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Por Roberto Saglietti Mahn
Publicada em 29 de Julho de 2009 
Estado: SP 
Assunto: Outros

Escrevo estas linhas movido de profunda indignação perante o lamentável ocorrido na madrugada de terça para quarta-feira (28 para 29 de julho) no bar Ó do Borogodó.

Depois de mais uma noite memorável na casa, comandada pelo timaço formado por Alessandro Penezzi (violão), Zé Barbeiro (violão de 7 cordas), Roberta Valente (pandeiro), Fabrício Rosil (cavaquinho) e a cantora Dona Inah, além das canjas de Ildo Silva (cavaquinho), Henrique Araújo (cavaquinho), João Camarero (violão de 7), Alfredo Castro (percussão) e deste que vos escreve, um fato desagradável veio entristecer e indignar a todos que estavam presentes no local.

O ritmista Alfredo Castro foi vítima de furto dentro do Ó do Borogodó. E o pior: levaram justamente seus instrumentos musicais. Mais precisamente, uma cuíca e um pandeiro, que estavam dentro de uma bolsa preta.

Para esclarecer aos que talvez não saibam, Alfredo Castro (também conhecido por Alfredão), é um excelente percussionista. A cuíca foi lhe dada de presente, há mais de dez anos atrás, e foi seu primeiro instrumento. Tocando cuíca que ele começou a participar de rodas e a freqüentar os meios de samba e choro, tornando-se um percussionista de primeira linha. Hoje, Alfredo domina vários outros instrumentos de percussão, tais como o pandeiro, o surdo, o tamborim, entre outros. É também um cantor e compositor de respeito, e excelente conhecedor de sambas. Alfredão faz parte do prestigiado grupo Terreiro Grande, além de tocar ao lado de vários instrumentistas e sambistas de fina estirpe.

Toda essa história foi hoje jogada no lixo por algum cidadão desonesto que apareceu no Ó do Borogodó, e que não deve dar a mínima para a música ou para qualquer tipo de arte ou de sentimento. Se desse, não teria roubado um instrumento musical, privando um músico de realizar seu trabalho. É triste, pois, depois de uma noite em que muitas pessoas se divertiram, e participaram de um clima de descontração que sempre reina nas noites do Ó, alguém mal-intencionado acaba estragando toda a beleza da festa.

Cabe aqui ressaltar que os funcionários da casa e os músicos presentes não pouparam esforços em busca dos instrumentos perdidos. Diante da notícia do possível furto, o Ó foi vasculhado por todos para que a cuíca e o pandeiro fossem localizados. Mas de nada adiantou, realmente concluiu-se que houve má-fé por parte de algum indivíduo.

Não há informações relevantes acerca do ladrão. Segundo se pôde apurar, apenas sabe-se que o sujeito não era freqüentador assíduo do Ó do Borogodó.

Vale lembrar que, além de seu talento musical, Alfredo Castro é um grande camarada, querido e estimado por todos que o conhecem, uma pessoa de enorme valor, que não merecia passar por esta.

Sei que será quase impossível localizar o bandido, tampouco reaver os instrumentos. Mas é preciso registrar tais fatos, para que estes não passem em branco. Aos músicos, fica o aviso: é preciso tomar muito cuidado com seus pertences, pois infelizmente, existem aqueles que não respeitam nada, e têm a ousadia de lucrar com o instrumento de trabalho dos outros. Neste caso específico, a questão é ainda pior, levando-se em conta que os músicos tocam para o público, fazendo a alegria de tanta gente, e, através da sua arte, conseguem aproximar as pessoas. Enfim, é preciso muita frieza e maldade para querer prejudicar alguém que faz esse trabalho tão nobre.

Um indivíduo que resolve, sem mais nem menos, roubar um músico dessa maneira covarde, está fazendo mal a si mesmo, e acabará sendo atingido mais cedo ou mais tarde. É como disse Herivelto Martins, no samba-canção gravado por Nelson Gonçalves: "Aqui se faz, aqui se paga". Torcemos para que o ladrão seja desmascarado brevemente.

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Comentários dos leitores

Lamentável!!!!!
Eder
29 de Julho de 2009 #

Pôxa vida...
Um abraço pro Alfredo, meu camarada!
Lucia Helena Maria de Almeida
29 de Julho de 2009 #

Essa notícia gera enorme indignação, mais até que a barbárie cotidianamente noticiada pela mídia.
JULIANO COSTA BRANDÃO
29 de Julho de 2009 #

é...
triste mesmo!
tomara que a cuíca exerça algum fascínio sobre o figura!
logo menos confeccionarei outra, com um som ainda mais bonito e que, ao certo, proporcionará a mesma magia!
ontem corremos atrás pelos bares mas nem sinal.
por enquanto, aceito donativos... a cuíca de barrica que o Sr. Pelão guarda em sua casa, aquela mesma que o Mestre Marçal gravou o primeiro disco da Marcus Pereira do divino Cartola, seria bem vinda... rssss
um abraço a todos!
Alfredo Hacl Castro
29 de Julho de 2009 #

Além de ladrão,covarde
VICENTE FERREIRA DA SILVA FILHO
29 de Julho de 2009 #

Lamento pra caramba a notícia do furto. Ainda mais no Ó do Borogodó que é uma casa super bacana, frequentado por gente muito fina e com música de primeira. Tomara que esse ordinário seja identificado o mais breve possível e banido definitivamente da noite paulistana. Botemos fotos, cartazes, enfim façamos todos a maior propaganda para eliminar essas criaturas que infestam as casas noturnas com música ao vivo. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece, pois já recebi informações a respeito de furtos de instrumentos musicais em outras casas. Lamento pelo rapaz e desejo de coração que seus instrumentos sejam localizados o mais breve possível. Deus abençoe! Forte abraço.

Marcello Laranja (Clube do Choro de Santos)
Marcello Machado de Campos Laranja
29 de Julho de 2009 #

Lamentável esse fato ocorrido.
Eu já fui várias vezes no Ó e sempre achei o espaco dos músicos muito pequeno. Os percussionistas sofrem muito com isso, pois seus instrumentos sao em maior quantidade e alguns sao pequenos. Talvez, agora seja importante o bar proporcionar um espaco maior para os musicos para evitar o roubo novamente.
Abs e boa sorte, Germano
Germano Henning
30 de Julho de 2009 #

Olá Alfredo Castro,

A Cuíca deve mesmo ter exercido fascínio sobre a figura, ou então ele não deve aguentar o porco roncando e resolveu dar fim na brincadeira. rs

É mesmo triste!

Agora, você realmente acha merecer a "cuíca de barrica que o Sr. Pelão guarda em sua casa, aquela mesma que o Mestre Marçal gravou o primeiro disco da Marcus Pereira do divino Cartola"???

Caraca!!!

Um abraço!

Ade Ferreira
Ade Ferreira
30 de Julho de 2009 #

acho nada!
Alfredo Hacl Castro
31 de Julho de 2009 #

Alfredão, amigo querido, forte abraço nesse momento. A quem for do samba de SP: fique atento às cuícas que enxergar por aí; procure nelas algum sinal que seja característico da cuíca do Alfredão. Um adesivo, desenho, assinatura...
Eugênia Rodrigues
31 de Julho de 2009 #

Não fui vítima de furto, mas quando era pequena eu e minha irmã ganhamos uma linda bola de volêi que usávamos para tudo: de queimada à futebol. Um dia, ela caiu pela janela. Claro que já havíamos desenhado com canetinha na pobre bola. Meses mais tarde, minha mãe reconheceu a bola nas mãos de outra criança e perguntou se ela a havia encontrado ou comprado. A honesta criança devolveu a bola, e nós levamos um bom susto ao tê-la de volta. Divulguem mesmo, metamos a boca no trombone para que a cuíca responda roncando e apareça. Não deixem o assunto morrer por que ela aparecerá: qual a graça de roubar uma cuíca e não "se amostrar"? Ai, as pequenas violências que parecem ser mais cruéis do que as grandes...
Eliane França
31 de Julho de 2009 #

é... tem adesivo (uma figurinha de vários cuiqueiros tocando na Portela), a marca Gope em um adesivo com letras pretas e o fundo branco, o couro da Redenção, um case de cuíca da redenção preto com as letras roxas e meu pandeiro de onze polegadas, aquele mesmo que o Celsinho Silva costuma comercializar... vou disponibilizar as fotos que eu tenho no flickr (página de fotos do yahoo) pra quem quiser dar uma força.
um abração!
Alfredo Hacl Castro
31 de Julho de 2009 #


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