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Zé Renato e Mariana de Moraes no CCBB-DF cantando Lupicínio

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Por Sonia Palhares Marinho
Publicada em 1 de Setembro de 2003 
Estado: DF 
Assunto: Shows e Rodas

Abrindo o projeto LUPICÍNIO no CCBB-DF os cantores Mariana de Moraes e Zé Renato se apresentam nesta terça-feira (02), às 21:00 h, com o espetáculo FELICIDADE, série de 4 shows abordando a obra de Lupicínio Rodrigues que acontece sempre às terças-feiras do mês de setembro, até o dia 23, com direção do violonista-fera (7cordas) Luís Filipe de Lima. A programação é a seguinte:

02/09 - FELICIDADE - Mariana de Moraes e Zé Renato

09/09 - NERVOS DE AÇO - Soraya Ravenle e Walmor Pamplona

16/09 - CADEIRA VAZIA - Elza Maria e Alfredo Del Penho

23/09 - ESSES MOÇOS - Elza Soares e Jorge Moreno

O CCBB-DF (Centro Cultural Banco do Brasil) fica no SCES - Trecho 02 - Conjunto 22 Brasília - DF, informações pelo telefone: (0xx61) 310 7087. Ingressos a R$ 15,00 e R$ 7,50 (meia). Vale conferir!!!

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Comentários dos leitores

Coloco aqui todo o material de divulgação da série de shows. Se o CCBB de Brasília for igual ao do Rio e Sampa, recomendo que comprem logo seus ingressos, caso contrário vocês não conseguirão ir.

Série de quatro shows, no Teatro do CCBB em Brasília, promete recuperar a obra do compositor gaúcho, autor de clássicos como Felicidade e Nunca






?Eu não tenho nada com o ambiente artístico brasileiro. Eu não sou músico, não sou compositor, não sou cantor, não sou nada. Eu sou boêmio.? Estas palavras, ditas pelo autor de sucessos como Felicidade e Nunca ? publicadas em 1973, em entrevista concedida ao lendário jornal O Pasquim ?, poderiam soar como falsa modéstia. Poderiam caso Lupicínio Rodrigues não fosse exatamente assim: alguém que costumava afirmar ser melhor cozinheiro do que compositor. Acontece que o caso de Lupicínio com a música era de pura paixão e não só uma relação profissional. ?Eu nunca fiz música pra ganhar dinheiro?, afirmava. O cantor e compositor gaúcho, que compunha batucando em caixinhas de fósforos, deixou algumas dezenas de músicas que ainda hoje são cantaroladas por jovens e velhos no Brasil inteiro. Versos amorosos de canções como Esses Moços, Nervos de Aço e Vingança. Estes e outros clássicos da música popular brasileira estarão em cena em Brasília, através da interpretação de artistas como Elza Soares e Zé Renato, dentro do projeto Lupicínio, que dá início às celebrações dos 90 anos do gaúcho, nascido em 1914. Serão quatro shows, realizados durante todas as terças-feiras do mês de setembro, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília, com ingressos a preços populares de R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia).


A série oferecerá ao público de Brasília um painel do universo de Lupicínio Rodrigues, o ?criador da dor-de-cotovelo?, segundo o poeta e tradutor Augusto de Campos. Dividida em quatro momentos, o projeto reproduz os ambientes mais característicos da poética lupiciniana. A primeira semana evoca o clima de seresta misturado a algumas referências gauchescas pinçadas na obra de Lupicínio. O que se traduz no encontro de chorões cariocas com o acordeonista gaúcho Luiz Carlos Borges, que emolduram as interpretações de Zé Renato e Mariana de Moraes. Na segunda semana, Soraya Ravenle e Walmor Pamplona lembram o piano-bar, com formação de piano, baixo acústico, bateria e sopros. Um regional de choro recria o ambiente do botequim na terceira semana, tendo à frente Elza Maria e Alfredo Del Penho. Na última semana, é a vez da gafieira: sopros e seção rítmica unem-se para acompanhar Elza Soares e Jorge Moreno.


Difícil destacar uma música em meio a tantos clássicos do repertório de Lupicínio. Quem jamais escutou os versos de Ela Disse-Me Assim, Se Acaso Você Chegasse ou Volta, canções que freqüentemente são reinterpretadas por artistas das mais diversas gerações? Lupicínio Rodrigues deixou um universo de quase duzentas canções, compostas, na maioria, entre os anos 40 e 60 e cantadas até os dias de hoje. Músicas lançadas por nomes como Francisco Alves, Cyro Monteiro, Linda Batista, Orlando Silva, Jamelão (considerado por Lupicínio como seu melhor intérprete) e, mais tarde reinterpretadas por Elis Regina, Paulinho da Viola, Nara Leão, Caetano Veloso, Zizi Possi. Canções que parece sempre terem existido, como Felicidade. Por tudo isso, Lupicínio Rodrigues é indiscutivelmente um dos maiores compositores da música popular brasileira. Um mito.


Sucesso de público (que desconhece fronteiras de classe, idade, formação cultural), o autor de Volta alcançou o prestígio da crítica, sendo objeto de crônicas e ensaios como os que Augusto de Campos escreveu nos anos 60, destacando a dimensão trágica de suas letras e comparando-o a Nelson Rodrigues. De fato, pode-se pensar que Lupicínio Rodrigues é o Nelson Rodrigues da música. Como Nelson, o compositor gaúcho não teve pudores em fazer da pura emoção sua principal matéria-prima. Sempre compunha motivado por experiências afetivas. Dizia: ?Se eu fiz alguma música sem ter me inspirado numa mulher, eu a desconheço?. Durante anos, Nelson e Lupicínio ficaram relegados a um segundo plano, como artistas menores e popularescos: Nelson, o dramaturgo das obsessões sexuais; Lupicínio, o poeta do bas-fond, cronista de emoções baratas do samba-canção.

O tempo e o enfraquecimento dos preconceitos se encarregaram de fazer com que Nelson chegasse aos dias de hoje como um clássico do teatro brasileiro. Ao morrer, nos anos 70, Lupicínio já havia sido "descoberto" por toda uma geração de artistas, que ajudaram a tirá-lo de um lugar incerto entre o samba tradicional, a bossa nova e o tropicalismo. Mas, ainda hoje, o autor de Esses moços e Nervos de aço carece de uma leitura que se preocupe menos em destacar a ?marginalidade? de sua obra em relação às principais correntes da música brasileira do que em explorar suas singularidades.


É exatamente esta a proposta da série Lupicínio ? que tem direção geral, direção musical e roteiros de Luís Filipe de Lima. O projeto leva ao palco todo um universo saído das músicas do compositor, que parecem ter nascido para a cena com seus episódios de amores impossíveis, de amantes, esposas, de solidão. Lupicínio elevou a fossa à condição de tragédia e transformou a dor em teatro.


Passado o fascínio tropicalista e concluído o processo de valorização do compositor gaúcho, é chegada a hora de voltar a Lupicínio como um clássico. Mais do que uma reverência, é esta a condição que une a voz de seus intépretes mais marcantes aos muitos acadêmicos que escreveram sobre ele. Só um clássico consegue falar da mesma forma a todos os públicos, seja ele Shakespeare, Nelson ou Lupicínio: nestas obras o intelectual e o boêmio, a esposa e a amante, o velho e o novo se vêem como num espelho.


Ao lado dos maiores sucessos do autor de Se Acaso Você Chegasse, bastante conhecidos do grande público, a série mostra também pérolas raras, composições menos lembradas e que igualmente revelam o espírito e a genialidade de Lupicínio. Algumas delas fogem do gênero que se tornou a marca do poeta, o samba-canção: são toadas, guarânias, valsas, marchas-rancho e mesmo marchinhas carnavalescas. Uma composição de Lupicínio se repete em todas as quatro semanas, com arranjos variados, cantada a duas vozes: o samba-canção Exemplo, que diz: "Esse é o exemplo que damos/ Aos jovens recém-namorados/ Que é melhor se brigar juntos/ Do que chorar separados". O compositor considerava este um dos mais belos versos que criou.

Lupicínio


Shows com Zé Renato e Mariana de Moraes


Soraya Ravenle e Walmor Pamplona


Elza Maria e Alfredo Del Penho


Elza Soares e Jorge Moreno






Direção geral, roteiros e arranjos de Luís Filipe de Lima






Local: Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília


Dias: 2, 9, 16 e 23 de setembro de 2003


Horário: 21h00


Ingressos: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia)
Paulo Eduardo Neves
2 de Setembro de 2003 #

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