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Reportagem no O Globo discute preços das casas de samba da Lapa

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 13 de Junho de 2004 
Assunto: Sítios pela Internet

Nos últimos anos várias novas casas de boa música brasileira têm sido abertas na Lapa carioca. Há tempos o Rio de Janeiro não tem tão boas opções musicais como hoje em dia. Só que ultimamente os preços têm ficado bem salgados, não sendo raro cobrar R$4 por uma latinha de cerveja. O jornalista João Pimentel publicou no jornal O Globo a reportagem Shopping Samba, onde discute o assunto. Não deixe de ler a segunda e terceira parte da reportagem.

E você, o que acha dos preços praticados pelas casas da Lapa? Dê sua opinião aí nos comentários.

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Comentários dos leitores

A reportagem está muito boa. O Rio Scenarium e o Carioca da Gema tendem mesmo para se transformarem em casas de turistas, globais e magnatas, coisa que não combina com o Samba. Mas ainda existem outras opções para a raiz do samba, com preços adequados.
Mário Côrtes Duarte
13 de Junho de 2004 #

Uma pena que a revitalização da Lapa, o ressurgimento do samba de velhos mestres só possa ser apreciado por uma classe elitista ou por turistas que chegam a pagar R$4,00 em uma lata de cerveja (quase 300% de lucro) e R$6,00 numa cerveja de 600ml.
Isso sem contar a máfia dos flanelinhas se apropriou das ruas da cidade que nós pagamos imposto.
Chega de extorsão !!!
Alexandre Franco Candido
14 de Junho de 2004 #

me parece que el trabajo de ustedes los brasileños es muy bueno y en susu especialidades coo el foot-ball o su bailes de samba es muy bueno.
LUISA ROSSELL
14 de Junho de 2004 #

Eu também estou revoltada com os preços das Casas de Samba da Lapa.Inclusive dos ingressos. Deixei de freqüentá-los. É muito melhor ir às quartas-feiras no Guaabara, onde assisto pagode de mesa da melhor qualidade e agora às sextas no Boqueirão, onde inclusive assistirei Wanderley Monteiro dia 30 deste. Ingressos de 5 a 7 reais. Cerveja garrafa normal 3,00. Que tal?
Nanci do Vale
15 de Junho de 2004 #

Caros...

O mais impressionante é a reportagem do JB entrevistando os "comunistas" do Semente. Parece piada. De péssimo gosto. Os caras de pau, que se entitulam comunistas e politicamente corretos, estão vendendo cerveja Itaipava pela singela bagatela de R$ 4,00!!!!! ahahahhahah!!! Capitalismo é isso!! $$$$$$$$!! Assumam a condição de empresários capitalistas, senhores.
Alberto Gomes
15 de Junho de 2004 #

Eu, sambista do Brás, parabenizo a evolução do samba na Lapa carioca.
fabioeit@uol.com.br
15 de Junho de 2004 #

Este destino da Lapa já estava traçado há muito tempo. Desde quando as rodas de samba nas ruas - como a do Bar do seu Cláudio (quantas vezes amanheci ali...), do Ivan Milanês, do Marquinhos - foram perdendo espaço para essas casas, seus couvert (que não vão para o artista) e suas cervejas super-caras. O destino só podia ser esse mesmo. Quase nunca apareço na Lapa. Se me convidar prar ir no Carioca da Gema vira meu inimigo! Mas quem gosta daquela roda de samba, não tem do que se lamentar. É só ir no cacique, na roda do carlinhos doutor (cascadura), nas rodas do Negão. Sexta passada, estava eu ao ar livre, às margens da Baía de Guanabara, Pão de Açucar de um lado e Redentor do outro, tomando cerveja skol a R$3, ao lado de gente que gosta e entende de samba, ouvindo uma deliciosa roda com Wanderley Monteiro e Bandeira Brasil. O ingresso custou um dos R$7 mais bem pagos da minha vida.
Carlos Frederico Coelho Bittencourt Silva
15 de Junho de 2004 #

As casas de samba da Lapa são voltadas para um público com alto poder aquisitivo e tem justamente como objetivo afastar gente sem grana. Mas a Lapa felizmente não é só isso. Todas as quintas-feiras, a partir das 23h há uma ótima roda de samba no Bar 100%, na Joaquim Silva. Esta roda é integrada pelos últimos remanescentes da roda que rolava no Seu Cláudio. Não se paga nada para entrar e a Skol em garrafa é 3,00. É frequentando estes espaços que poderemos realmente tentar reerguer a nossa Lapa.
Nadja Nicolaevski
15 de Junho de 2004 #

Há muito tempo, na Tribuna Livre, eu já apontava as tendências que Janjão Pimentel descreve nessa excelente reportagem, que faz justiça aos pioneiros do lugar - notadamente Ivan Milanez e Marquinhos de Oswaldo Cruz - quando a Lapa era ainda considerada um lugar perigoso, terra de ninguém.

Mas o que não pode passar despercebido é que isso é um processo natural. A tendência mesmo da Lapa é abrigar os turistas estrangeiros e o público que se aproxima do samba unicamente em função do modismo (e que se afastará quando for a hora, em sua maioria). Assim como acontece em Havana, em Paris ou em qualquer grande cidade. Algumas medidas poderiam ser pensadas para se equacionar os problemas, como achar uma forma de cobrar mais dos turistas com maior poder aquisitivo (acrescentando ingressos em pacotes turísticos, por exemplo); seria importante, também, uma ampla conscientização e organização dos profissionais músicos e técnicos para que possam justamente participar da divisão dos lucros que ajudam a gerar.

Entretanto, o samba é a expressão de uma cultura, de um modo de ser e vivenciar o mundo, que não sobrevive isoladamente como um gênero musical. Ele se nutre do pano de fundo de uma cultura a partir da qual ele brotou e em cuja voz se transformou. É certíssimo que nas fontes originais em que o samba sempre bebeu, no subúrbio, na baixada (nos morros um tanto menos, atualmente, por motivos óbvios), continuará a ser celebrada a cultura do samba, que encerra tradição, hábitos, costumes, ética todos próprios, que raramente se reproduzem nesses ambientes a que o público, digamos, “exterior” tem acesso. E ainda bem, porque é disso, no fundo, que nós gostamos: da camaradagem, da simplicidade, da integração, da "boa" malandragem etc.

Aqueles que estão em busca da música da novela, à onda do momento, chegarão somente aos lugares mais evidentes e mais adaptados aos hábitos de consumo desse novo público. Não acho que a principal preocupação seja com os ambientes tradicionais de samba, que continuarão a ter seu espaço, onde esse público mais "exterior" ou não chega ou, chegando, encontra uma resistência já em estágio superior de consolidação. A saudável preocupação é aproveitar esse novo público que agora se aproxima “pelas beiradas” e tentar aproximá-lo dos outros valores de brasilidade e de resistência cultural que o samba encerra, sobre os quais já tive oportunidade de tratar em artigo publicado nesta prestigiosa Agenda.

E "en passant" aproveito para anotar que não é só na Lapa Carioca que o fenômeno vem ocorrendo. São Paulo já experimenta uma onda de novas casas de samba destinadas ao público que tem-se aproximado do gênero mais recentemente, com padrões de preço compatíveis com o seu poder aquisitivo.
Fernando José Szegeri
15 de Junho de 2004 #

Vou discordar da maioria, acho que as casas de samba da Lapa são baratas. E torço que fiquem sempre cheias e que apareçam outras cobrando os preços do Rio Scenarium e do Carioca da Gema.

Estas casas são voltadas para um público de classe média, para o qual os preços estão abaixo do mercado. É mais caro R$18 para passar uma noite inteira ouvindo alguns dos melhores músicos brasileiros ao vivo, ou R$15 por uma seção de cinema de 1h30 com a última porcaria de Hollywood? A Lapa é um programa mais barato e melhor do que qualquer bar e boate da moda da Zona Sul e Barra. Beleza que a turma que pode pagar ouça música brasileira em vez de estar ouvindo a última batida eletrônica. Talvez até passem a gostar mais de nosso país. Tomara que todo o turista passe a frequentar a Lapa em vez de achar que o acontece no Plataforma é cultura brasileira.

Não vejo o que há para reclamar. Torço que as casas fiquem sempre cheias. É como reclamar do preço de um restaurante chique que eu não posso pagar. Independentemente do preço, gosto mesmo é de frequentar as rodas que o Fred citou lá em cima. Mesmo não tendo músicos tão famosos, têm um ambiente e público muito mais legais. Não faltam opções boas e baratas para quem curte samba.

Quanto aos músicos não serem bem pagos, acho que é uma outra questão. Não é fácil manter uma casa aberta, os custos são altos, é preciso pagar taxas, custos e pessoal independentemente se a casa encheu ou não. Se um sujeito senta em uma mesa e nada consome, eles perdem dinheiro. A própria Comuna do Semente, que não paga os músicos que se apresentam e a quem trabalha, não se mantém com facilidade (vale lembrar que quem gosta de fazer caridade é católico, não comunista). Infelizmente o próprio jornal O Globo fez uma reportagem denunciando a consumação mínima como ilegal, o que acabou com sua cobrança.

O mal tratamento dos músicos é fruto principalmente de sua desunião como classe. Nenhum deles reclama dos preços, mas de comerem uma fatia pequena do bolo. Se quiserem se organizar, ofereço o espaço da Agenda para ajudar. Somos lidos por boa parte dos músicos da Lapa.

Por fim, vale lembrar que alguns dos melhores momentos da música brasileira, e do samba em particular, aconteceram quando era apreciada pela classe média. Seja a época de ouro do rádio, ou turma de esquerda dos anos 60. É preciso ter gente com grana para consumir discos e pagar shows para que o samba não fique no gueto.
Paulo Eduardo Neves
15 de Junho de 2004 #

Paulo Neves escreveu:
- É como reclamar do preço de um restaurante chique que eu não posso pagar.

Não é bem isso, Paulo. É como reclamar que o restaurante pé sujo que eu sempre comi - e que se tornou famoso por eu tanto ter comido lá - agora resolveu ser chique e me expulsar de lá. E não é só pelo preço. Quem freqüenta roda de samba sabe a diferença que há (inclusive com reflexo na qualidade musical) entre o público que conhece e os turistas (aqui enquadrando os cariocas que vão porque é moda).

E digo mais! No próximo comentário vou dar uma bela Tinhorada para falar de mais essa apropriação da cultura popular pela elite! :)
Carlos Frederico Coelho Bittencourt Silva
15 de Junho de 2004 #

SENDO EU ,MÚSICO, GOSTO DE TOCAR COM A CASA CHEIA(E QUAL O MÚSICO QUE NÃO GOSTA?), MAS INFELIZMENTE DEVIDO AO ALTO PREÇO DO INGRESSO E DO CARDAPIO, MUITAS VEZES, AS CASAS ESTÃO VAZIAS.FICO PERPLEXO EM VER A GANÂNCIA DOS DONOS DESTAS CASAS, EM MANTER OS PREÇOS ALTOS. SEM CONTAR QUE OS MÚSICOS SÃO ROUBADOS EM SEU COUVERT ARTISTICO. POR ISSO PAREI DE TOCAR NA LAPA. E SE VOCE GOSTA DE CURTIR UM BOM SAMBA, APARECE EM VILA ISABEL (BAR PARADA OBRIGATÓRIA) TODAS AS SEXTAS-FEIRA, NO PAGODE DO CARLINHOS DOUTOR(PROJETO PAPO DE BAR), APRESENTANDO SEMPRE UMA ATRAÇAO,COM COUVERT A R$5,00 E CERVEJA GELADA A R$3,00. A LAPA É COISA PRA MAGNATA.
antonio f barbosa
16 de Junho de 2004 #

Qualé, Fred? Quer dizer que você deixou de frequentar a Joaquim Silva por causa dos preços do Rio Scenarium? Você deixou de frequentar porque a Prefeitura proibiu qualquer coisa no meio da rua. O fato das casas só terem "turistas" (como você definiu) não é problema de quem não pode frequentar, mas sim delas mesmo que ficam com menos divertidas e com um ambiente menos autêntico. Continuo achando que a Lapa é um programa barato para o que oferece. E também estou aguardando sua tinhorada para animar o debate:-).
Paulo Eduardo Neves
16 de Junho de 2004 #

Donos de casa metendo a mão no couvert dos músicos. Olha eu ainda estou pra ver uma classe tão desunida como essa dos músicos.
Alexandre Rocha
17 de Junho de 2004 #

Realmente constato que a Lapa mudou de público. Não raro era a gente fazer qualquer programa e acabar na Lapa. Tantas vezes fomos ao antigo Semente, Casarão Cultural dos Arcos, Emporium, Carioca da Gema, Rio Scenarium e ver os melhores músicos, sem desfalcar o nosso orçamento. Hoje só em dia de aniversário e olhe lá...Meus amigos reclamam da mesma coisa, dos preços exorbitantes. O Rio Scenarium é uma ótima casa, sem dúvida, mas não é pra quem gosta de sair sempre, não dá mesmo! É para turistas e por isso já até apelidaram-na de "Rio Mercenarium".
Mas nem tudo está perdido. Quem gosta de samba e acessa a excelente Agenda Virtual do Samba&Choro tem alternativas e dicas ótimas, muitas vezes acessíveis e, até mesmo, de graça como, por exemplo:
Os Escravos da Mauá nesta sexta-feira, dia 18/6, a partir das 19:30h., no Largo de São Francisco da Prainha, o 100% na Lapa e, domingo, dia 20/6, a partir das 14h., na Associação Atlética Light, no Grajaú, o show do Moacyr Luz & Lume-Candiá, onde a cerveja skol 600ml custa R$2,50 e os shows são 0800, de grátis".
Candido Spinelli Pardal
17 de Junho de 2004 #

As casas da Lapa realmente são caras, mas não devemos achar que o samba tem que ser vendido barato, é o nosso melhor produto, temos que valorizar. Na verdade quanto mais samba tocar melhor e em todos os níveis, não precisamos ficar só no gueto.
Antes da Lapa ressurgir poucas pessoas curtiam samba (só viamos aqueles grupos de cabelos oxigenados, fazendo coreografias no palco, dizendo que eram pagodeiros), hoje tenho amigos que frequentam casas e rodas de samba todas as semanas, cantam quase todas as músicas e compram CD dos nossos novos talentos.
Eu já não frequento a Lapa como antes justamente por causa dos preços, mas tenho várias opções de samba mais baratas, hoje por exemplo estarei no Boqueirão, curtindo aquele pagode da melhor qualidade.
Samba para todos!!!!!
Gerson Duran
gerson duran
18 de Junho de 2004 #

Bom, o samba tá caro mesmo, mas nem todos. O Casarão Cultural dos Arcos, por exemplo, cobra 8,00 reais de couvert e tem ainda as sextas que rola meia-entrada.
Agora, dizer que é tranquilo vc pagar 18,00 reais para ouvir bons músicos e ainda por cima pagar 6,00 na cerveja, é meio sem noção.
concordo que deve-se prestigiar o músicos e que é merecido a este receber bem por seu trabalho, mas quem é que tem 50,00 reais para gastar todo o final de semana?
As casas que cobram mais barato não tem espaço na mídia para divulgação e poucos são os que sabem da existência delas.
É uma situação complicada, não dá para fazer uma análise simples.
Bruna Nunes
18 de Junho de 2004 #

no se estresen, que aqui en Buenos Aires, casi que no hay samba. Y el tango con orquesta en vivo esta realmente caro, la gente se acostumbro a bailar sin musicos.
ruper
21 de Junho de 2004 #

Ola amigos do samba e da boa musica,
aproveito a oportunidade para convidar a todos para o evento que vem ocorrendo todas as terças feiras, a partir das 20 horas, na Cachaçaria Mangue Seco, na rua do Lavradio 23 sobrado, que foi denominado "PROJETO NOVA OPINIÃO", onde o espaço musical é ocupado por excelentes artistas (músicos, cantores, poétas, compositores) não tão badalados na mídia, mas, de enorme importância pelos sucessos já gravados por diversos artistas e, pelas obras inéditas que possuem, num ambiente totalmente descontraído. Por lá ja passaram Jotabê, Adilson Bispo, Toninho Geraes, Flavio Moreira, Bicudo, Leandro Fregonesi, Ciraninho, Ari do Cavaco, Alceu Maia, Jurandi da Mangueira, Wanderley Monteiro, Iracema e outros, que realizaram excelentes shows. Ainda como sobremesa, temos as apresentações dos idealizadores e ancoras do projeto (Flavio Oliveira, Riko Dorileo, Pc Ribeiro e Sergio Marba) que também mostram suas obras e, do Grupo Nova Opinião, formado por Daniel Neves 7cordas, Alex, Joe e Bira na percussão e, o excelente cavaco chorão do Siqueira, único músico ainda entre nós, da banda do Pixinguinha. Lá, o ingresso é R$6,00, a cerveja gelada de 600ml custa 3,50, a cachaça é da melhor qualidade, pois a carta tem mais de 100 marcas, ou seja, o ambiente é bom para qualquer sambista. Alô Janjão e todos os amigos do samba e choro, passa lá para tomar o chá de macaco com a Gente. Agenda: dia 22/6-Baianas da àguia e Jacyr da Portela, 29/06- Alvaro Caetano (Pres.e compositor da Mangueira) e Agenor de Oliveira, 06/07- Walmir Barbosa e Ircea Pagodinho, 13/07-Henrique Damião e Donatiho, 20/07-Tânia Machado e Chico Donadoni e 27/07- Zé Keti vive, noite de homenágem trazendo músicas inéditas do Zé Quietinho.
A produção e o samba agradecem.
flavio mattos de oliveira
22 de Junho de 2004 #

É TRISTE TODO MUNDO GANHA DINHEIRO COM O SAMBA, MENOS QUEM FAZ SAMBA, OU SEJA OS COMPOSITORES.
O MUSICO GANHA, O CANTOR GANHA, O DONO DA CASA NOTURNA GANHA A GRAVADORA APESAR DA PIRATARIA GANHA O RADIALISTA GANHA.
AGORA O VERDADEIRO RESPOSNSAVEL PELOS BELOS MOMENTOS DE MUSICA E POESIA QUE TODOS PAGAM BEM PARA CURTIR, ESSE NÃO GANHA NADA, E AINDA TEM QUE PAGAR PARA OUVIR AS SUAS GRANDES OBRAS.
Luiz Augusto Brito - LUIZÃO
22 de Junho de 2004 #

Essa lógica de que "É preciso ter gente com grana para consumir discos e pagar shows para que o samba não fique no gueto" é muito perversa, se o debate entrou por essa seara, devemos nos questionar então, pq de certa forma o samba ainda é marginalizado no mercado fonográfico, pq os preços dos cds são caríssmos e a verdadeira população que ouve samba não pode comprar. Naturalizar esse tipo de movimento, onde os ricos nos sustentma é muito complicado.
Camila Clementino Lamarão
22 de Junho de 2004 #

Os preços são altos, mas os músicos que tocam nessas casas tem que trabalhar e ganhar dinheiro para viver. Quanto a questão da divisão é complicada e quem está dentro não quer sair porque não tem trabalho fora que lhes dê aquele cascalho, que em muitos casos é bom demais.
O lado bom é que está tendo música de excelente qualidade. Para quem quer pagar menos é só ir ao baile de Sambado grupo Anjos da Lua no Clube dos Democráticos, às quintas-feiras. A entrada é R$ 10,00 e R$ 7,00 para estudantes. É a nova gafieira da Lapa com uma pista maravilhosa para se dançar, sem falra dos músicos: Gallotti, Pedro Holanda, Mariana Bernardes, Sandrinho, Rubinho Jacobina e Sergio Krakowski, uma verdadeira seleção da Lapa. Imperdível, e a cerveja custa R$ 3,50 a garrafa.
Nano Ribeiro
22 de Junho de 2004 #

Acho que esta página está mais lida por organizadores de rodas de samba do que frequentadores. Todo mundo aproveita para anunciar a sua!
Paulo Eduardo Neves
22 de Junho de 2004 #

Acho que os preços dos ingressos da Lapa estão realmente um absurdo, assim como as bebidas e as comidas. Entendo que quanto mais "arrumadinho" o local
mais caro tende a ser devido ao custo de manutenção, mas não precisa explorar. Podia ser menos, principalmente nas bebidas que custam para eles o mesmo preço que custa para um "pé sujo". Acho bom freqüentar um lugar bonito com boa música, mas vamos dar oportunidade às pessoas de bom gosto e pouco dinheiro, certo?
Shirley Araujo
SHIRLEY
23 de Junho de 2004 #

eu acho que esse boom da lapa virou a cabeca de todo mundo,dos musicos, dos donos das casas,enfim.convenientemente,proibiu-se o samba por um tempo,na rua.ai, pressionaram as casas com a estoria do alvara,tratamento acustico,o que dispende uma grana pros donos de casa.ai, eles resolveram cobrar um couvert irreal,com um preco de cerveja mais irreal ainda,pegaram 50 por cento do que deveria ir integralmente pros musicos, e apareceu essa raca, os "produtores",que fazem uma panela de musicos circular nas casas,e que desune os musicos.vejam o exemplo do flavio santoro,que trabalhava no democraticos.fez um sucesso danado, ate descobrirem que ele roubava dinheiro da tereza cristina e do anjos da lua.a classe musical ficou indignada,ninguem mais trabalha com ele,salvo umas rarissimas excecoes de safados iguais a ele.ele ficou divulgando sambas de grupos de amigos, como o parangole,casuarina,que eu imagino que nao compactuem com ele.fica chato,todo mundo polemiza,parece que e de proposito, so pra um desconfiar do outro.o samba na lapa nao e mais uma manifestacao democratica,e um produto que e vendido pra quem pode comprar, infelizmente.isso causa um "salve-se quem puder entre os musicos,que estao na batalha pra conseguir mostrar seu trabalho.so o amiguinho do "produtor" que se da bem, por que o produtor e "amiguinho" dos donos de casas.fica uma exclusao generalizada,entre os musicos que nao tem um produtor por tras,a galera que nao tem grana pra entrar nesses lugares.no final o que acontece? cinco grupos dominam a parada,que so tocam pra GRINGO e RICO,me desculpem, mas a frequencia do rio cenarium e do carioca da gema e essa e ponto,quem discordar, nunca pisou num desses lugares.eu so entro por que eu toco, sou do meio musical,nao pago nada,por que se nao fosse,nao teria grana pra entrar,ia tomar cerveja e batucar do lado de fora!
roberta nistra
23 de Junho de 2004 #

Fala sério!
Roda de samba na Lapa, para interesados em descolar um novo point, influenciados pelo modismo que se tornou frequentar os "sobradinhos", pagando uma grana para assistir a espetáculos previsíveis, elitistas até mesmo em seus repertórios, é programa de quem cai de pára-quedas, ou por falta de conhecimento - por muitas vezes não saber onde fica, e nem se interessar, é verdade - de lugares mais distantes do centro cultural, frequentados por menos intelectulóides.
Cacique, Pagode do Guanabara ( Nézio e Negão), Império às terças - agora de volta - , e tantos outros, de melhor qualidade.
Gulherminho Lawson.
guilherme Lima Ladário
25 de Junho de 2004 #

Como frequentador de rodas de samba há mais de 20 anos, quando não se cobrava couvert, eu divulguei sim o Baile do Anjos da Lua, no Clube do Democráticos. Como produtor eu também divulguei, e acho que tem que ser divulgado, a iniciativa dos músicos de arrendar um espaço e arcar com os lucros ou prejuízos do evento. Não me sinto "organizador" e sim produtor, que é minha profissão, e estou nesse trabalho por amor ao samba e ao grupo Anjos da Lua.
Nano Ribeiro
25 de Junho de 2004 #

nano, divulgar é preciso,se nao divulgassemos, só iam dar essas casas em questao.o democraticos nao cobra 20 reais pra entrar,nem o cine buraco,que é na zona sul.hoje em dia,nós msicos,para tocar num lugar e ter a certeza de nao estarmos sendo ludibriados,estamos tendo de fazer isso,entrar numa sociedade com os donos das casas,isso acontece no democraticos,e no cine buraco,é como se a gente pagasse pra ter um lugar pra tocar,nos arcamos com os prejuizos, no caso da casa nao ter publico,etc..
roberta nistra
26 de Junho de 2004 #

Olha aqui, rapaziada! Sou sambista gaúcho. Tenho 5 CDs. independentes. Um deles foi comentado pelo Luiz Pimentel no Pasquim, mas aqui em baixo do mapa não se sobrevive com samba. Fui ao Carioca da Gema duas vezes, uma delas pra ouvir o Jorge Simas e a Família Nogueira. Achei caro, lógico! Não pro Simas, que pra ele é bom pagar.
Resolvi abrir um Butikim aqui no sul do Brasil, com a proposta do samba e do chorinho. Vem viver de samba aqui no RS! A cerveja é R$3,50. Couvert a R$2,50. Uma mixaria, mas tudo é do músico, porque, como sou músico, não posso explorar meus companheiros. Ainda não vi lucro nenhum. Só prejuízo. E a casa sempre lotada. No meu buteco cabem 200 pessoas. No Carioca, quantas cabem? Também me considero simpatizante do socialismo, mas só por isso tenho que morrer de fome? Depois, tem o seguinte: Disse bem o Paulinho: a classe média é que faz a diferença, sempre foi assim, queiramos nós ou não. Ela é a formadora de opiniões. O samba é da raiz, mas a mídia tá em cima da árvore. O samba tá sendo desenterrado, porque uma parcela social de influência vem cavando novos e antigos valores. Ou seja, alguém põe dinheiro em cima disso. Põe quem tem. Eu adoro o buteco, o bar da esquina e é pra lá que sempre vou quando posso. Mas vamos analisar tudo devagar, antes de ficar criticando as pessoas sem conhecimento de causa.
Grupo Som Brasil
29 de Junho de 2004 #

Eu, na posição de apreciador da música brasileira e músico que toca na noite do Rio há mais ou menos 10 anos, acho muito bom que haja um mercado de trabalho e de amostragem musical como esse que há na Lapa. Já toquei jazz brasileiro a noite inteira na Lagoa ganhando muito menos do que se ganha na Lapa e num ambiente culturalmente muito mais pobre, embora não se possa dizer o mesmo da condição financeira dos donos daquelas casas.
Infelizmente tanto os músicos quanto os que vivem da música como os produtores, donos e trabalhadores das casas noturnas não estão livres de ter que ganhar dinheiro para viver. Se existe essa moda (essa "moda" do samba já dura quase 100 anos! Haja visto escolas de samba e toda a história da MPB) que atrai turistas e burgueses, tanto melhor para o samba. Discriminar um público que pode pagar pela música, que permite que grupos como o Garrafieira, no qual eu toco, uma pequena orquestra com 9 músicos da mais alta qualidade e sambística e tantos outros tenha condições de se manter não é, definitivamente uma atitude inteligente.
O que é necessário é que haja uma união dessas pessoas que frequentam e que vivem da Lapa (muito frequentemente são as mesmas) no sentido de crescer o bolo para todos, no sentido de incluir pessoas e não excluir. É preciso que se mude a mentalidade que mercado e cultura são antagônicos, se excluem. O que acontece na realidade é o oposto, o mercado fomenta a cultura, haja visto a maravilhosa música cubana que chega ao mundo inteiro graças em grande parte a indústria cultural da música ( e ao filme comercial "Buena Vista Social Club"). Se isso acontecer com nossa música (que prefiro não chamar apenas de samba, pois extrapola um único gênero, abarcando diversas expressões) a consequencia natural será mais gente que fazendo e ouvindo música brasileira.
Gabriel Muniz Improta França
30 de Junho de 2004 #

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