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Aniversário de Aldir Blanc terça no Centro Cultural Carioca

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Por Eugênia Rodrigues
Publicada em 1 de Setembro de 2003 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

'"O buteco é o último reduto das palavras."

Os versos de Aldir Blanc são tão geniais que a gente fica dias inteiros com eles na cabeça, rindo bobamente por ninguém ter escrito aquilo antes. Esse aí de cima é um deles, feito talvez numa mesa do Bar da Dona Maria, entre uma cerveja e um pernil que o Baiano acabou de trazer. São tantos... Em "Agnus Sei": "Só quem tentou sabe como dói vencer Satã só com orações". "Pois não basta o Paraíso inteiro/Prá saudade que o Salgueiro dá", escreveu para a escola de seu coração. "Hoje a canção é você/E eu estou feliz/Por ser infeliz nessa fascinação", declara para a mulher, Mari Lúcia. Em Búzios, um momento de êxtase: "Foi a primeira vez, desde o acidente, que o mundo e eu nos abraçamos". Para o amigo e parceiro Maurício Tapajós, falecido em 1995: "(...)A palavra saudade/é nela que tudo o que amei sobrevive". A paixão pelo Rio perpassa toda "Catavento e Girassol": "Teu girassol tem de fora/O escondido do Engenho de Dentro da flor". E "Saudades da Guanabara já é um hino informal da cidade: "Plantei/Ramos de Laranjeiras foi meu Juramento...".
E tem aquelas frases que você tem certeza que são dele. Quem mais para juntar num mesmo verso as palavras torturante, band aid e calcanhar? :)

Pois bem, o autor disso tudo, ourives do palavreado (cf. Caymmi), completa agora 57 anos, casado "com a inconstância e o prazer" - e com a Mari, claro. A comemoração contará com as presenças confirmadas de Moacyr Luz, Paulo César Pinheiro, Wilson das Neves e Sombra, mas certamente que o Centro Cultural Carioca será pequeno para os muitos amigos de Aldir que passarão por lá.

Horário: 21 horas
Couvert a R$ 12, sem consumo mínimo.'

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Comentários dos leitores

É uma dor indizível perder essa festa. Aldir é um desses sujeitos extraordinariamente comuns, que se arvoram a ser gênios por pura sacanagem e nos dão um imenso orgulho do Brasil e da Tijuca, que é o bairro do meu e do Salgueiro do Aldir. O verso de amor mais lindo que eu conheço é dele e está numa música do Guinga: "A chuva desta tarde trouxe o Tito Madi e só eu ouvia/ ah, o amor é estar no inferno/ ao som da Ave-Maria". Isso não é pra qualquer um, malandro. E tem ainda aquele com o auxilio luxuoso do Moa: "Estrela é só um incêndio na solidão". Quer frase mais empata-foda do que essa? Mas, ao mesmo tempo, quer coisa mais delicada? Quem como Aldir é capaz de tirar o lirismo do pedestal para depois ornamentá-lo com lantejoulas da mais fina poesia carioca? Um exagero, feito os pastéis de bacalhau da Dona Maria. Um país que tem Aldir Blanc não pode dar errado. Meu velho: muitos anos de calçada pra você.
Bruno Ribeiro
1 de Setembro de 2003 #

Realmente o sonho de todos nós é termos um pouco de poeta para sabermos trilhar os caminhos da dor da alegria sem perdermos o ineditismo do olhar, afinal ainda acreditamos nas estrelas como o véu da noite que nos brindam com poetas como Aldir.
beijo grande
dorina
DORINNA PONTO SAMBA
2 de Setembro de 2003 #

Acho uma maldade realizar um evento dessa raridade em um espaço tão pequeno. Todos os seus fãs ficarão de fora. Nem band-aid no calcanhar é tão torturante...
Lamento muito.
Cristiane Carvalho de Oliveira
2 de Setembro de 2003 #

Aldir é uma raridadenesse país onde imperaum amontoado de mediocrididades. Peça rara, figura ímpar, quequando o conhecemos,nãoo esquecemos jamais.Tenho uma espécie de idolatria por tudo o que Aldir produz, pois é tudo de uma qualidadeque não encontramosem todo lugar. É uma grande pena estar aqui, do outro lado do Brasil,a quase 1000km do Rio. estive aí, exatamente no dia da festa dos 50 anos, aquela que reuniu um monte de gente que pensa o mesmo que,a respeito dele, no Canecão, onde foi lançadoaquele lindo CD e mais um dos seus livros.Tenho ótimas recordações daquela noite, das vezesque fui no bar da dona Maria,e nas vezesemque garimpei suas apresentaçõesaolado de gente bamba, como: Luiz Carlos da Vila,Moacyr Luz, Wilson das neves, Guinga e tantos outros. Esse homem faz a felicidade da gente nesses bicudos tempos.Leiosemanalmente n'O pasquim 21.

HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO -BAURU SP
henrique perazzi de aquino - bauru sp
2 de Setembro de 2003 #

muito axé, meu caro aldir. esse monstro que sabe preparar como poucos os mais finos pratos musicais, onde nós, pobres mortais brasileiros, nos alimentamos a valer e ganhamos energia. saúde e abraço
carlos ferreira lima
2 de Setembro de 2003 #

Parabéns, Aldir!
Colega Eugênia, belo texto!
Gostaria apenas de saber o nome dos músicos que se apresentarão acompanhando os artistas...
Aimée
2 de Setembro de 2003 #

Aimée, obrigada! Olha, infelizmente o Centro Cultural Carioca não enviou o nome dos músicos que se apresentarão.
Eugênia Rodrigues
2 de Setembro de 2003 #

O que aconteceu no CCC no dia 2/9 não foi um show, mas uma celebração cheia de emoção. Dei graças a Deus por ter estado lá; na verdade, me senti um penetra numa festa na casa dele.
A coluna do Arthr Dapieve hoje em O Globo descreve um pouco daquela magia.
E ainda conheci o Ceceu Rico, "um que não gostava de festa". Parabéns, Aldir, vida longa.
Chico
5 de Setembro de 2003 #

Festa mesmo é ter a honra e o privilégio de escutar as letras do Aldir Blanc. Sua capacidade de fisgar sentimentos na ponta do lápis me impressiona. Feliz dos seus parceiros, que podem ter a força de sua música quintuplicada com as palavras desse artista! Atenção aniversariante: quando vamos ter a honra da sua presença aqui pelo sul? Vem com o Guinga, vem... Curitiba é fria, mas é calorosa. Parabéns e muita saúde!!
Aglaê
5 de Setembro de 2003 #

Meu querido Aldir, gostaria muito de te dar um abraço pelo dia 2, pelo dia 3, dia 4, etc.Perdi samba e a festa, mas, eu que sou fã de Nossa senhora pedi a ela para te dar muita alegria e saúde.
E muitos versos seus para as minhas canções, é claro.
beijo grande da
Sueli
sueli costa
5 de Setembro de 2003 #

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