![]() |
Jurandir da Mangueira (1939-2007) Campeão dos sambas enredo, bamba dos sambas de terreiro |
|
| Página principal » Artigos e Debates » Jurandir da Mangueira (1939-2007) Campeão dos sambas enredo, bamba dos sambas de terreiro | ||
»Versão para impressão
"Mestre de admirável talento
Marcou encontro com o tempo No auge da inspiração" Talento de Mestre (Jurandir e Ratinho), em homenagem a Cartola Jurandir Pereira da Silva andava feliz da vida. Sentia-se recuperado de um sério problema cardíaco que o havia levado a uma séria cirurgia em 2006. Foi eleito Baluarte da Mangueira e desfilou pela primeira vez no carro dos mais emblemáticos representantes da Verde e Rosa no desfile deste ano. Complicações cardíacas o colocaram novamente na mesa de operação esta semana. Desta vez ele não resistiu e aos 68 anos apagou-se o sorriso franco e aberto de Jurandir da Mangueira, que ultimamente defendia as cores verde e rosa como primeira voz da Velha Guarda Show da Mangueira. Uma dúzia de vezes a Estação Primeira foi para a avenida com composições de sua autoria. Entre eles, Yes, nós temos Braguinha\u201d e a obra prima, Cem anos de liberdade \u2013 realidade ou ilusão. Grande campeão de sambas-enredo, no entanto, Jurandir tinha paixão pelos sambas de terreiro que encantaram o eterno diretor de harmonia Xangô da Mangeuira, que o levou para a ala dos compositores da Mangueira. Os sambas de terreiro de Jurandir logo se tornaram sucesso nas rodas da Mangueira. Um depois do outro, faziam a alegria das pastoras, cabrochas e passistas que freqüentavam os ensaios. Um dia recebeu do fundador Cartola um incentivo e, ao mesmo tempo, um desafio. Ele elogiou seus sambas de quadra e disse que precisava começar a fazer sambas de enredo. Membro da Ala de Compositores, da Velha Guarda e, finalmente, Baluarte, Jurandir tinha, como gostava de dizer, \u201cserviços prestados\u201d à escola. E prestados com muito talento, poesia, delicadeza e um jeito leve e bem-humorado de levar a vida. Após participações em diversos cds, Jurandir lançou, em 2005, pelo selo Candongueiro, seu único disco solo, onde ficou registrado, entre outros lindos sambas, Transformação, uma inspirada resposta _ ou seria mais uma continuação _ ao seu Palácio Encantado (leia abaixo as duas letras). Este, inspirado em um grande amor, aquele no doloroso fim da mesma paixão. Somente estes dois sambas, além de Cem anos de liberdade...bastariam para colocá-lo no panteão dos grandes nomes do samba. Seus versos e de Ratinho, em homenagem a seu mestre Cartola, na epígrafe ali em cima, poderiam perfeitamente ter sido escritos para este grande bamba da Estação Primeira de Mangueira. Discografia: Chico Buarque de Mangueira (1998, BMG) Velha Guarda da Mangueira e convidados (1999, Nikita Records) Mangueira \u2013 Samba de terreiros e outros sambas (2000, Prefeitura do Rio) Meninos do Rio (2001, Carioca Discos) Jurandir (2005, Candongueiro) Jurandir mostrou toda a sua poesia e delicadeza em dois sambas que retratam momentos antagônicos de uma mesma paixão Palácio Encantado (Jurandir e Irson Pinto) De palácio encantado é que chamo Meu barracão em Mangueira E essa vida que eu tanto amo Dedico à minha companheira Sempre em seus olhos tristonhos A me esperar em sonhos Eu me encontro em Mangueira O meu palácio é de zinco coberto Quando não chove estrelas sem fim Vejo nos buracos no teto aberto Faz parecer que o céu é um jardim E pelos olhos da minha querida Creio que a vida talhou-a pra mim Eu sou feliz por viver onde vivo Pois em Mangueira a vida é assim Em: Velha Guarda da Mangueira e Convidados (Nikita Records) Transformação (Jurandir e João Boa Gente) Minha companheira foi embora A solidão veio comigo morar Já não tenho mais os lindos sonhos Não há mais ninguém a me esperar Quando me lembro Daqueles olhos tristonhos Sinto até vontade de chorar Já não me dá mais prazer De contemplar o luar Pelos buracos do teto do meu barracão Que já não é mais palácio encantado Pois estou magoado, ferido no meu coração Até esta vida que eu tanto amo Sinto que está chegando ao fim O meu barracão de madeira Lá em Mangueira Sem ela não é nada para mim Em: Jurandir (Candongueiro) < | Sei lá, Mangueira >
|
||||||||
| ||||||||
Se você quiser escrever (ou moderar), clique aqui para se identificar.