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Ary Vasconcelos (1926 - 2003)

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 8 de Outubro de 2003 
Assunto: Outros

Nesta terça, 7 de outubro de 2003, nos deixou um dos mais importantes pesquisadores da música brasileira, Ary Vasconcelos. Escreveu livros importantes como: Panorama da música popular brasileira (2 vols., 1964); Raízes da música popular brasileira (1ª edição 1977, 2ª ed. revista e ampliada, 1991); Panorama da música brasileira na Belle-époque (1977); Luís Pistarini, um bandolim esquecido (1983); Carinhoso etc.- História e inventário do choro (1984); A nova música da República Velha (1985).

Reproduzo abaixo o texto que fizeram para uma homenagem recente a ele do Instituto de Cultural Musical do Rio de Janeiro.

Jornalista. Crítico. Musicólogo. Em 1943, começou a escrever no jornal "O Globo" na seção "Um pouco de jazz", em colaboração com Sílvio Túlio Cardoso. Os dois assinaram também a coluna "Swing Fan", na revista A Cena Muda. Nas rádios Tupi e Tamoio, redigiu o programa Swing Cocktail. Entre 1943 e 1946, foi cronista de jazz da revista A Cigarra e, nos três anos seguintes, escreveu críticas de rádio na revista O Cruzeiro. No O Jornal foi crítico de música popular, entre 1957 e 1963, função que também exerceu no Jornal do Comércio (1961-1967), O Globo (1967-1970), Querida (1969-1971), O Cruzeiro (1972) e Grande Hotel (1975). Em meados da década de 1960, devido à sua atuação como crítico musical em diversas publicações de prestígio no país, passou a realizar conferências sobre música popular brasileira e foi um dos principais organizadores do Clube de Jazz e Bossa Nova. Foi integrante do júri de muitos festivais da canção que aconteceram na segunda metade da década de 1960, tendo participado da organização do Festival Internacional da Canção - FIC - exibido pela TV Globo em 1966. Na rádio MEC produziu programas sobre a história da MPB e foi também produtor de discos para a gravadora Odeon e para o Museu da Imagem e do Som - MIS. Para este órgão, do qual chegou a ser funcionário entre 1965 e 1970, produziu elepês de Carmem Miranda, Noel Rosa e Ataulfo Alves (gravado ao vivo com Helena de Lima e Adeilton Alves). Ainda no MIS, sugeriu ao primeiro diretor da instituição R. C. Albin, a fundação do Conselho Superior de MPB, com quarenta cadeiras, cujos nomes foram escolhidos por ele, Almirante e R. C. Albin. O Conselho - base dos outros que logo depois foram criados para outras áreas - teve a seu cargo apontar e votar os melhores do ano aos quais eram conferidos os prêmios Golfinho de Ouro e Estácio de Sá, outorgados pelo governo do então Estado da Guanabara.

É reconhecido como um dos grandes historiadores da música brasileira, sendo o autor de importantes livros como: Panorama da música popular brasileira (2 vols., 1964); Raízes da música popular brasileira (1ª edição 1977, 2ª ed. revista e ampliada, 1991); Panorama da música brasileira na Belle-époque (1977); Luís Pistarini, um bandolim esquecido (1983); Carinhoso etc.- História e inventário do choro (1984); A nova música da República Velha (1985). Em 1982, o Conselho de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro escolheu seu nome para o prêmio Estácio de Sá. Em 1994, recebeu da União Brasileira de Escritores o título de personalidade do ano. A partir de 1998, é um dos diretores culturais da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

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Comentários dos leitores

Triste notícia. Sua obra continuará como referência indispensável. A lembrança que ficou dos breves momentos em que o vi foi a de um pesquisador realmente enciclopédico, mas acima de tudo generoso e simpático. Assisti uma palestra dele no "Encontro de Pesquisadores de Música Popular Brasileira" em 2001 e acabo de publicar uma nota com as fotos da palestra lá no Sovaco de Cobra.

A propósito, a nota biográfica acima é exatamente a mesma (exceto pelos parágrafos) do Dicionário Cravo-Albin.

Abraços,

Luis Alberto.
Luis Alberto Garcia Cipriano
8 de Outubro de 2003 #

O jornalista e musicólogo Ary Vasconcelos certa vez foi abordado sobre a vastidão da música brasileira. Ele disse que 15 volumes não dariam para cobrir todo o assunto. Entretanto, se ele tivesse que usar apenas uma palavra para definir a música brasileira, esta palavra seria Pixinguinha. Jamais esqueci isso. Grande perda para nós.

Egídio
Austin, Texas

10 de Outubro de 2003 #

Realmente uma grande perda. A gente tem de aceitar a morte e entende-la como uma etapa indissociável da vida. Como disse o grande Paulo Cesar Pinheiro " vai ver até que a vida é morte e a morte é a vida que se quer" mas a morte de algumas pessoas se tornam difíceis de serem entendidas. Morrer Ataulfo, Vinicius, Cartola, Tom, Ary etc. é uma quebra enorme na corrente da inteligência, da sensibilidade e da qualidade de uma das coisas que temos de mais rico: nossa música. E tem tanta gente ruim e que não presta, que não morre.
Ary Vasconcelos fez por merecer todo o nosso respeito, admiração, carinho e amor. Sua obra foi e é uma contribuição muito importante para a catalogação da nossa MPB verdadeira, de raiz. Isnard Manso Vieira.
Isnard Manso Vieira
10 de Outubro de 2003 #

Grande historiador da MPB. Seus livros são indispensáveis. Produziu muitos discos antológicos. Fazia parte da grande linhagem de estudiosos da MPB: Lucio Rangel, Jotafegê, Renato Almeida, etc. Ficamos mais pobres

Da Mata
Joao da Mata Costa
14 de Outubro de 2003 #

Me causou grande pesar, saber do passamento, do grande musicólogo,jornalista, pesquisador, produtor e escritor Ary Vasconcelos.
Pois, com a sua morte, o país intensifica o seu processo de empobrecimento intelectual.
Ary Vasconcelos, lançou em 1953, um belo livro de crônicas, denominado "Corpo 10", fez também, traduções de autores estrangeiros, como: "Hiroshima" de John Hersey - 1948, "O Pensamento Vivo de Buda" de Ananda K. Coomaraswamy - 1961.
Porém, os seus dois volumes do "Panorama da Música Popular Brasileira - 1964, pode ser considerada até hoje, a Bíblia da MPB.
É um livro imprescindível, para qualquer pessoa. que queira conhecer mais profundamente, a música popular de nosso país.
Que você descanse em paz, grande Ary Vasconcelos!
Paulo Alberto Ventura
Paulo Alberto Ventura
15 de Outubro de 2003 #

Com a morte de Ary Vasconcelos, a memória da música popular brasileira sofre um grande revés. A sua obra é de fundamental importância para se compreender a trajetória de nossa canção popular. Estive com ele algumas vezes e guardo a lembrança de um homem que sabia de sua importancia, mas que ao mesmo tempo, mantinha uma humildade e um fino trato cativantes.
É pena que os meios de comunicação desse país não lhe deram o destaque merecido, mas hoje em dia nada mais nos surpreende.
Ary era detentor de um dos mais valiosos acervos sobre a história da música popular brasileira, acredito que seus descendentes devem preservá-lo criando um espaço com o seu nome para que todos possam ter acesso e universalizarem seu legado.
Ary esta no mesmo patamar de Almirante, Lucio Rangel e outros grandes e dignos representantes da pesquisa de nossa música popular.
Sua presença física não esta mais entre nós, porem sua obra permanecerá sempre.

Luiz Américo Lisboa Junior
Luiz Américo Lisboa Junior
17 de Outubro de 2003 #

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