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Zeca Pagodinho faz show no Credicard Hall

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Por Danilo D'Addio Chammas
Publicada em 15 de Novembro de 1999 
Estado: SP 
Assunto: Shows e Rodas

Zeca Pagodinho volta à cidade dois meses depois da última temporada, devido ao sucesso de seu último CD, "Zeca Pagodinho ao vivo". Certamente não faltarão sucessos como "Verdade" ou "Vai Vadiar". Composições de Pixinguinha, Paulinho da Viola e Nelson Cavaquinho também estão no programa. Local: Credicard Hall (4.800 pessoas). Avenida das Nações Unidas, 17955, Santo Amaro, Tel.: 5643-2500. Sexta (19) e sábado (20), 22h. R$ 18,00 a R$ 50,00. Bilheteria: 9h/22h (seg. a dom.). Venda antecipada também nas bilheterias do Palace. Meia-entrada para estudantes somente na UNE (Tel.: 571-0751).

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Comentários dos leitores

Fim do show de Zeca Pagodinho no Credicard Hall, em São Paulo, e a
primeira coisa que vem a cabeça e escrever para a Agenda Samba & Choro. Assim, resolvi fazer isso assim que cheguei em casa.

Então, veio a cabeça: João Gilberto tinha razão. O Credicard Hall não é lugar para show de primeira linha, de quem vai pra ouvir, dançar e sair feliz da vida do que viu.

Inicialmente, a acústica é pavorosa. O som se perde no gigantismo da casa. O pé-direito do Credicard Hall é altíssimo e não há como segurar o som. É eco na certa.

Imponente por fora, por dentro o Credicard Hall não parece nem de
perto com seu concorrente direto, o Via Funchal. O piso das mesas é na
verdade um grande tablado, que, com certeza, é removível em dia de show para o público assistir de pé o espetáculo. Entretanto, fico imaginando as pessoas transitando naquele piso de madeira, se carpete, com João Gilberto, um banquinho e um violão. E ainda, o pessoal subindo e
descendo os degraus daquele tablado mal colocado com umas cervejas na cabeça. Pior, cerveja comprada a 4 reais. Pior ainda: é kaiser. Pior
ainda mais: é quente. Pelo amor de Deus! Quero meus cinquenta reais de
volta que paguei para entrar na casa e sentar numa mesa. E o Zeca não
tem culpa!

Meu caro Zeca, já vi você melhor. Lá no Tom Brasil. Mais aconchegante, menor, mais a sua cara e muito melhor para ouvir samba.
Entretanto, sei que você cresceu e na maioria das vezes tem que procurar
lugares grandes para atender ao seu público. Entretanto, o Credicard Hall não é a sua praia.

A nova casa de espetáculo de São Paulo tem uma divisão de platéia muito parecida com estádios de futebol. Tem as mesas (que poderíamos chamar de cadeiras azuis), depois vem as cadeiras (que poderíamos chamar de cadeiras amarelas) e lá em cima, há uns cinquenta metros de distância do palco, a arquibancada.

E você não perguntar onde fica a geral? A geral fica nos corredores de acesso as cadeiras. Ou seja, quem pagou 50 reais para assistir Zeca Pagodinho nas mesas azuis, dividiu o espaço com que pagou 25 reais, vindos da arquibancada e adjacências. A invasão
inevitável começa antes mesmo do show. A cara do pessoal que pagou por
lugar mais caro é a de impotência.

Zeca Pagodinho, entretanto, segurou a festa. No seu estilo, vestiu a camisa da Portela jogada pela platéia (a Portela é a escola do Zeca).

Entretanto, essa galera que vem da arquibancada é a que agita. O pessoal da mesa fica sentado. Só levanta quando a animação aumenta.
Esse pessoal que fica na geral é importantíssimo para qualquer festa. Principalmente quando é feita pelo Zeca Pagodinho ("Papa do samba",
> como diz Chico da Curimba). A galera da geral canta todas as músicas, quer dançar e aproveitar. Porém, essa democracia não funciona no
Credicard Hall, até porque o lugar não permite isso. Era melhor ter deixado tudo num preço só. Seria mais justo. Além do mais, o show do Zeca ficaria mais descontraído, mais solto. Com cara de samba.

Ao Credicard Hall, algumas dicas: a arquibancada tem que ficar mais perto do palco, as mesas têm que estar em chão firme (e não em tablado) e a galera que gosta de dançar o tempo inteiro (mesmo que
venha da arquibancada), reserve a eles as laterais.

Zeca Pagodinho e João Gilberto não têm culpa.

Augusto Diniz
Augusto Diniz
27 de Novembro de 1999 #

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