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Brigando pela volta do samba e choro à Santa Teresa

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 16 de Novembro de 1999 
Estado: RJ 
Assunto: Outros

O bundão do prefeito carioca, Sr. Luís Paulo Conde, proibiu a música ao vivo nos bares de um dos mais charmosos bairros cariocas, Santa Teresa. As rodas de samba e choro em Santa fazem parte da tradição cultural do Rio de Janeiro. A justificação da medida é que o barulho incomoda a vizinhança. Contestando tão absurda proibição, que nos faz voltar à década de 20 quando o samba era proibido, está a própria Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa.

A comunidade local está se mobilizando, já há um abaixo assinado com mais de 1.000 assinaturas. Aproveitam agora para convocar os amantes da boa música carioca a participarem de dois eventos:

  • Caminhada Musical no dia 18/11 às 18h. Concentração na Ladeira do Castro no Largo dos Guimarães. A caminhada contará com artistas e grupos musicais.

  • Reunião no dia 20/11 às 15h. Será na Federação dos Trabalhadores Cristãos, Rua Almirante Alexandrino, 501, Largo dos Guimarães. A reunião pretende elaborar propostas para conseguir o retorno da música ao vivo aos bares do bairro.


Coloquei o manifesto completo como um comentário desta notícia, basta visitar aí embaixo para conferir. Aproveite também para dizer sua opinião a respeito do fim da música em Santa.

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Comentários dos leitores

Este é o texto do manifesto em defesa da volta da música a Santa Teresa:

EM FAVOR DO SAMBA E DO CHORO EM SANTA TERESA

"Vem, que passa teu sofrer
Se todo mundo sambasse seria tão fácil viver"
(Chico Buarque)


Conhecido por sua tradição artística o bairro de Santa Teresa se notabilizou por abrigar eventos culturais e pela sua noite que se tornou uma referência para os amantes da música. Nos bares se reuniam moradores, músicos e visitantes em animadas rodas de samba e choro, contribuindo para a transmissão e a preservação da memória musical brasileira.

Em abril de 1999 a Secretaria Municipal de Meio Ambiente proibiu a música ao vivo no bairro, numa ação que feriu valores culturais constitutivos de uma parte importante da história da cidade. Atentos a esta questão, destacamos ainda a diminuição de postos de trabalho para os músicos, garçons e trabalhadores informais e o aumento do número de assaltos no bairro, uma vez que as ruas desertas são um convite ao delito.

A comunidade de Santa Teresa, junto a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (AMAST), vem comunicar que já conta com mais de 1000 assinaturas (de moradores, amigos e músicos simpáticos à vida cultural do bairro) recolhidas via abaixo-assinado em favor da volta do samba e do choro ao bairro. Personalidades célebres do mundo do samba, compositores e sambistas responsáveis pela tradição musical da cidade do Rio de Janeiro, como Noca da Portela, Walter Alfaiate, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Luiz Carlos da Vila, Wilson das Neves, entre outros, também já assinaram o documento.

Diante da mobilização da comunidade de Santa de Teresa, interessada em manter a tradição musical do Rio, comunicamos a realização de dois eventos, o primeiro no próximo dia 18/11/99, às 18:00h, iniciado com uma concentração na Ladeira do Castro, no Largo do Guimarães, seguida de caminhada musical com a presença de artistas e grupos musicais. O segundo evento será uma plenária, no dia 20/11, às 15:00h, na Federação dos Trabalhadores Cristãos, Rua Almirante Alexandrino, 501, Largo dos Guimarães, com a presença de representantes da comunidade e de autoridades públicas comprometidas com a preservação do nosso patrimônio artístico e cultural, com o objetivo de construir propostas para o retorno da música ao vivo ao bairro.

Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1999,

Comissão Cultural da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa -
AMAST
Paulo Eduardo Neves
16 de Novembro de 1999 #

Apoio totalmente o movimento pela volta do samba e choro em Santa.
Porém o respeito aos direitos dos moradores que não queiram ouvir ou participar das rodas de samba deve ser preservado.
Não se trata da maioria querer a volta e os direitos de uma minoria ser desrespeitado. Estamos em um estado de direito e não de fato . Para isso o poder público, mais especificamente a Prefeitura deve exercer as suas funções normatizadoras, com presença de guardas municipais na rua, proibir carros com caixas de som no máximo de volume... Não podemos ser maniqueistas. Cuidado para não cairmos na lábia de políticos sejam eles contra ou a favor do samba. Tomemos uma atitude política, mas não político partidária.


Jose Augusto da Fonseca
17 de Novembro de 1999 #

O que será que a Secretária de Cultura Helena Severo tão ligada às causas da cultura pensa sobre o assunto? Será que a cidade não está precisando de mais atenção nas áreas realmente carentes?Porque não discutir acústica etc?É melhor jogar a cama pela janela no flagrante de adultério? Este é o Rio 2000.Mas como uma das características do samba é a resistência,vamos lá...
neise marçal
18 de Novembro de 1999 #

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