW |
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| Participação de Candeia num LP que foi sucesso instantâneo na época em que foi lançado. Tanto que rendeu mais duas continuações (a última delas já sem o mestre). Os outros bambas que tomam parte neste disco são: Velha, Casquinha, Wilson Moreira, Anézio e Joãozinho da Pecadora. Uma curiosidade interessante: devido ao sucesso deste disco que o grande Wilson Moreira resolveu largar sua profissão de carcereiro e seguir carreira de sambista. O CD é parco em informações, não tem qualquer tipo de encarte, mas pelo que os músicos falam entre as faixas ainda se descobre que a cozinha do disco é dos mestres Luna e Marçal. Procure este disco na seção de saldos das lojas de discos, normalmente é lá onde ele se esconde. |
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| O sucesso do primeiro disco foi tão grande que mereceu este segundo volume. Desta vez, os outros bambas além do Candeia são: Velha, Casquinha, Wilson Moreira, Anézio e Hélio Nascimento. Mais um para se procurar na seção de saldos das lojas. Nesta série foi lançado ainda um terceiro volume que, apesar de manter apenas o Wilson Moreira, junta outros sambistas de primeira como Monarco e Noel Rosa de Oliveira. Foi relançado em CD pela ABW. |
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| Disco histórico que reuniu para sua gravação nada menos do qeu Candeia, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Elton Medeiros. Adivinhe se um disco que juntou quatro dos maiores sambistas foi lançado em CD? Claro que foi... mas no Japão. Os brasileiros não tem acesso a esta obra-prima. Note-se que o Candeia canta somente as músicas de sua autoria. |
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| Um clássico do mestre. Só que como foi gravado por uma grande gravadora multinacional, este disco nunca foi relançado em CD. Mais um desrespeito à nossa cultura por parte das grandes gravadoras. |
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| Este é um clássico absoluto. Um dos mais importantes discos da História do Samba. Todas as músicas são conhecidas por quem gosta de samba e sempre marcam presença nas boas rodas. Grande parte das faixas deste disco foram lançadas em CD dentro da coleção Mestres da MPB, que infelizmente está fora de catálogo. Hoje em dia é impossivel conseguir este disco. Mais um profundo desrespeito aos brasileiros. Este pessoal da Warner que nos impede o acesso a nossa própria cultura deveria estar é na cadeia. |
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| Disco póstumo lançado em comemoração de 10 anos de passagem do mestre pela Funarte. Cantando quase que só músicas inéditas do mestre estão Aniceto do Império, Velha Guarda da Portela, Mestre Marçal, Cristina Buarque, Wilson Moreira, Mauro Duarte, Monarco, Casquinha e outros. Um dos destaques do disco é a primeira gravação do primeiro samba-enredo de Candeia Seis Datas Magnas que ajudou a Portela a ser campeã na avenida. Este disco foi relançado em CD, junto com vários outros da Funarte, pelo selo Atração Fonográfica. Se você conseguir superar o site difícil de usar deles ainda consegue até compra-lo pela internet. |
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| Disco comemorativo de 20 anos da passagem de Candeia e produzido por João de Aquino, o mesmo produtor do histórico Axé. A nobreza do Samba se reúne para homenagear o mestre. Estão lá Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Velha Guarda da Portela, Alcione e Beth Carvalho. A edição é luxuosa com desenhos do cartunista Lan e um libreto de 60 páginas(!) com belos textos de Paulinho da Viola, Lena Frias, Sérgio Cabral, João Máximo, Mauro Ferreira e outros. Parecia realmente uma homenagem a altura da obra de Candeia. Infelizmente não é este o caso. O disco é uma decepção. Os arranjos são bregas e dominados por teclados que parecem querer imitar o mais comercial dos grupelhos de sambanejo. Salva-se pouco, como o Paulinho da Viola no feijão com arroz de voz e violão e a linda música homenagem de Luiz Carlos da Vila. Beth Carvalho apesar de estar cantando o fino, sofre com um arranjo que chega a colocar um tchu-tu-ru-biru no meio da música. A bela parceria póstuma com Marquinhos de Oswaldo Cruz é abafada pelo tecladinho. Alcione consegue fazer a pior versão jamais feita de Eu Vivia Isolado no Mundo. Deve ter sido preciso muito esforço para impedir um disco com tantos bambas de ser maravilhoso. Uma tristeza.
Se ainda assim estiver interessado no disco, que vale nem que seja pelo libreto e pelo Paulinho, o telefone da gravadora Perfil é (021)532-4281. |
Esta página é resultado de um trabalho coletivo. Chico Aguiar (faguiar@br2001.com.br) de São Paulo deu o ínicio levantando as principais informações da discografia do mestre e escrevendo o texto biográfico. Jaumir Valença (JDsilvei@novell.com), carioca exilado na Irlanda que gosta de fazer poesias, juntou as informações nesta página e fez o HTML. Mário Tarcitano (tarcitano@artnet.com.br) de Minas Gerais fez a bela caricatura. Júlio Cardoso (jcardoso@uol.com.br), também de Sampa, deu algumas informações extras. Adriana Mattos (mattos@essencial.com.br) de Brasília fez uma revisão geral nos textos. E eu, Paulo Neves (neves@email.com) do Rio de Janeiro escrevi os comentários sobre os discos e publiquei a página.
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Paulo Eduardo Neves