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Onde está a honestidade? |
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Escrevo estas linhas movido de profunda indignação perante o lamentável ocorrido na madrugada de terça para quarta-feira (28 para 29 de julho) no bar Ó do Borogodó.
Depois de mais uma noite memorável na casa, comandada pelo timaço formado por Alessandro Penezzi (violão), Zé Barbeiro (violão de 7 cordas), Roberta Valente (pandeiro), Fabrício Rosil (cavaquinho) e a cantora Dona Inah, além das canjas de Ildo Silva (cavaquinho), Henrique Araújo (cavaquinho), João Camarero (violão de 7), Alfredo Castro (percussão) e deste que vos escreve, um fato desagradável veio entristecer e indignar a todos que estavam presentes no local.
O ritmista Alfredo Castro foi vítima de furto dentro do Ó do Borogodó. E o pior: levaram justamente seus instrumentos musicais. Mais precisamente, uma cuíca e um pandeiro, que estavam dentro de uma bolsa preta.
Para esclarecer aos que talvez não saibam, Alfredo Castro (também conhecido por Alfredão), é um excelente percussionista. A cuíca foi lhe dada de presente, há mais de dez anos atrás, e foi seu primeiro instrumento. Tocando cuíca que ele começou a participar de rodas e a freqüentar os meios de samba e choro, tornando-se um percussionista de primeira linha. Hoje, Alfredo domina vários outros instrumentos de percussão, tais como o pandeiro, o surdo, o tamborim, entre outros. É também um cantor e compositor de respeito, e excelente conhecedor de sambas. Alfredão faz parte do prestigiado grupo Terreiro Grande, além de tocar ao lado de vários instrumentistas e sambistas de fina estirpe.
Toda essa história foi hoje jogada no lixo por algum cidadão desonesto que apareceu no Ó do Borogodó, e que não deve dar a mínima para a música ou para qualquer tipo de arte ou de sentimento. Se desse, não teria roubado um instrumento musical, privando um músico de realizar seu trabalho. É triste, pois, depois de uma noite em que muitas pessoas se divertiram, e participaram de um clima de descontração que sempre reina nas noites do Ó, alguém mal-intencionado acaba estragando toda a beleza da festa.
Cabe aqui ressaltar que os funcionários da casa e os músicos presentes não pouparam esforços em busca dos instrumentos perdidos. Diante da notícia do possível furto, o Ó foi vasculhado por todos para que a cuíca e o pandeiro fossem localizados. Mas de nada adiantou, realmente concluiu-se que houve má-fé por parte de algum indivíduo.
Não há informações relevantes acerca do ladrão. Segundo se pôde apurar, apenas sabe-se que o sujeito não era freqüentador assíduo do Ó do Borogodó.
Vale lembrar que, além de seu talento musical, Alfredo Castro é um grande camarada, querido e estimado por todos que o conhecem, uma pessoa de enorme valor, que não merecia passar por esta.
Sei que será quase impossível localizar o bandido, tampouco reaver os instrumentos. Mas é preciso registrar tais fatos, para que estes não passem em branco. Aos músicos, fica o aviso: é preciso tomar muito cuidado com seus pertences, pois infelizmente, existem aqueles que não respeitam nada, e têm a ousadia de lucrar com o instrumento de trabalho dos outros. Neste caso específico, a questão é ainda pior, levando-se em conta que os músicos tocam para o público, fazendo a alegria de tanta gente, e, através da sua arte, conseguem aproximar as pessoas. Enfim, é preciso muita frieza e maldade para querer prejudicar alguém que faz esse trabalho tão nobre.
Um indivíduo que resolve, sem mais nem menos, roubar um músico dessa maneira covarde, está fazendo mal a si mesmo, e acabará sendo atingido mais cedo ou mais tarde. É como disse Herivelto Martins, no samba-canção gravado por Nelson Gonçalves: "Aqui se faz, aqui se paga". Torcemos para que o ladrão seja desmascarado brevemente.
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