Agenda do Samba & Choro

Carlos Poyares (1928-2004)

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 6 de Maio de 2004 
Assunto: Outros

Carlos Poyares, um dos maiores flautistas da música brasileira, nos deixou nesta quarta feira no Hospital de Base em Brasília. Encerra-se a bela história de vida deste capixaba, natural de Colatina, que morou no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Lisboa. De família de músicos eruditos, começou a tocar flauta aos cinco anos de idade. Proibido pelos pais de tocar música popular, aos oito anos fugiu com um circo, onde ficou até os 19 anos. Saindo de lá, fez peças de teatro, atuou no cinema, se formou em engenharia, indo então para o Rio de Janeiro onde integrou o regional de choro de Waldir Azevedo. Em 1957 substituiu Altamiro Carrilho no mais importante dos grupos de choro, o Regional do Canhoto. Com o regional participou da última transmissão na Rádio Mayrink Veiga em 1964, quando o fechamento da rádio pela ditadura militar desagregou o grupo. Passou uma temporada na Europa e seguiu carreira como acompanhante e com seu próprio grupo regional. Acompanhou os artistas do porte de Orlando Silva, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Dolores Duran, Luis Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Vicente Celestino, Valdir Azevedo, Tom Jobim e muitos outros. Muito amigo do cavaquinista Six de Brasília, foi um dos idealizadores do clube do choro da cidade, hoje o mais ativo do Brasil.

Para saber mais sobre Carlos Poyares na Internet a melhor dica é a longa entrevista que deu para o sítio português Ritmo e Melodia. Aqui na Agenda há uma biografia resumida. O Cliquemusic lista alguns discos de sua discografia de mais de 80 discos.

Quem quiser faça sua homenagem ao flautista nos comentários desta notícia, providenciarei para que os comentários cheguem à sua família.

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Comentários dos leitores

Carlos Poyares sempre foi, para mim, uma verdadeira lenda. Um dos responsáveis diretos por eu (e mais uns quinhentos mil) seguir a carreira de músico. Além de um excelente flautista, sempre soube respeitar os devotos da boa música brasileira, os bons músicos e os iniciantes - quem foi um desses felizardos sabe muito bem do que eu estou falando. Aqui vai uma breve homenagem emocionada de uma criatura que teve o prazer de ver e ouvir Carlos Poyares!
Rui Kleiner
6 de Maio de 2004 #

O enterro foi ainda há pouco. Não fui, preferi não ir, doeu muito.

É que ontem, no início da tarde, recebi um telefonema do Rogério Caetano (sete cordas) contando do novo acidente vascular. Liguei pra casa do Poyares : a filha, Cláudia, me contou que o Poyares estava no Pronto Socorro da Neurocirurgia do Hospital de Base, aguardando vaga na UTI, que vaga não havia. Liguei pra Sônia Palhares Marinho, que acionou uma Deputada da área médica. Pedi ajuda à Elaine, Chefe do Serviço Médico do meu local de trabalho (Poyares havia tocado aqui, no ano passado, na abertura da Semana da Saúde, junto com os meninos do "Sorrindo À-Toa" ). A Elaine pediu ajuda a um médico, que foi ao local. O médico deu notícias, a situação era grave, devido à extensão do acidente; esperanças mínimas. E mais: havia outros na fila da UTI; nessas situações, são estabelecidas preferências, inclusive em decorrência da idade.

Depois, a notícia do falecimento, dada pela Cláudia, a filha.

Ontem o Altamiro Carrilho mandou e-mail, pediu para dar um abraço na família e dizer que estava impossibilitado de vir. Havia assumido compromisso antes, assinado contrato, um show. Pedi ao Fernando César, o sete cordas do "Dois de Ouro", para dar o recado.

Lembro-me da primeira vez que vi o Carlos Poyares. Foi no Clube do Choro de Brasília. Estávamos sentados, o violonista Sidney Barros (Gamela) e eu. O Reco do Bandolim veio se aproximando com o Poyares ao lado, e disse algo assim: "Gente, quero apresentar pra vocês o Poyares". Por um instante olhei-o de baixo em cima, lembrando de um disco antigo que o meu pai tinha junto à radiola. O Carlos Poyares não me deu tempo e arrematou, de chofre: "Que qui foi? Sou eu, morri não".

Caio Tibúrcio.
Caio Tibúrcio
6 de Maio de 2004 #

Quero me lembrar do Poyares como o via ultimamente, cheio de vida, cheio de energia, cheio de projetos, saracoteando prá lá e prá cá entre a Peixaria (na 216 Norte), a Escola de Choro, o Clube do Choro de Brasília e ainda pelos bares da cidade que tocam choro aos sábados. O Poyares estava sempre por lá rodeado de meninos da escola de choro ouvindo suas histórias - algumas bastante exageradas, prá dizer o mínimo...:-) -. Estava super satisfeito com o último cd, tendo inclusive gravado um programa ao lado do Mateus do Cavaco - um prodígio de 12 anos, de Brasília - para a TV Senado. A história que o Caio Tibúrcio contou acima, quando conheceu o Carlos Poyares era mesmo a cara dele!!! Poyares, vá em paz, camarada! Axé!!!
Sonia Palhares Marinho
6 de Maio de 2004 #

Conheci Carlos Poyares esses dias. Quero dizer, conheci pessoalmente porque os discos, a lenda e o sopro dele faz muitos anos já tinha nos meus ouvidos. Foi quando fomos - Enéias, Fernanda, Vanusa e eu - assistirmos ao show do Armandinho a convite de Rógerio Caetano. Bom, o show foi lindo, mas para mim, a parte inesquecível estava reservada minutos depois. Estava lá, quando de repente Enéias me chama atenção e diz:
- Olha lá o Poyares. Demorou alguns segundos pra cair a ficha. Até que não me contive e pedi para tirarmos algumas fotos (que creio estejam entre as últimas). Infelizmente não tive tempo de vê-lo empunhando sua flauta. Ele faria aqui em Goiânia um show no próximo sábado, dia 8 de maio. Poyares agora passa para o time das lendas, e a nós cabe levar e elevar o seu nome como fazemos com waldir, jacob, avena, ernestos e alfredos. Poyares, até um dia.
Luiz Leonardo Fedato de Rezende
6 de Maio de 2004 #

Pra nós aqui de Goiânia, está sendo uma tristesa muito grande, principalmente porque íamos tocar com ele aqui no próximo final de semana, no clube do choro de Goiânia,,,,,Estamos todos muito tristes,,,,,pessoas iguais a ele, não poderiam deixar-nos, com este vazio no peito..........Vai pra Deus Poyares..
Enéias Aquila Fernandes
6 de Maio de 2004 #

Fiquei sabendo da notícia através do site. Me magoa demais em que um dos melhores flautistas tenha falecido e ainda mais que contava com a esperaça de poder conhecê-lo pessoalmente.Mas continuo sendo fã.
Eduardo Coelho de Oliveira
6 de Maio de 2004 #

Poyares é sem dúvida um dos maiores flautistas que já existiu, me honro muito de ter conhecido e convivido quase que diariamente com ele.Vai com deus POYARES!!!!!!!!!!!!!
Pedro Licio
6 de Maio de 2004 #

Um chorão de verdade! Ímpar. Dono de sensibilidade rara e, literalmente uma peça rara! As rodas de choro ficaram um pouco mais pobres!
Fernando (choro de Varanda)
6 de Maio de 2004 #

Valeu Poyares!
Obrigado por sua passagem por aqui.
Emerson de Paula
6 de Maio de 2004 #

Valeu por tudo de maravilhoso que nos proporcionou com sua flauta, seu talento, seu trabalho e principalmente sua amizade.
Descanse em paz meu amigo!
Jane Silvana Corilov
6 de Maio de 2004 #

conheci o poyares em SP na praça abilio calixto,fui logo falando que era fã dele e comprei 1 cd"uma chorada na casa do six" conversamos sobre o choro em BH; ele estava sentado comendo pastel, abriu a mesma bolsa que estava os cds e me deu cartazes do shou, e pediu pra eu ficar um pouco mais que logo ele ia tocar. mas bacana mesmo nesse grande musico era a adimiração que ele tinha pelo altamiro. valeu poyares
Regilene Belo Horizonte MG
7 de Maio de 2004 #

Convivemos bastante com o Poyares aqui em São Paulo, ele era um grande flautista e uma pessoa muito engraçada, sempre dava canja nas nossas rodas, realmente suas histórias eram muito interessantes. Fiquei arrasada quando soube de sua morte. Soubemos pelo Samba-choro, é incrível, mas não foi noticiado em lugar nenhum, nosso país definitivamente não valoriza seus artistas. Estou muito triste.
Roberta Cunha Valente
7 de Maio de 2004 #

Não conheci Poyares, pessoalmente, porém é como se tivesse conhecido, pois, nas viagens com a banda da Dona Ivone Lara o Edson 7 cordas da Bahia, contava maravilhosas histórias desse grande músico.Vai com Deus e muitas rodas de chôro com os anjos
Bruno Castro - RJ
Bruno Castro
7 de Maio de 2004 #

Fui apresentado ao Poyares pelo SIx do cavaquinho a muito tempo juntamente com o grande Cincinato do Bandolim, quando estive em Brasilia pela primeira vez vindo, para o aniversario do Chico de Assis - cavaquinho. Estava muito admirado em ver a flauta do Poyares ao vivo e o bandolim do velho Cincinato (que curiosamente sobreviveu a um derrame, o que nao aconteceu ao mestre flautista) juntamente com uma turma da pesada na roda de choro. Foi muita musica naquela ocasiao e inesquecivel momento onde pude participar como bandolinista ao lado do Dois de Ouro (bem jovens, assim como eu...) e o Alencar 7 cordas...

Depois, Poyares deu-me a honra de tocar comigo no Clube do Choro de Brasilia no lancamento do meu CD "Som de bandolim"... Ele me deu uma surpresa grande ao subir no palco com sua flauta. Para minha alegria tudo foi filmado. Outro momento inesquecivel...

Tinhamos uma grande amizade e choramos juntos em muita roda de choro. Chorei verdadeiramente com ele quando da partida do Six do cavaquinho... Adorava ve-lo improvisando em qualquer musica, de qualquer genero, em qualquer lugar e de forma espontanea e inesperada. Sempre tinha uma ideia na manga como um magico (ele ate se vestia parecido) da musica...

A sua flautinha de lata era um barato!
A vida é cheia de recordacoes e a saudade nos remete ao sentimento mais doído, pois tambem seguimos viagem junto daqueles que nos deixam.

Fica com Deus, velho amigo chorão, pois tu és de Deus. Tua música não possui Escola a nao ser a da vida, que apura como um bom vinho ao longo do tempo e do sereno.

Jorge Cardoso
bandolim - DF
www.musicexpress.com.br/jorgec
Jorge Cardoso
7 de Maio de 2004 #

Cena do Poyares que eu adoro, e que vi várias vezes lá no bar do Cidão:
Poyares: - Cidão, vê aí uma fanta uva diet, sem gelo.
Cidão: - Tem não, Poyares.
Poyares:- Ah, então vê um uísque mesmo...
ana lima cecilio
7 de Maio de 2004 #

O CHORO CHORA.
Sou admirador, há vários e vários anos desse admirável MÚSICO, espécime em extinção nos dias de hoje, tão contaminados pela "carniça musical", difundida à custa de jabá. Como músico amador (violonista), tive o ENORME prazer e a HONRA de tocar com o insubstituível POYARES em Brasília, na casa de meu parente ELY LISBOA RAMOS, no Cruzeiro, por ocasião do aniversário do chorão anapolino - e brasiliense por adoção - ELMER PRATA SALOMÃO, que estava aniversariando. Foi um momento INESQUECÍVEL para mim. Essa lacuna jamais será preenchida. Que Deus o receba, junto com a turma da pesada que já "subiu". Saravá POYARES!!!!
Rubens Gonzaga Jaime
7 de Maio de 2004 #

Agora o Poyares deve estar numa PEDACINHO DO CÉU dando um abraço CARINHOSO na VELHA GUARDA que nos deixou LAMENTOS de saudades. Valeu Poyares.
Serginho da Flauta
7 de Maio de 2004 #

Poyares é pra ser lembrado pra sempre e sempre com alegria, pois viveu assim - alegre. Tive a felicidade de fazer muita folia com ele e é impossível não rir ao lembrar de suas histórias, estórias e graças.

Quarta-feira, eu, Serginho e Daniela Neri juntamos nossas flautas pra homenagear o mestre, na roda acústica que rola toda quarta no Melting Lounge, aqui em Brasília. Não houve discurso; apenas tocamos as 3 flautas juntas. Ainda tivemos o reforço da escaleta da Ana Paula que aniversariava no dia. Tudo muito simples, mas carinhoso, como o Poyares.

Um grande beijo amigo Poyares.
Helena Pinheiro
Helena Lúcia Pinheiro da Costa
7 de Maio de 2004 #

Conheci o Poyares no bar Bom Motivo em São Paulo. Uma pessoa muito divertida e um grande flautista. Tive a grande honra de tocar com ele em um bar na Vila Madalena substituindo seu Haroldo. Sua historia ja esta escrita na musica de nosso pais. Vai deixar saudades.
Ildo Silva
7 de Maio de 2004 #

E lá se foi o grande Poyares, deixando boas lembranças, como a incrível performance na flauta de latinha. Acho que era único nesse quesito. Sentiremos a falta desse contador de histórias de primeira linha, principalmente na Benedito Calixto, onde alegrou tantas tardes de sábado - tocando com aquele cigarrinho entre o anular e o mínimo, figura impar! Valeu, Poyares! duda
Carlos Eduardo Cervi
7 de Maio de 2004 #

Prá mim Carlos Poyares foi um marco no choro e na flauta,dono de uma dinâmica toda propria e grande talento, é só conferir nas suas gravações com diversos artistas e nos seus discos de choro, uma grande perda para o choro em especial, fiquei sabendo só agora através da agenda,esse País tem hora que dá vergonha, eu como músico também posso falar isso,se tivesse morrido um roqueiro qualquer do Exterior, teria saido nos jornais e tudo, agora quando é músico de verdade e Brasileiro ninguém fala nada, é uma vergonha para o País, mas vai se fazer o que?, é típico de um País sem memória e cultura.
vai com Deus Poyares
Daniel (Choro Bandido)
7 de Maio de 2004 #

A história começou com Joaquim Antonio da Silva Callado no século XIX, depois Patápio Silva gravou os primeiros discos de um solista no Brasil, Agenor Bens seguiu o mesmo caminho, adiante Pixinguinha se fez mestre, Benedito Lacerda deu o tom inesquecível e abriu alas para Altamiro Carrilho, Nicolino Cópia (Copinha) e Carlos Poyares.
Assim se fez a história da flauta no Brasil, que fica mais triste com a morte de Carlos Poyares. Contudo tenho certeza que ele esta fazendo um belo sarau e uma roda de choro no céu, ao lado de seus ilustres mestres. Feliz do país que pode contar com um artista de seu quilate, deixando uma obra que ja era eterna quando ele estava com a gente e que agora pertence a posteridade.

Luiz Américo Lisboa Junior
Luiz Américo Lisboa Junior
7 de Maio de 2004 #

No ano 1995 ouvi choro pela primeira vez - foi "Pixinguinha de Novo" com Carlos Poyares e Altamiro Carrilho. Esta gravação mudou minha vida. Agradeço estes dois flautistas maravilhosos por este presente. Tive a honra de conheçer O Sr. Poyares uns anos atras. Minha experiência com O Sr. Poyares foi muito poderosa - conheçer o flautista nesta gravação que mudou minha vida! Eu gostaria de dizer para a esposa e a filha dele meus sentimentos. Por favor, desculpe meu portugues imperfeito. É muito difícil expressar tudo que eu sinto neste momento. Sinto muito ouvir estas noticias. Mando meus abraços fortes para todos os chorões.

Chicago, IL EUA
Julie Koidin
7 de Maio de 2004 #

Maravilhoso,explêndido,tocava com a alma,que sopro lindo,que emoção contida no seu sopro!Improvisos belos,figura simples,humana,doce alma!!!Que Deus te ilumine e salpique estrelas no teu novo caminho e promova uma festa com Pixinga,Copinha,Abel,B.Lacerda,e outros lá no céu.Fica em paz,amigo Poyares,obrigado por tudo!!! Ubiratan Sousa
ubiratan Sousa
8 de Maio de 2004 #

Põe nos ares
teus sonhos
para que alcancem o infinito
como sons de flautinhas de anjos
que tocam a música perfeita
não a música divina
mas a musica essencial
como o ar
como Poyares


tony andrade
tony andrade
8 de Maio de 2004 #

A música tem uma magia especial, principalmente ao vivo. Não basta uma execução perfeita, ela precisa vir acompanhada de alma, satisfação,história, criatividade,genialidade..etc..etc...
...e se a música for choro?
...e se for choro de flauta?
...e se tiver um clima de boemia?
...bom, chega de teoria, vamos a prática!...onde o Poyares vai tocar hoje?
Carlos Toledo
8 de Maio de 2004 #

ai, valeu por tudo pai do choro!!!!
fatima abreu
8 de Maio de 2004 #

Ah, Carlos Poyares. Nos deixou tão cedo. Não devia nos privar de ouvir seu maravilhoso som de flauta, tampouco nos privar de chorar quando tocava uma valsa, um choro, ou fazia uns contracantos...
É, e o que ficou no lugar disto tudo foi uma lembrança, uma breve lembrança, porque logo que o conhecemos, mudou-se para Brasília.
Carlos Poyares foi e sempre será uma referencia em meu estudo de flauta, um ídolo, o símbolo da interpretação e sensibilidade.
Mas infelizmente, deixou as rodas de São Paulo e Brasília, foi tocar com os músicos e amigos lá do céu, Pixinguinha, Canhoto, Meira, Benedito Lacerda, Evandro...

Poyares, obrigada e seja abençoado.

Meninas do Balaio de Gato.
Corina Meyer
8 de Maio de 2004 #

Nesta manhã de domingo, ao abrir este site, tomo conhecimento da morte do grande flautista Carlos Poyares.
Que tristeza. Mais um gigante que adormece para sempre. Passa agora a fazer parte do Regional de Choro Celeste, junto com Pixinguinha, Jacob, Calado, Canhoto, Waldir Azevedo e tantos outros.
A familia enlutada queira receber os pesames deste modesto músico que tambem chora a sua perda.
Que perda para nós chorões, nós músicos, nós brasileiros. Cala para sempre a Flautinha de Lata.
Adeus Carlos Poyares.
OUTUBRINO DOMINGOS DE MORAES
9 de Maio de 2004 #

Conheci o Poyares pelos idos de 1970. Eu hoje tenho 53 anos. Meu tio Tonico nos apresentou. Eu o vi tocar centenas de vezes, sentado em uma cadeirinha de palha na casa da minha tia Lila em Botafogo. Horas seguidas sem cansaço, com um amor verdadeiro por aquilo que ele fazia tão bem. Era um ícone do choro e da boa música brasileira. Fará muita falta.
Isabel Sylvia Azevedo
10 de Maio de 2004 #

TIVE O PRAZER EM CONHECE-LO POIS SEMPRE TROCAVA C/ MEU PAI (MINEIRO VIOLÃO 7 CORDA, JOCA, GARCIA ETC)E SEMPRE OUVI SUAS ESTORIAS MUITO DIVERTIDAS FIQUEI SABENDO NO DIA DO SEU FALECIMENTO E MINHA FAMILIA FICOU MUITO SENTIDO POIS ERA UMA PESSOA MUITO DIVERTIDA MEU PAI FICOU MUITO SENTIDO POIS COSTUMAVAM TOCAR JUNTOS. MANDE UM ABRAÇO A FAMILIA.S/ MAIS
NILSON
NILSON DE CARVALHO FERREIRA
10 de Maio de 2004 #

Mensagem recebida do Ataulpho Alves Junior:

----- Original Message -----
From: Ataulpho Junior
To: Caio Tiburcio
Sent: Saturday, May 08, 2004 4:43 PM
Subject: Re: Falecimento - Carlos Poyares


iNFELIZMENTE PERDEMOS UM DOS MAIORES FLAUTISTAS DO BRASIL, UM MÚSICO DE PRIMEIRA, QUE EU TIVE O PRAZER DE CONHECER CARLOS POYARES NA BOATE K-SAMBA CLUB QUE ERA DO MEU PAI ,NOS ANOS 60.
ELE ERA AMIGO DO MEU PAI, TENHO FOTOGRAFIAS DELES NO MEU ACERVO PARTICULAR.
O DEDO DE DEUS O TOCOU, E ELE ADORMECEU, QUE ELE DESCANCE EM PAZ.
ATAULPHO ALVES JUNIOR
Caio Tibúrcio
10 de Maio de 2004 #

Fiquei sabendo pelo coluna de domingo do Nassif e agora que entro na Agenda, tantas pessoas deixando sua mensagem registrada nestes comentários... Senti muito, fiquei (estou) muito triste!
Yolanda Cipriano
10 de Maio de 2004 #

Algumas palavras...

quando ainda adolescente me encantei pelo som da flauta, e vim com o tempo conhecendo os nomes e as histórias de nossos grandes intérpretes e compositores, que amaram e amam esse instrumento chamado flauta; foi um dos primeiro que vi tocar em minha cidade natal, num show chamado "Todo o choro", em que meu pai me levara para conhecer, não os flautistas (Carlos Poyares e Altamiro Carrilho) que se apresentariam, mas um tocador de cavaquinho que havia passado por uma situação cirúrgica, semelhante a minha, e que voltara a tocar, após anos sem movimentar os dedos e continuava a compor lindas melodias(Waldir Azevedo). Desde esse dia, em que ganhei meu primeiro LP de chorinho, "endoidei" no bom sentido e passei a ouvir e tirar de ouvido meus primeiros chorinhos, ouvindo também, esse grande, um dos maiores flautistas que conheci ou que já tenha ouvido em gravações que sempre procurei e pesquisei. Vim descobrir que ele ia muita à minha cidade natal, Ribeirão Preto, e que tinha muitos amigos por lá, mas só vim ser apresentado aqui em São Paulo, quando um grande amigo e violonista de 7 cordas João (Nicolau) Macacão, um dia me levou em uma pizzaria onde ele tocaria, para me apresentar. No entando, realizar um trabalho com ele, não deu tempo. Nunca ouvi ninguém tocar a flautinha de lata como ele fazia. Nos encontramos nos guetos dos chorinhos de São Paulo algumas vezes, onde acabamos nos conhecendo um pouco mais, e onde falou de sua semelhança de outrora, com a minha pessoa, já que disse ter tido cabelos compridos, e também exercitado a profissão na qual tinha se diplomado, e que só exercera também até construir uma capela e deu de presente para o pai, seu certificado de engenheiro civil para ir fazer aquilo que mais amava: tocar flauta pelo mundo afora. Tem muitos trabalhos gravados, talvez não o suficiente, nunca é, mas deixou uma obra brilhante, para quem nunca foi uma estudioso, e sim, um delicioso por ouvir os sons e deixá-los interpretados pelo seus sentimentos ao som das flautas que tocava. A única vez em que toquei na praça do choro, eu tive a surpresa e satizfação de tê-lo na platéia naquele mesmo dia, como ilustre ouvinte, imaginem, uma lenda viva para mim, assistindo minha nervosa apresentação, e quando eu desci do palco ele me arrasta até um grupo de músicos amigos dele e tece grandes elogios à minha atuação como flautista doce, que para sempre ficará guardada em emoção e carinho, vinda daquele que foi para mim e ainda é, um dos maiores flautistas da musica popular brasileira, e que influênciou uma legião de outros flautistas pelo mundo afora. Que os sons dos grandes mestres de outrora que também já desencarnaram o acompanhe até os Céus... Pixinguinha, Benedito Lacerda, Patápio Silva, Manézinho, João Carrasqueira, Clóvinhos Roxo...
Nelson Barbosa
11 de Maio de 2004 #

Homenagem ao Carlos Poyares,
hoje, 11 de maio, terça-feira,
a partir das 21 horas,
na Peixaria da 216 Norte (Bar Peixaria), Brasília-DF.

A Peixaria da 216 Norte (Bar Peixaria) fica na 216 Norte, Bloco "A", Subsolo; telefone, 447 9381.
Era o local onde o Poyares se apresentava aos finais de semana.

Presenças já confirmadas:
Alencar Sete Cordas,
Dolores (flauta),
Lício (flauta),
Nivaldo (acordeón),
Rogério Caetano (sete cortas).

Compareça!

Caio Tibúrcio.
Caio Tibúrcio
11 de Maio de 2004 #

LUÍS NASSIF - O FLAUTISTA DE LATA

Poucos personagens da música popular brasileira foram tão talentosos e pitorescos quanto o flautista capixaba Carlos Poyares, morto na semana passada em Brasília, aos 75 anos. Conheci-o no início de minha carreira jornalística, em uma reportagem que fui fazer em Guarapari sobre os velhinhos que andavam de gatinha na praia para se fortalecer com a radiatividade das areias monazíticas. Num restaurante na praia, morrendo de saudades dos meus botecos paulistas, comprei um LP dele com chapéu de palha e um cenário horroroso de estrelas pintadas ao fundo. Mas o som era de primeira.Ao longo dos anos, Poyares foi se firmando cada vez mais como um dos grandes flautistas brasileiros. Seu LP "Flauta de Lata", pelo selo Eldorado, marcou época nos anos 70 ou 80. O lado pitoresco também era fantástico. Foi um dos grandes contadores de "causos" da nossa música.
Poyares tinha a sina na vida de ter sido contemporâneo de Altamiro Carrilho, o maior flautista da era do disco, ao lado de Pixinguinha. Ele tinha uma relação de amor e ódio com Altamiro. Gostava de se vangloriar de que músicos da Filarmônica de Berlim estiveram em São Paulo, ouviram Altamiro e ele. Em Altamiro, viram apenas a técnica; nele, a alma brasileira.
Durante algum tempo foi morar em Brasília, convidado pelo ministro da Agricultura Pratini de Moraes, acordeonista e amante do choro -aliás, quando encrenquei com ele, por conta da política de retenção do café, senti como se estivesse duelando com um irmão no choro. Poyares dizia que, quando chegava ao Palácio do Planalto, nem precisava mostrar a identidade para os seguranças. Chegava à sala do "Clóvis" (o ministro-chefe da Casa Civil Clóvis Carvalho), que lhe pedia para aguardar um pouco que o "Fernando" (FHC) estava atendendo um presidente europeu qualquer, mas que queria ouvi-lo tocar assim que a audiência terminasse. Ele, sentado na sala, de vez em quando abria a porta e aparecia a cabeça do "Fernando": "Poyares, güenta mais um pouco aí".
No primeiro "causo", descontando o "apenas" (já que Jean Pierre Rampal, tido como maior flautista da atualidade, sempre considerou Altamiro o melhor), o maestro Júlio Medaglia me confirmou a história dos alemães.
Quanto ao "Clóvis", o "causo" fazia meio sentido. Certa vez, em São Paulo, em um almoço comemorativo com centenas de pessoas, quando cheguei, fui chamado a uma mesa em que estavam Clóvis, Pedro Parente e Paulo César Ximenes, presidente do Banco do Brasil. Ficaram confabulando comigo por dez minutos. Os presentes pensaram que me contavam os segredos da República em público. Era coisa mais relevante: conversavam sobre maneiras de ajudar a reerguer o Clube do Choro de Brasília.
Mas confesso que nunca consegui imaginar nosso ex-presidente curtindo música popular. Lembrava-me do caso contado por um amigo, de FHC conduzindo presidentes de multinacionais pelos corredores do Alvorada, sentando-se ao piano para mostrar a música erudita que ele, FHC, compusera em homenagem à República. Era um dos seus dois lados de Pedro 1º.
A melhor de Poyares foi o dia em que foi convidado para tocar para a rainha Elizabeth 2ª. Eles estavam em um iate, a música embalou, ele sentiu nos olhos da rainha o prazer de ouvir a música brasileira. O orgulho nacional foi tão grande que ele foi se afastando, se afastando, até que bateu na murada do iate, se desequilibrou e caiu no mar. Para provar que músico brasileiro era profissional até debaixo d'água, continuou tocando sua flautinha e não parou nem quando foi recolhido pelos salva-vidas.
Era um sujeito amargo que nem o diabo, mas todo pimpão para seus 75 anos. Quando começava a tocar, ou a flauta de metal ou a flauta de lata, se transfigurava. O "durão" por fora era o lírico que sua música denunciava. E dava para perceber quando, lá em casa, depois de duas horas de críticas a Altamiro, passou a tocar as músicas de Altamiro, que era um Salieri, talentoso, bebendo cada nota de Mozart.
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E-mail - Luisnassif@uol.com.br
Folha de São Paulo de 09 de maio de 2.004 - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0905200407.htm
Caio Tibúrcio
11 de Maio de 2004 #

"QUERO FAZER SUCESSO É COM AS MULHERES" (aos setenta e tantos...)

Foi esta a resposta do Poyares quando, há alguns anos, na Praça do Choro em São Paulo, me autografava um disco seu e eu lhe desejei muito sucesso...

Como podem notar, o nosso grande flautista era também um sábio e agora vai fazer dueto com o Pixinguinha.
Samuel H. Queiroz
11 de Maio de 2004 #

Pessoal:

A missa de 7º dia do Carlos Poyares será realizada na Igreja de Santa Cecília, em São Paulo - 12:00 hs (meio dia).
(em frente ao metrô Santa Cecília.
Corina Meyer
11 de Maio de 2004 #

Muito comovido fiquei com a passagem de Carlos Poyares que alem de grande músico e flautista era uma pessoa de extrema humildade pois sabia reconhecer o talento das outras pessoas e admirar os irmãos músicos. coisa que muito falta .no samba e no choro aqui em São Paulo pessoa simples e humilde com a qual tive o privilégio de tocar no meu local de trabalho . ou seja no conjunto Nacional aqui na av Paulistaque descanse em paz o bom amigo
Emerson PInto
12 de Maio de 2004 #

Conheci Carlos Poyares na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, tocando com Vitor Lopes e o Regional do Canário. No ano passado consegui convencê-lo a me dar um depoimento sobre a vida e a carreira dele. "Tenho compromisso, só posso ficar por uma hora, no máximo." Uma hora seria muito pouco, mas ele estava de mudança para Brasília e aquela era a oportunidade, mesmo que uma hora fosse muito pouco. Fui buscá-lo em casa, pedi ajuda ao Daniel Brasil, ao Sérgio Tarumoto e ao Chico Caserio para me ajudar na entrevista. Durante mais de três horas Poyares contou detalhes da sua vida e histórias fantásticas. Tudo documentado em vídeo. (risos) Fotografamos, registramos o áudio e decidi guardar o material para fazer um documentário exclusivamente sobre ele, Carlos Poyares. A idéia era fazer um documentário sobre a evolução do choro, mas o personagem era tão fabuloso que daria um documentário. Esperei seu retorno a São Paulo para gravar alguns números musicais e passar à edição do vídeo. Precisaria que ele assistisse o vídeo comigo para me dizer o que é e o que não é publicável. (risos) De lá para cá só tive notícias de que Poyares estava lecionando e tocando em Brasília. Não soube se ele retornou a São Paulo. Nos poucos contatos que tive com ele, percebi que estava diante de um gentleman, um homem que optou pela alegria e pela simplicidade. Criativo com a flauta e com o verbo, às vezes entortando as pernas da gente, como Garrincha, quando não sabíamos se quem falava era o Carlos Poyares ou o Barão Munchaussen (gargalhadas). Li os comentários escritos e ouvi histórias a respeito de Poyares, aquela coisa do duelo com Altamiro e coisa e tal. No depoimento que nos concedeu, Poyares disse com todas as letras que Altamiro sempre foi o maior, o mestre e o irmão. Tinha nítido orgulho de Altamiro, de tocar com Altamiro e de tê-lo substituído no Regional do Canhoto. Mas com o ouvido que tinha, seria impossível ele não se reconhecer também como um dos grandes mestres. Ele sabia do seu valor. Que Deus o abençoe e que depois de tanta luta, cumprindo a missão de preservar a memória da música brasileira, trazendo na sua inteligência o que há de mais valioso no patrimônio artístico desse país - o choro -, que encontre um bom descanso e um brinde sem gelo numa roda com Callado, Pixinguinha, Viriato, Patápio, Benedito, Carrasqueira (o pai, obviamente) e outros craques da flauta. Não há dúvida de que há uma grande festa no céu. Imagino o abraço no reencontro com o Six. Fica com Deus, meu irmão.
Sandro Caje
12 de Maio de 2004 #

falar de poyares é facil e é difícil.
sua música falava por ele, é claro.
era o melhor intérprete de choro que o brasil tinha, na minha singela opinião.
ele me falava muito da sua amizade com o Six, das proezas dos dois pelo mundo afora, não havia modo de não ficar hipnotizada por suas conversas. eu estava com saudades dele, desde que me mudei pro rio em 2001 não o vi mais. estive em brasilia algumas vezes, mas não dei sorte. ele se foi e eu com saudades dele. na estante tem seu disco autografado, espero que minha filha goste algum dia. na ménoria fica seus olhinhos de menino que era, ele nunca deixou morrer o menino nele, tocando, tocando, olhando pra mim...
me lembro de uma noite de lei seca em são paulo, eu sai pra noite fria munida com algumas garrafinhas de wisque, pra garantir o calor. eu e marcelo, outro flautista que também admirava muito o poyares divimos as garrafinhas com ele, naquela noite fria de sampa, de bar em bar, como ele sempre fazia.
é isso.

andréa cristina silva
marcelo lion - andrea silva
12 de Maio de 2004 #

Cheguei hoje de viagem, acabo de ler a quantidade enorme de comentários a respeito do Poyares. Fiquei muito sensibilizado, pois êle foi, um dos solistas de choro que mais me emocionou nos meus 50 anos de vida (seja executando choros, ou fazendo solos e contrapontos de extrema sensibilidade no acompanhamento de cantores e cantoras), muitas vezes me levando às lágrimas.

A grande quantidade de comentários (nunca vi nada parecido aqui no site) é mais do que merecida pela sua brilhante carreira.

Marco Bailão
marco antonio de arruda bailão
12 de Maio de 2004 #

Lembro muito bem, quando chegei à
São Paulo, encontrei o Chorista Poyares tocando no club do choro
em pinheiros, já fazem 20 anos.
Eu estava a ouvir seu frazeado,
sua maneira própria de tocar.
Foi quando ele se aproximou e
viu o meu encatamento ainda de menino
e perguntou:Qual sua graça?.....
Poyares viu que eu era flautista e quis tocar comigo, isso era tudo que eu queria, pois ali estava um dos mitos da flauta Brasileira e
tocamos (Primeiro amor) de Pattapio.
Vá com Deus meu imão, fique junto
dos grandes da flauta, que estaras sempre em nossa lenbrança, com seu frazeado maravilhoso. (Adeus)
Tayrone Mandelli
13 de Maio de 2004 #

Matéria do Irlam Rocha Lima, do jornal Correio Braziliense de hoje, 14 de maio, sexta, Caderno Cultura, está transcrita em seguida. Caio Tibúrcio


Homenagem
Choro de saudade

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Adauto Cruz

Roda de choro homenageou, nesta semana, a memória do flautista. O encontro foi no Bar Peixaria, na 216 norte, o mesmo onde Poyares chamou a atenção do então ministro da previdência, Ricardo Berzoini

O músico Carlos Poyares, morto semana passada, comandava roda de choro concorrida no bar Peixaria (216 Norte). Reunia amigos e atraía admiradores da boa música instrumental. Na noite de terça-feira, parte dos seus companheiros estava lá para homenageá-lo. O clima era de saudade e doces recordações. E Poyares parecia mais vivo do que nunca.

Foi no bar Peixaria, numa noite de setembro do ano passado, que o flautista Carlos Poyares chamou a atenção do então ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, que o ouvia admirado, na companhia de amigos do Banco do Brasil. Num dos intervalos da tocata, Poyares foi cumprimentar o ministro e falou com ele sobre o projeto Momentos históricos da música popular instrumental brasileira.

O projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura consistia na gravação e edição de um disco duplo com clássicos e músicas menos conhecidas de mestres do choro, a exemplo de Antônio Callado, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Anacleto Medeiros, Zequinha de Abreu, Pixinguinha, Benedito Lacerda, Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo. Também fazia parte breve biografia de cada um dos compositores focalizados.

Entusiasmado com o que ouvira e com a idéia do projeto, Berzoini sugeriu que Poyares procurasse a Ourocap, empresa subsidiária do Banco do Brasil. Assim, conseguiu o patrocínio de R$ 49 mil que precisava para gravar e prensar 1.500 cópias do álbum, produzido pela Raio de Sol Discos.

Com os discos em mãos, Poyares era todo entusiasmo às vésperas do lançamento. O show aconteceu sábado passado no Clube do Choro e acabou transformando-se em tributo ao grande flautista, morto (vítima de um derrame) quatro dias antes. A homenagem foi feita por alguns dos músicos que participaram da gravação do CD, entre os quais, os também flautistas Antônio Lício e Dolores Thomé, o violonista Henrique Neto e o pandeirista Tonho.

Um dos melhores amigos de Poyares em Brasília, Lício contou que conviveu com o homenageado a partir do começo dos anos 90, ‘‘quando ele veio pela primeira vez a Brasília a convite do saudoso Francisco de Assis, o Dr. Six, cavaquinista que também presidiu o Clube do Choro. À época, ficaram famosas as rodas de choro promovidas pelo Six em sua casa no Lago Sul’’.

Emocionado, Lício elogia a simplicidade de Poyares, ‘‘um flautista que teve fama, sucesso, dinheiro e mulheres, quando integrava o Regional do Canhoto (anos 50), o mais importante da fase de ouro do rádio. Mesmo assim tocava em qualquer botequim, como aqui na Peixaria, desde que tivesse os amigos em volta’’.

No bar Peixaria, o flautista tocava de quinta-feira a domingo. Era o lugar onde ele se encontrava com amigos — todos músicos — como Nivaldo do Acordeon, os violonistas Everaldo Índio e Sanson, o saxofonista Denivaldo, o bandolinista Coqueiro, a cantora Lúcia de Maria, e, claro, o flautista Antônio Lício.

Eram eles que tornavam a vida de Poyares mais agradável, ajudando-o — inclusive financeiramente — sempre que necessário. ‘‘Embora fosse um músico extremamente talentoso e que levava a sério seu trabalho, estava um tanto quanto deslocado nesse mundo moderno’’, observa Lício.

O economista e flautista, que organizou a roda de choro póstuma, lembra que Carlos Poyares foi convidado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para, com seu regional, tocar na posse de 1995. ‘‘Depois ele até conseguiu fazer algumas apresentações no exterior. Por conta disso, vivia sonhando em voltar à Europa e fazer um grande espetáculo em Paris’’.

Carmem de Maria, que conheceu Poyares em São Paulo, antes de ele vir a Brasília pela primeira vez, o via como ‘‘músico virtuoso e um amigo querido, que nos alegrava com seu sopro maravilhoso’’. Dionísio de La Penna, o Coqueiro, mecânico aposentado e bandolinista, também fala com saudade do flautista: ‘‘Poyares era uma grande figura. Dessas raras, hoje em dia. Apesar de genial em seu ofício, era de simplicidade espantosa’’.

O bandolinista Leonardo Benon, do grupo Chorando à Toa, que participou da gravação do álbum Momentos históricos da Música Popular Instrumental Brasileira, conta que tocou ao lado de Poyares em vários shows. ‘‘Para nós, músicos da nova geração, ele foi e sempre será um exemplo. O Poyares, com generosidade, passou muita lições para nós, mas sem nunca posar de professor’’.


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(Poyares) teve fama, sucesso, dinheiro e mulheres. Mesmo assim tocava em qualquer botequim, como aqui na Peixaria, desde que tivesse os amigos em volta


Antônio Lício, flautista e um dos maiores amigos de Poyares

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http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_2.htmomenagem
Choro de saudade
Caio Tibúrcio
14 de Maio de 2004 #

carlos poyares é otimo
tive a oportunidade de velo tocar algumas vezes em \SP
Aijalom Prof: Flauta
AIJALOM GONÇALVES LUIZ
14 de Maio de 2004 #

Uma noite, nos anos 80, tive a honra de receber Carlos Poyares em minha residência. Foi uma noite inesquecivel!Ele na flauta e eu ao piano, dissecamos aqueles choros imortais de Pixinguinha,e batemos longos papos sobre música popular brasileira. Gentilmente, autografou os LPs da minha coleção gravados por ele, inclusive aquele do show com a saudosa Aracy de Almeida.Lamento profundamente a sua morte. Seu nome ficará gravado na galeria dos grandes solistas da flauta, ao lado de Patápio, Benedito Lacerda, Altamiro e outros .
Murillo Cesar Caetano
15 de Maio de 2004 #

Poyares tinha historia!
Muita historioa.. Historia de um dos genios do choro. Historia de um homem que o pai queria que fosse arquiteto(ou engenheiro-nao me lembro bem!) e que apos sua primeira obra cheou ao pai e disse " papai, esta aqui o diploma que voce tanto quiz, agora deixe-me tocar minha flauta e fazer o que realmente gosto." (segundo suas proprias palavras. Sempre se apresentou alinhado com seu terno, gravata e cabelo ajeitado, mesmo que fosse para tocar em bares de menor expressao. Em santo andre ao lado de Joca, Garcia do Bandolim, Gatoa do Pandeiro, Roberto no Sax, Eurides no bandolin, Canhotinho, Edsinho e tantos outros, sempre fez musica da melhor qualidade. E, no momento de sua morte nada se falou.. Se nao fosse o Valdemar do Pandeiro ligar para a Radio Bandeirantes e informar sobre sua morte - Alias um dos raros registros, nao se falaria nada. Infelizmente este e o reconhecimento a quem tanto fez pela musica popular brasileira. Poyares e' um nome para ser lembrado entre o grandes, realmente como escreveu nosso colega, Murilo Cesar. Um musico desta categoria nao pode ser esquecido jamais. Com certeza ja esta fazendo diabruras com sua flauta la nos regionais ceu, ao lado de tantos outros famosos.

Paulo a. Pereira - papsalvador@terra.com.br
Paulo A.Pereira
21 de Maio de 2004 #

Conheci Poyares novo, com 17 anos de idade, no Bar do Calaf em Brasília. Elmer do Bandolim convidou meu pai e eu para uma roda de choro com Six e Reco, quando o Clube do Choro ainda não tinha um espaço definido. Descobri a música brasleira muito cedo e, desde essa época, absorvia cada composição que conhecia como se fosse novíssima, recém-criada. Poyares foi fundamental para essa minha impressão, pois tocou, em nossa mesa, os clássicos um a um que eu ia lhe pedindo ou ele nos ensinando, com tamanha intimidade e sentimento, que aquelas músicas de Pixinguinha,
Ernesto Nazareth, L-Jacob d Bandolim eram como se fossem dele, criadas
ali no improviso. Ainda tentei, para seu incômodo, tirar um som de sua flautinha de lata, mas minha heresia foi em vão: a mágica era só dele! Hoje, passados 12 anos desse encontro e de outras ocasiões geniais em que nos vimos em Brasília, sinto uma saudade enorme... Até hoje, e para sempre, sinto o choro assim: atual, inventivo, bem-humorado, comovente, desvairado, vibrante, cheio de qualidades e adjetivos, como Carlos Poyares. Saudades do amigo Felipe.
Felipe Berocan Veiga
1 de Junho de 2004 #

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