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Zé Ketti (1921-1999) |
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Comentários dos leitoresBelissima homenagem. Irrepreensível. Muito fiel a retratar nosso estado de desamparo diante de tamanha perda.
Impossível não ressaltar a beleza da homenagem tão bela, tão imediata. Mariaelisa Guimaraes. Meg. Há muito tempo não freqüento a Lista, vários foram os motivos. Mas essa notícia da morte do Zé Kéti e a homenagem da Agenda foi tocante e me fizeram lembrar a tarde que nós passamos na casa do Wilson Moreira, em março, se não me engano, e o Zé Keti chegou lá todo assanhado, brincando muito com as mulheres presentes, parecia um garoto. Depois que eu saí, eu soube que le cantou várias músicas com o Wilson, a festa foi até de manhã. Não vou esquecer aquela figura com a mesma camisa listrada e calça de linho branco, o chapéu e os sapatos também brancos, lembrando bons tempos com o Wilson, o Serrão. Se fosse na Nigéria, hoje seria dia de festa e não de choro. Quem viveu uma vida tão bonita, tão intensa e produtiva, não deve receber lágrimas e sim muita alegria por ter sido tão especial como foi.
Dá licença que agora vou ouvir todas as músicas do Zé que tenho em casa e vou curtir isso com muita alegria e festa dentro de mim. Jogral Silva Em junho do ano passado, lancei um trabalho, em Cd-Rom, sobre a Região Portuária carioca. Há muitos anos sou fã de carteirinha do Zé Kéti e de seu samba. Imaginei então que, no lançamento desse trabalho, ao qual eu havia destinado tanto tempo, energia e paixão, nada melhor do que me dar (e aos meus amigos que fossem ao lançamento) uma surpresa que fosse ainda mais emocionante prá mim do que estar concluindo o aquele projeto.
Resolvi então, convidar o Zé Kéti. Consegui seu endereço e fui lá na casa dele, na Estrada Velha da Pavuna, com meu marido e minha filha de 12 anos (ambos também seus fãs). Ele, sua filha Geisa e seu genro Meireles nos receberam super bem e, prá mim, foi uma emoção enorme aquele encontro. Alguns dias depois era o lançamento. Prá minha alegria, de repente ele chegou. E era a primeira vez que saía de casa, depois de uma entre várias fases de doença que vinham, há algum tempo, o enfraquecendo. A partir daí, foi tudo muito bonito e, felizmente, tenho tudo gravado em vídeo. Ele cantou todos os sambas que eu pedi, com todo mundo cantando junto (umas 700 pessoas no Centro Jose Bonifacio, um centro cultural de memória da cultura negra, na Gamboa). Depois de cantar "Mascarada", com aquele emocionado coral que não parava de pedir mais, ele me falou no ouvido: "- Puxa, você e seus amigos gostam mesmo de mim...". A música e a alegria continuaram - ele não largava o microfone, nem nós despregávamos os olhos dele - até que ele teve que parar, pois não se sentia bem. Começou a tossir e teve uma alta serissima de pressão, possivelmente motivada pela emoção que também o tomava. Foi direto pro hospital, ajudado por todos, mas muitíssimo a contra-gosto. Repetia todo o tempo: "- eu não sou de sair cedo, tinha tanta moça bonita... eu vou lá, mas vou voltar". Não vou esquecer. Ele era o samba, a voz do morro, sim senhor. Praça 11, Berço do Samba
(Zé Ketti) Favela do camisa preta Do sete cordas Cadê teu samba, Favela? Era criança Na Praça Onze Eu corria pra te ver desfilar Favela, queremos teu samba Teu samba era quente Fazia meu povo vibrar Até a lua, a lua cheia Sorria, Sorria Milhõs de estelas brigavam Por um lugar melhor Queriam ver a Portela Mangueira, Estácio de Sá e a Favela com suas baianas tradicionais Brilhavam mais Que a luz do antigo lampião a gás Fragmentos de brilhantes Como fogos de artifícios Desprendiam lá do céu E caíam como flores Na cabeça das pastoras E dos sambas de Noel Correrias, empurrões Gritarias e aplausos E o sino da capela Não parava de bater Os malandros vinham ver Meu samba estava certo, sim Enquanto as cabrochas gingavam No seu rebolado No ritmo da batucada De olho comprido, que nem bobinho Eu terminava dormindo na calçada De olho comprido, que nem bobinho Eu terminava dormindo na calçada Paulo:
Linda homenagem! Retrato da imensa escuridão que sentimos, da solidão que encheu nossos corações! Choramos nós, chorava a natureza! ... "a gente morre sem querer morrer .. é mais um coração que deixa de bater, um anjo vai pro céu ".. vai se encontrar com outros anjos que iluminam nossas almas com sua poesia maravilhosa! Grande Zé Ketti da Portela, Zé Quietinho, que tanto falou com nossos corações ... vamos continuar te amando sempre! "Acender as velas
Já é profissão Quando não tem samba Tem desilusão É mais um coração Que deixa de bater Um anjo vai pr'o céu Deus me perdoe Mas vou dizer O doutor chegou tarde demais Porque no morro Não tem automóvel pra subir Não tem telefone pra chamar E não tem beleza pra se ver E a gente morre sem querer morrer" ____________________ Há cerca de um mês e meio (ou dois, ou mais), quando fiquei sabendo, através de nossa tão querida "Tribuna do Samba & Choro", que o grande Zé Ketti se apresentaria, em pessoa, numa certa sexta-feira, no Lagoinha, cuja Roda de Samba há tempo já se tornou uma das melhores do Rio de Janeiro, logo senti que aquela noite seria imperdível, não só porque ela seria dividida com outro grande nome do samba, Guilherme de Brito, mas também porque poderia talvez ser a minha última chance de assistir ao vivo o autor de "Diz Que Fui Por Aí" e "Mascarada", cantando esses e outros lindos clássicos de nossa música popular, que amo desde a primeira vez que os ouvi. No mesmo dia, jurei que ainda que me prendessem, me batessem ou me deixassem sem comer, ainda assim eu passaria por cima de tudo e, naquela sexta-feira eu daria um jeito e acabaria aportando na Terra de São Sebastião... No entanto, acabei não cumprindo a promessa que tinha firmado comigo mesmo e, no final das contas, vi meu palpite virar premonição... Hoje Ze Ketti, como "Malvadeza Durão", já fechou o paletó. "Foi por aí, com seu violão debaixo do braço..." E merece, sem dúvida, todas as homenagens possíveis, por tudo o que fez por nossa música... Parabéns, meu caro Paulo Neves, pela linda página... Nada mais adequado... Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí, com um velho LP debaixo do braço, que eu levei pro Zé assinar. Perdi a oportunidade naquela sexta à noite no Lagoinha, em que ele era a atração maior, e em que os aplausos quando chegou o velho sambista foram mais fortes que a sua voz tão cansada. Só que a emoção não deixou ninguém perceber. Hoje sem dúvida o Zé vai estar no Bip Bip, como em tantos outros domingos. Estou esperando para o autógrafo. Eu e seus outros filhos, todos nós, brancos de alma preta retinta. O seu copo está separado, o pessoal já começou a esquentar com aqueles sambas se sempre. Mais um samba, Zé, queremos samba. Você sabe que tem muitos amigos, que é popular. E nós todos estamos na cidade, estamos na favela, estamos por aí sempre pensando em você. Me dê as flores em vida...
Zé Renato fez mais: fez um disco inteirinho dedicado ao Zé Kéti. O disco é belíssimo e obrigatório para quem gosta de samba e dos Zés. O pesquisador de samba Jorge Salek escreveu o texto abaixo para o boletim da turma do Circuito Mauá. Achei que valia a pena transcrever:
"Se alguém perguntar por mim... Pois é, o grande Zé Kéti se foi. Mas estará sempre conosco, porque autor de obra imortal, imortal é. Cada vez que ouvirmos A Voz do Morro, Diz Que Fui por Aí, Opinião, Acender as Velas, Máscara Negra, Mascarada, O Meu Pecado, Jaqueira da Portela, Malvadeza Durão, Nega Dina ou Leviana, será como se ele estivesse chegando com o violão embaixo do braço. A afinidade do Circuito Mauá com Zé Kéti vai além do samba. Primeiro porque o pai dele, marinheiro, participou da Revolta da Chibata, liderada pelo Almirante Negro. No dizer de João Bosco e Aldir Blanc, isso foi há muito tempo (1910) nas águas da Guanabara (bem em frente à Praça Mauá). Segundo, qual foi o astro da mpb que se apresentou, já idoso, na festa de lançamento do cd-rom Circuito Mauá, emocionando todo mundo e a si próprio? Ele. José Flores de Jesus, o Zé Quietinho, Zé Quieto, Zé Quéti, Zé Kéti, era natural daqui do Rio de Janeiro: nasceu em Inhaúma, 1921. Freqüentou a Portela, os terreiros e os morros da cidade. A voz do morro era ele mesmo sim senhor. O começo foi duro, mas ele venceu: no carnaval, no cinema, no Zicartola e no Opinião, mostrou ao mundo que tinha valor. Hoje ele nos deixa tristes, mas em compensação os seus sambas vão continuar, por muitos e muitos anos, a levar a alegria para milhões de corações brasileiros. (Jorge Salek, para o boletim Circuito Mauá)" Zé Kéti
José Menezes 17/nov/1999 Quem anda na rua e ouve o pandeiro, o violão, o cavaquinho e o surdo. Já o viu em pé, chegando devagar. Já ouviu e cantando sempre irá lembrar, que a Máscara Negra do nosso carnaval não resistiu a saudade do amor e foi cantar em outros carnavais. Zé Quieto estará pra sempre presente na nossa Opinião. Meu Pecado
(Zé Keti) O meu pecado Foi querer na minha mocidade Amar tantas mulheres O tempo já passou Eu tenho saudades O meu pecado Foi passar as noites em serestas E bebendo por aí Pela cidade Nem com dinheiro As mulheres já não Me desejam mais Ai se eu pudesse Voltaria aos Meus tempos de rapaz Em meio a maravilhosa roda de samba do Celeiro do Samba em SP, alguem comenta :
_ Paqüera, ZE KETTY morreu. O samba parou, os passistas pararam ,as pastoras calaram e um silêncio triste tomou conta da roda de samba. Parecia que o samba tinha exaurido o seu último suspiro.Mas em meio aquela tristeza, alguem lembrou de um samba do mestre e pediu o tom, sim o tom e a "Voz do Morro" rompeu o silêncio e o Celeiro do Samba fêz o gurufim em homenagem ao Mestre. Paqüera NÓS, OS BRASILEIROS, ACABAMOS DE PERDER UMA DAS MAIORES MENTES COMPOSITORES
QUE POR AQUI JÁ PASSARAM. EM CONTRAPARTIDA, O CÉU ACABA DE GANHAR UM NOVO GÊNIO DO SAMBA E A UMA HORA DESSAS TODOS POR LÁ JÁ DEVEM ESTAR CANTANDO E BATENDO O GARFO NA GARRAFA E BALANÇANDO CAIXINHAS DE FÓSFORO, EM FESTA PELA CHEGADA DO GRANDE ZÉ KETTI. QUE DEUS O ILUMINE, MESTRE, E QUE NÓS CONSIGAMOS SUPORTAR SUA AUSÊNCIA. Há seis anos fui a um barzino aqui em São Paulo, no bairro de Pinheiros, com mais 2 amigos. Surpresa: Zé Ketti estava dando uma cancha. Sem cerimônias, da nossa mesa, eu e meus amigos fizemos coro. Acho que cantamos todas as músicas. Depois com a maior simplicidade ele veio até nós e gritou "garçom, esta é a minha mesa". Contou histórias, rimos muito, cantamos mais um pouco, ficamos bêbados juntos. Madrugada nos despedimos dele embriagados de emoção com caipirinha. Aquele bar já não existe mais, nem lembro qual de nós três voltou dirigindo o carro, mas a memória daquela noite com Zé Ketti continua vivendo.
Estava a duas semanas da estréia de um show onde o grupo em que eu canto homenageará grandes sambas e sambistas da MPB quando recebi a notícia da perda de mais um destes sambistas. Meu medo é saber que dentro em breve poderemos não ter mais nenhum grande nome no samba. Nosso show por exemplo tem agora apenas um compositor vivo: Paulinho da Viola. Mas gostaria de parabenizar e agradecer a iniciativa da agenda em nos dar espaço para podermos falar de nossa tristeza. Viva Zé Keti e o samba brasileiro!!!
O Jornal da Tarde fez uma bela reportagem sobre o falecimento do Zé Ketti.
Parabéns aos responsáveis por esta página. Realmente é uma perda irreparável a do nosso querido Zé Kéti, seus sambas serão eternos devido a ótima qualidade de suas composições, não tenho dúvidas. Tenho como samba preferido "A voz do morro", um clássico. Sinto também pela minha querida Portela, que perdeu mais uma personalidade. Salve o samba !!!!!
A banda do Zé Quietinho chegou e já deve estar fazendo o maior fuzuê no céu a essas alturas - gente, o que Deus não deve estar curtindo!! Cara de sorte esse Deus, né? Já deve estar de porre cantando "Leviana" para a Virgem Maria... Ei! E aquele lá dando uma canja não é o Plínio Marcos??!!
(só assim para aliviar a dor, né?! Que novembro...brrr!!!) Julio Muito justa a homenagem ao grande Zé Ketti.
Nunca é tarde para lembrar e ensinar aos mais novos quem é quem na música popular. O senador Artur da Távola também escreveu um bacana texto de despedida no jornal "O Dia".
CÉU DE ESTRELAS
Zé Keti foi por aí Com um violão debaixo do braço, Acertou o passo, adentrou o paraíso E encontrou uma roda de bambas: A fina flor do samba o saudou Nelson, que já se chama saudade, Com seu cavaquinho, o abraçou. Um anjo moreno, como criança louca, Cantava e dançava com Candeia Clementina lhe avisando: não vadeia Geraldo tomando a cachaça trazida por Carlos Abraçava sua escurinha dizendo: ô, que samba bom! O Rosa, que fala, mas também exala o perfuma que rouba de ti, Chegou com Cartola. Se atrasou, pois não sabia com que roupa ir. Clareou quando a sereia sambou na beira do mar Manacéa, de emoção derramou tantas lágrimas Que viraram estrelas e o céu se iluminou. E por uma noite foi feliz O povo do meu país Tive a oportunidade de no ano de 1994, durante a preparação de uma grande festa no Mês de novembro Leia-se ZUMBI DOS PALMARES, se não me engano 300 anos de ZUMBI, conhecer pessoalmente esta figura de peso no cenário musical Brasilieiro. Tudo graças a uma grande persona que muito faz pelo nosso velho e bom SAMBA: A assessora de assuntos afro-brasileiros da Secretaria de Estado da Cultura de SP. Theresa Santos. E naquele momento, passei a admirá-lo de forma continua.
Tenho apenas 01 CD e 01 LP "Conjunto a voz do morro" da fera, mas procuro acompanhar na medida das possibilidades tudo o que é possível sobre o Grande e inesquecível e porque não dizer, rompedor de barreiras "Bossa Nova" ZÉ KETTI. Mesmo não sendo possível ler essa mensagem, deixo aqui a minha mais sincera admiração. E às vezes, me pego a pensar: O que será de nós os apreciadores do velho e bom samba-verdadeiro, depois que estas maravilhosas gerações passarem desta para uma melhor? No projeto "Boteco do Cabral", em homenagem à Portela, tive a oportunidade de ver e tietar outro grande do samba: Argemiro (Velha Guarda da Portela). Caros amigos desta RESPEITÁVEL PÁGINA, ficaremos nós nas mãos de gente da pior estirpe, como o povo das gravadoras multinacionais? Creio ser um caso muito sério. Salve mestre Zé Ketti!!!! Me empolguei um pouco, mas são tão poucos os lugares onde se pode falar sobre um assunto que tanto aprecio, que acaba por acontecer dessas. João Djalma Minha maior tristeza, alem da perda da qualidade humana e musical para o nosso pais, e a dificuldade de se pesquisar a vida e obra deste nosso sambista nao reconhecido mais intensamente pela midia.
Pesquisei em bibliotecas e agora estou na internet e nada encontrou. Porque? é de interesse de poucos, infelizmente... Cristiana Lembro de Zé Kéti cantando no Lapazes; lembro de Zé kéti almoçando feliz nas rodas de samba de Santa Teresa, junto com Nelson Sargento; lembro de Zé Kéti - que tinha Jesus e Flores no nome - rindo de alguma coisa dita por Monarco; lembro de Zé Kéti fazendo carinho em seu chapéu; lembro de Zé Kéti sempre dizendo alguma coisa boa pra alguém. Quem lembra de Zé Kéti, lembra do que eu lembro. Lembrem-se de Zé Kéti!!!
Sem dúvida que vcs acertaram na chamada deste site: "Um dos grandes do samba"
Vou escrever uma música do Zé mas não sei se o título certo. Leviana, O azar é o seu Em vir me procurar Me abandona me deixa Não quero mais ver A luz do seu olhar Você manchou um lar que era feliz E agora quer voltar Leviana, sinto muito mas vai atrasar minha vida Leviana, precisando até posso lhe dar guarida Mas o meu lar, sente vergonha como eu O nosso amor morreu. Zé Ketti Como sempre voces estão atenciosamente lembrando dos grandes artistas brasileiros. Parabéns!
Aproveito prá avisar que as sextas-feiras e aos sabados às 21:30, estarei cantando samba-choro e bossa na Cobal de Botafogo no bar Espírito das Artes. Lá cantarei não só o grande Ze Ketti como também outros grandes da música brasileira. Apareça, voce é convidado! E se puder me ajude na divulgação.Obrigada. Um abraço! Foi com imensa tristeza que ouvi os meus filhos cantando trechos das músicas mais importantes do Zé Keti, sem saber quem era o autor.
Muito obrigada ao Paulo Neves do Samba-Choro, e a todos aqueles que aqui expressaram seus sentimentos com relação ao meu pai. Eu e meu marido Onesio Meirelles, elaboramos o Projeto" Ze Ketty Vive ", cuja proposta é preservar sua a memória por intermedio de suas músicas, em Shows, com o cantor Roberto Meira (neto)e a familia Ketty.
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