Um dos mais brilhantes compositores brasileiros, Paulo César Pinheiro estréia sua primeira peça nesta sexta (15). "Besouro Cordão de Ouro" mostrará no CCBB a história de "Waldemar de Tal", o "Besouro-Mangangá", mais conhecido como "Besouro Cordão de Ouro", uma lenda da capoeira. Os textos e letras são de Pinheiro - entre elas, claro, "Lapinha".
A direção geral é de João Neves e a direção musical, de Luciana Rabello.
Coloquei parte do release da peça nos "Comentários" desta notícia.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil - Teatro III - Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Tel. 3808-2020
Temporada: até 28 de janeiro de 2007
Dias: quarta a domingo
Horário: 19hs
Preço: R$ 10 e R$ 5 (estudantes e idosos)
Classificação: Livre
Duração: 90 minutos
"Com texto, músicas e letras inéditos de Paulo César Pinheiro – que escreve pela primeira vez para teatro – direção geral de João das Neves e direção musical de Luciana Rabello, o espetáculo contará muitas estórias do Mangangá através de outros mestres capoeiristas conhecidos como Canjiquinha, Bimba, Barroquinha, Caiçara, Budião, Rosa Palmeirão, Dora das Sete Portas e Pastinha. O palco vai se transformar numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, para ilustrar a vida de Besouro Cordão-de-Ouro, o Exu Kerekekê dos candomblés baianos.
O elenco, todo com atores negros, foi escolhido em workshops realizados no próprio CCBB: Anna Paula Black, Cridemar Aquino, Iléa Ferraz, Raphael Sil, William de Paula, Wilson Rabelo, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê - os dois últimos vindos especialmente de Belo Horizonte para atuar no espetáculo. Maurício Tizumba e Sergio Pererê são músicos, cantores, compositores e atores e têm história na música e no teatro. Tizumba tem quatro CDs lançados (o último, Moçambique, é de 2003) e, além de atuar e dirigir a Cia. Burlantins, fez o espetáculo Grande Otelo - Êta Moleque Bamba. Pererê acaba de lançar seu primeiro CD, Linha de Estrelas, e participa também do grupo Tambolelê.
Este elenco conta com dois grandes mestres na preparação corporal e coordenação de capoeira, Mestre Casquinha e Mestre Camisa, para transmitir-lhes os princípios desta arte ancestral e futura, que é a expressão da liberdade de um povo e deve ser praticada com reverência.
Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Metido em política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas. Existe um samba, chamado Canto do Besouro, cujos versos de sua autoria "Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela" fazem parte desse samba conhecido de Noel Rosa, no qual nosso poeta escreveu a segunda parte. Esse refrão também foi usado por Paulo César Pinheiro em Lapinha (em parceira com Baden Powell) - sua primeira música gravada e sucesso na voz de Elis Regina - com a qual venceu um dos mais concorridos festivais de música popular, a Bienal do Samba, da TV Record, em 1968, hoje um clássico da MPB.
- “A primeira vez que ouvi falar de Besouro foi no livro Mar Morto, de Jorge Amado”, conta Paulo César Pinheiro. “Interessei-me pela figura e tudo que me caía às mãos a respeito desse mito popular da Bahia, eu guardava. Fui juntando histórias. Fui compondo sambas sobre ele. Fui maturando enredos. O tema Besouro foi se tornando repetitivo em meus sambas. As músicas eu já tinha. Com o convite para escrever o musical, só fiz uma pequena adaptação pro texto criado, e o Besouro Cordão-de-Ouro se tornou realidade”.
Além da música Lapinha, que dá o mote ao musical e ganhou oito novos versos especialmente para o espetáculo - um para cada personagem -, novas canções estarão no espetáculo. São dez no total, feitas para cada toque do berimbau: Jogo de Dentro, Jogo de Fora, São Bento, Angola, Cavalaria, Benquela, Barravento, Iúna, Samango, Santa Maria e Besouro.
O espetáculo mostra, de maneira lúdica, a trajetória, filosofia, prática e música do mestre Besouro - um personagem brasileiro, tão rico e pouco explorado - e conta um pouco da história do Brasil e da nossa formação, com suas raízes culturais na música, na dança e no ritual. Besouro é um símbolo do Brasil, símbolo de coragem, qualidade, criatividade e resistência; um símbolo da cultura que forma o ser brasileiro.
- “Paulo César Pinheiro teve o cuidado de humanizar a figura de Besouro, sem mitificá-lo”, observa o diretor João da Neves. “Então, este espetáculo é importante para o reconhecimento da cultura negra, resgatando estas figuras tidas como desordeiras e retratando-as com sua verdadeira face. Mostra mais profundamente a complexidade das relações dos descendentes de escravos e a sociedade brasileira. Este espetáculo, no fundo, resgata todas as etnias brasileiras e a forma de resistir com altivez”.
Ligado ao universo da cultura negra e popular, João aprofunda: “Tenho intimidade com este universo, pois minha história sempre foi ligada à MPB, desde os shows do Grupo Opinião, os shows que dirigi de Chico, Milton, Baden e MP4, a Missa dos Quilombos - que fiz no Rio de Janeiro em 1988 -, o trabalho que desenvolvi no Acre com o Grupo Poronga e nossa encenação do Tributo a Chico Mendes, até meus recentes trabalhos com Titane em Belo Horizonte. Para esse musical, estou levantando a história de cada um dos atores - que também tem muito do universo do personagem - e trazendo-a para o espetáculo”.
Esta é mais uma realização da JLM Produções, cujo universo de atuação também está ligado à história musical do país, como nos musicais Obrigado, Cartola! e As Robertas - Loucas pelo Rei e no projeto acadêmico Jongos, Calangos e Folias: Memória e Música Negra em Comunidades Rurais do RJ, que atualmente desenvolvem em parceria com a Petrobrás e UFF."
FICHA TÉCNICA
Texto, músicas e letras: Paulo César Pinheiro
Direção: João das Neves
Direção Musical: Luciana Rabello
Assist de Direção: Bya Braga
Elenco: Anna Paula Black, Cridemar Aquino, Iléa Ferraz, Raphael Sil, William de Paula,
Wilson Rabelo, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê
Coord. Geral de Capoeira: Mestre Camisa
Preparador de Capoeira: Mestre Casquinha
Cenografia: Ney Madeira
Figurinos: Rodrigo Cohen
Iluminação: Paulo César Medeiros