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"Elizeth Cardoso - Faxineira das Canções" |
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Assim como quem cuida de uma casa
Com capricho e com carinho
Cuido bem da minha voz
Que saia limpa e clara da garganta
E voe sempre mais velos
Lavando o coração de quem me escute
Feito água cristalina, aliviando toda a dor
Tornando mais bonita a vida rude
Faxineira do amor
E assim esfrego o chão da minha alma
Até vê-la mais brilhante
Do que sala de jantar
Que é pra bem receber os convidados
Que começam a chegar
E quem me vê no palco tão serena
Tão segura e poderosa
Radiante de emoções
Não pode adivinhar o meu trabalho:
Faxineira das canções
Esta é FAXINEIRA DAS CANÇÕES, belíssima música de Joyce e título da caixa de 4 CDs de Elizeth Cardoso que a Biscoito Fino acaba de lançar, organizada por Hermínio Bello de Carvalho.
É esta também uma das músicas do CD Luz e Esplendor, pela primeira vez lançado em CD. Editado originalmente em 1986 pela Arca Som em comemoração aos 50 anos de carreira da cantora, o disco abre com “Elizetheana", pot-pourri de sucessos da Divina – “Canção de Amor", “Nossos Momentos", “Meiga Presença", “Apelo" e “Se todos fossem iguais a você" – com as participações de Alcione, Cauby Peixoto, Nana Caymmi e Maria Bethânia. Em seguida, o piano de Gilson Peranzzetta e o vocal de Joyce emolduram a voz de Elizeth na canção que dá título à caixa. Da parceria Baden Powell/Paulo Cesar Pinheiro aparecem “Cabelos Brancos" (no acompanhamento um duo de violão e cello com Raphael Rabello e Márcio Mallard) e “Voltei". Nei Lopes também comparece com duas: “Calmaria e Vendaval" (parceria com Sereno) e “Felicidade Segundo Eu" (parceria com D. Ivone Lara). Esta última traz as participações de Paulinho da Viola (violão e voz), D. Ivone Lara (vocal) e Elton Medeiros (caixa de fósforos). Elton também mostra sua habilidade com a caixinha na faixa “Complexo" (Wilson Batista/M. de Oliveira). A Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco participa de “Valsa Derradeira" (Gereba/Capinam). O disco traz ainda “Vento de Saudade" (Jorge Aragão/Sergio Fonseca) e “Luz e Esplendor" (Walter Queiroz). Os arranjos ficam por conta de nomes como Antonio Adolfo, Rildo Hora e Maurício Carrilho. Entre os músicos, destaque para Wilson das Neves, Raphael Rabello, João de Aquino, Luciana Rabello, Luisão Maia, Sivuca, Paulo Moura, Alceu Maia, Mauro Senise, Gordinho e Marçal. Para essa reedição em CD, foram incluídas quatro faixas-bônus, extraídas do arquivo de Hermínio. “Azulão" (Jayme Ovalle/Manuel Bandeira) ela canta acompanhada somente pelo cello de Márcio Mallard. Em “Seresta n0. 5 (Modinha)" (Villa-Lobos/Manuel Bandeira), Elizeth é acompanhada pelo violão de Turíbio Santos. “Valsa da Solidão" (Paulinho da Viola/Hermínio Bello de Carvalho) foi tirada de um LP comemorativo dos 50 anos de Hermínio e tem a participação de Chiquinho do Acordeon e Maurício Carrilho. A última raridade do disco é um pot-pourri em homenagem a Baden Powell - com João de Aquino e Hélio Capucci nos violões – e seus parceiros Paulo Cesar Pinheiro (“Última Forma", “Violão Vadio" e “Refém da Solidão") e Vinicius de Moraes (“Deixa").
Em 1990, Hermínio foi convidado a produzir um disco-tributo a Ary Barroso para servir de brinde da empresa de móveis mineira Itatiaia. Elizeth estava sem gravadora (a Arca Som já havia fechado suas portas) e daí nasceu Ary Amoroso, que no ano seguinte seria lançado comercialmente em CD pela Sony. Para os arranjos, foram convocados Gilson Peranzzetta e Maurício Carrilho. O time de músicos – o encarte traz uma foto de parte da formação - foi formado por Rafael Rabello (7 cordas), Zeca Assumpção (baixo), Ovídio Brito (tamborim), Alceu Maia (cavaquinho), Gordinho (surdo/tamborim), Marcos Suzano (pandeiro/cuíca), Wilson das Neves (bateria), Áurea Martins, Ithamara Koorax e Dalva Torres (coro), entre outros. O repertório é recheado de clássicos do compositor mineiro como “Inquietação", “Folha Morta", “Pra Machucar Meu Coração", “Tu" e “Camisa Amarela". O texto da contracapa foi escrito, a pedido de Elizeth, por Chico Buarque que assim a definiu: “Voz de mãe, e mãe de todas as cantoras do Brasil."
Todo o Sentimento foi gravado logo em seguida com uma sobra da verba destibada à “Ary Amoroso" e também lançado em CD em 1991 pela Sony. Elizeth e Raphael Rabello haviam se encontrado em uma temporada do projeto Seis e Meia neste mesmo ano de 1989 e Hermínio queria registrar o show em disco. Depois de algumas tentativas frustradas de se gravar ao vivo no teatro, os dois entraram em estúdio no dia 23 de setembro de 1989 e registraram tudo no mesmo dia. O disco não sofreu qualquer retoque e não foi usada voz-guia. É apenas Elizeth cantando e Raphael tocando, ao vivo. Emoção pura. Uma vinheta de “Faxineira das Canções" abre o disco e emenda com a belíssima “Camarim" (Cartola/Hermínio Bello de Carvalho) e “Refém da Solidão". A faixa que dá título ao disco é a linda parceria de Cristóvão Bastos e Chico Buarque. O repertório traz ainda “Doce de Coco" (Jacob do Bandolim/Hermínio Bello de Carvalho) e “Modinha" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes).
A pérola da caixa é, no entanto, Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e Época de Ouro – Ao Vivo no Teatro João Caetano. Esse registro do Museu da Imagem e do Som de 1968 (que agora aparece em CD duplo) havia sido lançado em dois LPs hoje raros e em CD... no Japão! O recital mostra todo o talento do Zimbo Trio, seja sozinhos em “Ponteio" (Edu Lobo/Capinam) ou acompanhando Elizeth em “É Luxo Só" (Ary Barroso/Luiz Peixoto). Momento de grande emoção é a Divina interpretando a capela “Serenata do Adeus" (Vinicius de Moraes) e “Canção do Amor Demais" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes). Logo em seguida Jacob do Bandolim e Época de Ouro chegam com tudo em “Murmurando" (Mario Rossi/Fon Fon) e “Noites Cariocas" (Jacob do Bandolim". Depois de Jacob contar a história de como descobriu Elizeth em 1936, eles se juntam em “Mulata Assanhada" (Ataulfo Alves), passeiam pelo repertório de Noel, Silvio Caldas e Pixinguinha, culminando na clássica interpretação de “Barracão" (Luiz Antonio/Oldemar Magalhães). O disco termina com o público cantando “Está chegando a hora" (Adap. Henrique Campos/Henricão), mostrando alegria e emoção, mas talvez ainda sem a noção de ter presenciado um momento histórico da música brasileira.
Os encartes trazem textos originais das primeiras edições e novos textos escritos por Hermínio Bello de Carvalho, além de fotos, ficha técnica detalhada e letra de todas as músicas (exceto no “Ao Vivo no João Caetano").
A lamentar apenas o leve descuido com a parte gráfica. A caixa em si merecia um design melhor, apesar da bonita ilustração de Ulisses. As capas de alguns encartes também poderiam ter um melhor acabamento.
A caixa já havia sido lançada como brinde em uma edição que não trazia o CD duplo do show do João Caetano. O texto do livreto não foi atualizado e não menciona este disco. A falha é desculpada pela grandiosidade da iniciativa da Biscoito Fino de incluir esta jóia na caixa.
É, portanto, item obrigatório em qualquer coleção de música brasileira.
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