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"Flores em Vida", um disco de inéditas de Nelson Sargento

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 29 de Dezembro de 2001 
Assunto: CDs

Já não era sem tempo, está saindo pelo selo da Rádio MEC o disco "Flores em Vida". Se for considerar os discos de inéditas dele lançados comercialmente no Brasil, o último foi em 1979(!). Se for considerar os demais, há ainda o "Encanto da Paisagem" que foi feito para o mercado japonês em 1986 e relançado por aqui silenciosamente pela RioArte, e um feito para um tal de Clube de Criação de São Paulo em 1990. O selo da Rádio Mec está resolvendo esta injustiça com este novo disco.

É um disco romântico, foi um projeto de sua companheira Evonete e Nelson parece em alguns momentos interpretar como se fosse uma declaração de amor. Quase todas as canções são dolentes sambas-canção que falam de amor, com exceção do político samba-enredo que encerra o disco. Algumas músicas merecem destaque. "O Remorso Vai Atrás" coloca o personagem na original posição de pedir à amada que não o perdoe. Nelson filosofa em "Fé em Deus" com um quê de Cartola, como a bela "Quando eu te Vejo Passar". "Mentia" é uma bacana parceria com o bandolinista Pedro Amorim, que merece ser cantada nas rodas de samba. Antes do samba-enredo final, ainda louva os velhos carnavais na marcha rancho "A mesma Fantasia".

A produção caprichada é de João de Aquino, que além de tocar, reuniu um time da pesada formado por Márcio Almeida (cavaquinho), Pedro Amorim (bandolim), Josimar Monteiro e Paulão (7 cordas), Gordinho, Esguleba, Duarte e Ronaldo Mattos (percussão), Fernando Merlino e Kiko Furtado (piano e teclado), Flávio Pereira (baixo elétrico), Fernando Pereira (bateria), Guaucus Xavier (sax), Jessé (trompete) e Dirceu Leite (flauta). O disco conta ainda com a participação especial de Emílio Santiago. Os arranjos são bem bacanas, mesmo um certo excesso de teclados nas introduções.

O encarte tem uma bela foto na capa, traz um texto de apresentação do jornalista João Máximo, a letra de todas as músicas e o nome dos músicos participantes. Está bacana, mas bem que podia dizer quem toca em cada faixa.

O disco é distribuído pela Rob Digital e você pode comprá-lo aqui.

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Comentários dos leitores

Passando o "sufoco" de final de ano, já vou comprar o meu pela Agenda, pois aqui em Santos, demora uma eternidade para chegar
essas raridades!!!
ROGÉRIO DA CUNHA VIEIRA
28 de Dezembro de 2001 #

Que maravilha um novo disco de Nelson Sargento. É claro que vou comprar! Já ouvi alguns comentários atestando a preciosidade da obra. Só não entendi o preço tão barato. Em tempos de pirataria ficamos preocupados.
Zico Cerqueira
28 de Dezembro de 2001 #

Nelson Sargento dispenas maiores comentários. É um sambista genuino e neste CD revela uma boa veia romãntica. A nota dissonante da produção foi a utilização de um teclado nas gravações. Não tenho absolutamente nada contra os tecladistas (que são grandes profissionais!)e sim contra esse instrumento que soa "falso" e tira todo o brilho de instrumentos "puros" e originais como o bandolim, o cavaquinho, o sax, o pandeiro, o prato e outros tão caros à nossa cultura popular quanto a obra desse grande Nelson Sargento. É uma pena. Desculpem o ranço. Feliz 2002 a todos.
Carlos Roberto de Campos
29 de Dezembro de 2001 #

Nelson Sargento dispensa maiores comentários. É um sambista genuino e neste CD revela uma boa veia romãntica. A nota dissonante da produção foi a utilização de um teclado nas gravações. Não tenho absolutamente nada contra os tecladistas (que são grandes profissionais!)e sim contra esse instrumento que soa "falso" e tira todo o brilho de instrumentos "puros" e originais como o bandolim, o cavaquinho, o sax, o pandeiro, o prato e outros tão caros à nossa cultura popular quanto a obra desse grande Nelson Sargento. É uma pena. Desculpem o ranço. Feliz 2002 a todos.
Carlos Roberto de Campos
29 de Dezembro de 2001 #

Graças a Deus, lançaram um cd de qualidade! De cem cd's que são lançados no mercado, três são bons! No ítem música brasileira, esse cd do Nélson Sargento fica entre os poucos que são bons! Parabéns,bom trabalho Nélson Sargento, continue assim, como um grande defensor do samba autêntico, seja de partido-alto, de quadra, ou, de qualquer outro estilo! Agora só falta o selo MEC ganhar um empurrão do Dr. Roberto Marinho, para a música de qualidade receber o seu devido espaço na mídia brasileira, independente da indústria gravadora , que estiver trabalhando com a produção! Cultura de qualidade não depende de sociedade anônima para ser produzida, e sim, de autonomia, liberdade profissionais e publicidade, para que, a sua estrutura se renove e viva, independente dos aspectos financeiros que estiverem sendo jogados no salão do mercado! De que adianta, por exemplo, a Madonna vender milhões de cópias com a Sony Music, se as músicas delas são horríveis? Que Deus ilumine os pensamentos dos homens que trabalham com música, fiquem todos com Jesus Cristo,e, amém!
Jorge Luiz Osório De Oliveira
30 de Dezembro de 2001 #


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