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Juarez Assis de Araújo (1930-2003) |
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O enterro será nesta segunda (6), no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Para saber mais sobre o Juarez, confira a bela reportagem do Jornal do Brasil que estou reproduzindo nos comentários. O espaço de comentários também está aberto para quem quiser homenageá-lo. Providenciarei que as mensagens cheguem à família do músico.
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Comentários dos leitoresSua excelência, Juarez Araújo
Pouco conhecido pelo público, saxofonista já foi considerado um dos melhores do mundo ANA CECILIA MARTINS Quando lançou o seu primeiro LP no começo dos anos 60, o pernambucano Juarez Araújo, nascido na pequena cidade de Surubim, teve a certeza que o seu destino havia mudado. ''Nunca tinha pensado que um pobre nordestino de cabeça chata como eu pudesse ir tão longe'', comenta Araújo, que testemunhou, perplexo, as músicas de Juarez - sua excelência o sax tocando nas rádios de todo o país. Mas o saxofonista foi além. Emendou diversas apresentações no exterior, lançamentos de outros álbuns, construindo uma carreira que acabou lhe rendendo reconhecimento mundial - traduzido em uma crítica na revista americana Downbeat, a bíblia do jazz, que apontou, nos anos 60, Juarez com um dos cinco maiores saxofonistas do planeta. Trata-se de um artista de bastidor, do tipo que colhe reverências no meio musical mas que não recebe o reconhecimento público merecido. História musical - Sem perder o acento pernambucano, Juarez, muito falante, conta com gosto sua história com a música. O enredo começa na cidade de Jaboatão onde, ainda menino, ingressou na banda do padre Cleomácio Leão tocando requinta. E foi seguindo: tocou em igreja, em praças, no exército e na zona. De banda em banda, de orquestra em orquestra, Juarez foi parar em São Paulo, na década de 50, depois de integrar conjuntos em rádios de Recife. ''Avisei a minha mãe que tava indo para o mundo'', conta Juarez, em plena atividade aos 70 anos. A vinda para o Rio, em meados dos anos 50, mudou o tom da carreira do músico, que chegou a estudar com Guerra Peixe. A cidade vivia um momento de efervescência musical. ''Foi quando conheci Tom Jobim, Newton Mendonça, Roberto Menescal. A gente se juntava para ouvir jazz, se encontrava em boates e bares em Copacabana e trocava muita idéia'', lembra Juarez, que integrou no Rio por cerca de seis anos a orquestra de Osvaldo Borba. Os discos de John Coltrane, Charlie Parker, Thelonius Monk não saiam da vitrola. ''Todos estavam muito ligados ao jazz e cada um tentava extrair alguma coisa daqueles mestres. Eu comecei tentando copiar Stan Getz'', afirma. Enquanto a turma de Juarez pendia para a bossa nova, o músico continuava mergulhado nos arranjos de Duke Ellington e nas composições de Gershwin. Mas a predileção pelo jazz não impediu que o pernambucano trabalhasse ao lado de expressivos intérpretes da MPB como Elizeth Cardoso, Maysa, Gal Costa, Maria Bethânia. ''São mais de 50 anos de carreira. Fiz de um tudo na vida'', diz Juarez. João Gilberto - ''Como todo grande músico brasileiro, Juarez anda um pouco fora de circulação. O mercado só quer a baba do quiabo'', observa Zuza Homem de Mello, lembrando que ano passado João Gilberto convidou o saxofonista para tocar com ele. ''E Juarez tocou Desafinado melhor que Stan Getz'', opina Zuza, sem economia de adjetivos. ''Ele é um extraordinário jazzista e seu saxofone tem uma sonoridade ímpar, reconhecível, coisa que só ele e Zé Bodega conseguiram'', acrescenta. ''Das coisas que ainda quero fazer na vida está um CD com contrapontos de Pixinguinha, além de mexer mais com choro'', diz o músico que ainda espera ver seus LPs, como O inimitável Juarez e Bossa nova nos States, transformados em CD. ''Pode ser que esses projetos levem um pouco mais de tempo pois fiz um cirurgia que me abalou financeiramente'', conta. ''Mas não tem problema. Vou fazendo aos poucos'', diz Juarez com a sabedoria de quem sabe levar a vida. Trombonista amador tocando unicamente de ouvido, encontrei o Juarez no Bar "Ouvidor 43" do Paulo Sa e fiquei admirado com o som, a tecnica, e a maravilhosa gentileza deste grande musico cuja modestia sempre me impressionou. Apesar da fato que eu era simples amador e musicalment analfabeto, o Juarez me chamou para fazer Jam Sessions. Minha admiração se tornou em grande amizade e hoje estou chorando a perda de um irmão. Dois meses atras, mandei um e-mail para Juarez pedindo a copia em fita ou CD dos seus LP mas não recebi resposta. Não sabia da sua doença. Acho muito injusto que não existe CD dele no comercio e me comprometo a participar a quelquer movimento tendo com finalidade de promover a obra deste maravilhoso musico. Mando para a esposa e os filhos do meu amigo Juarez toda a minha simpatia.
Jean-Yves Cordier. Carpentras. França Juarez era um desees raros casos em que a pessoa corresponde integralmente ao genial e sensível artista. A família já sabe, mas certamente vai reforçar as razões para se sentir orgulhosa dele, pelo tanto que a comunidade da música se mobilizou com a passagem do Jura.
Quando a gente lê nos comentários as pessoas perguntando pela discografia do Juarez, aí sim ,dá vontade de chorar. Vai ser difícil explicar para as novas gerações que a discografia do grande músico é quase nada. Mas Juarez não era de choramingação, apesar de tudo, ele seguia tocando, e como...! No Dicionário de MPB há uma pequena biografia e discografia dele.
O Juarez era daquelas pessoas que não tem como não gostar! Eu adorava ele. Figura da maior generosidade, coração grande...Tocava lindamente, indo do frevo pro jazz com o maior bom gosto. Vai fazer muita falta...
O Juarez esteve por duas vezes no Clube do Choro de Juiz de Fora revivendo, ao lado do flautista Alexandre Maioinese, os belos diálogos da dupla Benedito Lacerda/Pixinguinha. Eu me recordo até hoje do belíssimo improviso de Juarez no Urubu Malandro, no qual ele mostrou como equilibrar, com extremo bom gosto, os fraseados do choro e do jazz.
No site do Clube do Choro estamos prestando uma homenagem a Juarez. Gostaríamos de enviar nossas condolências a seus familiares e amigos, que com certeza são muitos. Reencontrei o Juarez tocando saxofone no Manuel & Joaquim da Felipe Camarão em Vila Isabel. Com freqüência aparecia para dar uma deliciosa canja. Alma de artista genial é assim, segue os acordes e sem interesses materiais mostra sua genialidade sem que sejam precisos holofotes. Basta ter o espaço. Os instrumentos se encarregam de fazer a apoteose. Jovens e talentosos chorões e estava lá o Juarez.
Conheci Juarez num bar em Copacabana. De imediato aquele sax chamou atenção pelos improvisos talentosos . Músico sensacional e excelente pessôa , sempre valorizando a música e seus companheiros músicos. Obrigado Juarez pelas aulas e sua contribuiçao a MPB.
Amiga e companheira de trabalho do Juarez Araujo fui pega de surpresa com a noticia de seu falecimento. Excelente amigo, grande profissional, Juarez nunca se esquivou de comparecer para otimas canjas em rodas de choro tanto no Rio de Janeiro, como em outras localidades. O RJ perdeu um de seus grandes artistas. Sera que ja esta sendo organizada uma homenagem para ele e sua familia? Ele certamente merece nossa ultima homenagem!
Fiquei chocado com a notícia da morte do grande Juarez Araújo. Tive o privilégio de ser seu aluno quando tinha meus 16 anos (hoje estou com 57). Embora tenha parado com a sax, sempre admirei o antigo mestre, tanto como músico maravilhoso que era, como pela pessoa. O mundo da música perde um de seus grandes intérpretes que está a merecer a publicação, embora tardia, de suas maravilhosas obras como intérprete.
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