Por Marcus Fernando Publicada em 2 de Julho de 2003
Assunto: CDs
Assim como quem cuida de uma casa
Com capricho e com carinho
Cuido bem da minha voz
Que saia limpa e clara da garganta
E voe sempre mais velos
Lavando o coração de quem me escute
Feito água cristalina, aliviando toda a dor
Tornando mais bonita a vida rude
Faxineira do amor
E assim esfrego o chão da minha alma
Até vê-la mais brilhante
Do que sala de jantar
Que é pra bem receber os convidados
Que começam a chegar
E quem me vê no palco tão serena
Tão segura e poderosa
Radiante de emoções
Não pode adivinhar o meu trabalho:
Faxineira das canções
Esta é FAXINEIRA DAS CANÇÕES, belíssima música de Joyce e título da caixa de 4 CDs de Elizeth Cardoso que a Biscoito Fino acaba de lançar, organizada por Hermínio Bello de Carvalho.
É esta também uma das músicas do CD Luz e Esplendor, pela primeira vez lançado em CD. Editado originalmente em 1986 pela Arca Som em comemoração aos 50 anos de carreira da cantora, o disco abre com “Elizetheana", pot-pourri de sucessos da Divina – “Canção de Amor", “Nossos Momentos", “Meiga Presença", “Apelo" e “Se todos fossem iguais a você" – com as participações de Alcione, Cauby Peixoto, Nana Caymmi e Maria Bethânia. Em seguida, o piano de Gilson Peranzzetta e o vocal de Joyce emolduram a voz de Elizeth na canção que dá título à caixa. Da parceria Baden Powell/Paulo Cesar Pinheiro aparecem “Cabelos Brancos" (no acompanhamento um duo de violão e cello com Raphael Rabello e Márcio Mallard) e “Voltei". Nei Lopes também comparece com duas: “Calmaria e Vendaval" (parceria com Sereno) e “Felicidade Segundo Eu" (parceria com D. Ivone Lara). Esta última traz as participações de Paulinho da Viola (violão e voz), D. Ivone Lara (vocal) e Elton Medeiros (caixa de fósforos). Elton também mostra sua habilidade com a caixinha na faixa “Complexo" (Wilson Batista/M. de Oliveira). A Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco participa de “Valsa Derradeira" (Gereba/Capinam). O disco traz ainda “Vento de Saudade" (Jorge Aragão/Sergio Fonseca) e “Luz e Esplendor" (Walter Queiroz). Os arranjos ficam por conta de nomes como Antonio Adolfo, Rildo Hora e Maurício Carrilho. Entre os músicos, destaque para Wilson das Neves, Raphael Rabello, João de Aquino, Luciana Rabello, Luisão Maia, Sivuca, Paulo Moura, Alceu Maia, Mauro Senise, Gordinho e Marçal. Para essa reedição em CD, foram incluídas quatro faixas-bônus, extraídas do arquivo de Hermínio. “Azulão" (Jayme Ovalle/Manuel Bandeira) ela canta acompanhada somente pelo cello de Márcio Mallard. Em “Seresta n0. 5 (Modinha)" (Villa-Lobos/Manuel Bandeira), Elizeth é acompanhada pelo violão de Turíbio Santos. “Valsa da Solidão" (Paulinho da Viola/Hermínio Bello de Carvalho) foi tirada de um LP comemorativo dos 50 anos de Hermínio e tem a participação de Chiquinho do Acordeon e Maurício Carrilho. A última raridade do disco é um pot-pourri em homenagem a Baden Powell - com João de Aquino e Hélio Capucci nos violões – e seus parceiros Paulo Cesar Pinheiro (“Última Forma", “Violão Vadio" e “Refém da Solidão") e Vinicius de Moraes (“Deixa").
Em 1990, Hermínio foi convidado a produzir um disco-tributo a Ary Barroso para servir de brinde da empresa de móveis mineira Itatiaia. Elizeth estava sem gravadora (a Arca Som já havia fechado suas portas) e daí nasceu Ary Amoroso, que no ano seguinte seria lançado comercialmente em CD pela Sony. Para os arranjos, foram convocados Gilson Peranzzetta e Maurício Carrilho. O time de músicos – o encarte traz uma foto de parte da formação - foi formado por Rafael Rabello (7 cordas), Zeca Assumpção (baixo), Ovídio Brito (tamborim), Alceu Maia (cavaquinho), Gordinho (surdo/tamborim), Marcos Suzano (pandeiro/cuíca), Wilson das Neves (bateria), Áurea Martins, Ithamara Koorax e Dalva Torres (coro), entre outros. O repertório é recheado de clássicos do compositor mineiro como “Inquietação", “Folha Morta", “Pra Machucar Meu Coração", “Tu" e “Camisa Amarela". O texto da contracapa foi escrito, a pedido de Elizeth, por Chico Buarque que assim a definiu: “Voz de mãe, e mãe de todas as cantoras do Brasil."
Todo o Sentimento foi gravado logo em seguida com uma sobra da verba destibada à “Ary Amoroso" e também lançado em CD em 1991 pela Sony. Elizeth e Raphael Rabello haviam se encontrado em uma temporada do projeto Seis e Meia neste mesmo ano de 1989 e Hermínio queria registrar o show em disco. Depois de algumas tentativas frustradas de se gravar ao vivo no teatro, os dois entraram em estúdio no dia 23 de setembro de 1989 e registraram tudo no mesmo dia. O disco não sofreu qualquer retoque e não foi usada voz-guia. É apenas Elizeth cantando e Raphael tocando, ao vivo. Emoção pura. Uma vinheta de “Faxineira das Canções" abre o disco e emenda com a belíssima “Camarim" (Cartola/Hermínio Bello de Carvalho) e “Refém da Solidão". A faixa que dá título ao disco é a linda parceria de Cristóvão Bastos e Chico Buarque. O repertório traz ainda “Doce de Coco" (Jacob do Bandolim/Hermínio Bello de Carvalho) e “Modinha" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes).
A pérola da caixa é, no entanto, Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e Época de Ouro – Ao Vivo no Teatro João Caetano. Esse registro do Museu da Imagem e do Som de 1968 (que agora aparece em CD duplo) havia sido lançado em dois LPs hoje raros e em CD... no Japão! O recital mostra todo o talento do Zimbo Trio, seja sozinhos em “Ponteio" (Edu Lobo/Capinam) ou acompanhando Elizeth em “É Luxo Só" (Ary Barroso/Luiz Peixoto). Momento de grande emoção é a Divina interpretando a capela “Serenata do Adeus" (Vinicius de Moraes) e “Canção do Amor Demais" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes). Logo em seguida Jacob do Bandolim e Época de Ouro chegam com tudo em “Murmurando" (Mario Rossi/Fon Fon) e “Noites Cariocas" (Jacob do Bandolim". Depois de Jacob contar a história de como descobriu Elizeth em 1936, eles se juntam em “Mulata Assanhada" (Ataulfo Alves), passeiam pelo repertório de Noel, Silvio Caldas e Pixinguinha, culminando na clássica interpretação de “Barracão" (Luiz Antonio/Oldemar Magalhães). O disco termina com o público cantando “Está chegando a hora" (Adap. Henrique Campos/Henricão), mostrando alegria e emoção, mas talvez ainda sem a noção de ter presenciado um momento histórico da música brasileira.
Os encartes trazem textos originais das primeiras edições e novos textos escritos por Hermínio Bello de Carvalho, além de fotos, ficha técnica detalhada e letra de todas as músicas (exceto no “Ao Vivo no João Caetano").
A lamentar apenas o leve descuido com a parte gráfica. A caixa em si merecia um design melhor, apesar da bonita ilustração de Ulisses. As capas de alguns encartes também poderiam ter um melhor acabamento.
A caixa já havia sido lançada como brinde em uma edição que não trazia o CD duplo do show do João Caetano. O texto do livreto não foi atualizado e não menciona este disco. A falha é desculpada pela grandiosidade da iniciativa da Biscoito Fino de incluir esta jóia na caixa.
É, portanto, item obrigatório em qualquer coleção de música brasileira.
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Comentários dos leitores
Marcus Fernando:
Já fiz o meu "dever de casa", acabei de comprar a caixa, já tinha alguns desses discos em vinil porém, o cd duplo do show do Teatro João Caetano, reunindo Zimbo Trio, Jacob do Bandoim e a "Divina", ítem obrigatório em qualquer discoteca de quem ama verdadeiramente a música popular brasileira, somente agora consegui adquirir. Tem um gosto mais que especial, escuto essa obra desde os meus 14 anos, para minha frustração sabia que havia sido lançado no Japão mas, não no Brasil. Demorou mas chegou. Que felicidade!!! Axé!!!
Sonia Palhares Marinho 
2 de Julho de 2003 #
Morro de amores pelo trabalho da Bistoito Fino, lá a caixa custa R$75,00.
Só que estão vendendo por R$100,00, um assalto, por exemplo Travessa, CD Center, Arlequim
Um desserviço contra a gravadora e contra a nossa másica popular.E aí reclamam da pirataria!
Klaus R Pereira 
3 de Julho de 2003 #
Na FNAC parece que está custando R$ 68,00. A caixa ttem 4 discos sendo um deles duplo. Logo, cada disco está saindo por R$ 13,60 com caixa e encarte suplementar. Imperdível.
Joao Carlos Carino 
4 de Julho de 2003 #
O Carino tem razão: a caixa da Elizeth está custando R$ 68,40 na FNAC. O site é www.fnac.com br. Este preço é o que eles chamam de "preço verde" (promocional) e fica valendo só nas primeiras semanas de lançamento. Portanto, corram! Ainda assim, é estranho uma loja vender mais barato que a própria gravadora...
Marcus Fernando 
4 de Julho de 2003 #
Só posso parabenizar o grandioso Hermínio pelo seu incansável( e apaixonado)trabalho. Obrigado por voçê existir. Beijos mil, Christiane Mariano.
christiane da cruz mariano 
13 de Julho de 2003 #
Eta caixinha maravilhosa! Fui comprar correndo...|Elizeth Cardoso faxineira das canções, obra imperdível da MPB. A Biscoito Fino só produz coisas muito boas. Conteúdo, embalagem,etc.etc.etc.
Capricho e zelo acima de tudo.
A primorosa Elizeth somada à gente do nível altíssimo de um Raphael Rabelo,Zimbo Trio,Jacob do Bandolim,Nana Caymi, Caubí Peixoto, e o príncipe dourado dos poetas Hermínio Bello de Carvalho é dose pra infarto agudo do miocárdio...rs. Comprem correndo!!!
dilsonmaffei 
15 de Julho de 2003 #
Quem ainda não adquiriu, faça-o. Quem aprecia de fato música popular brasileira não pode deixar de ter esta maravilhosa coleção. É divina, digna de Elizeth. É para se ouvir uma, duas, três, cem, mil...vezes.
Carmen Queiroz 
4 de Agosto de 2003 #
Eu comprei o mais rápido que pude, fiquei sondando o site da Biscoito Fino desde que passou a anunciar até que lançou Faxineira das Canções, uma peça indispensável para os amantes da boa música. Elizeth é uma diva, uma cantora do mundo, o acompanhamento está impecável em todos os discos, com louros para o ao vivo de 1968. Nossos comtemporâneos deveriam ouvir e reouvir o ao vivo de 1968, ao vivo de verdade. Só quem tem talento mesmo é capaz de produzir um documento histórico como aquele. Salve Elizeth, Salve Jacob, Salva Zimbo, Salve Rafael, Salve Hermínio, Salve os artistas da música popular brasileira!
Adílson de Amorim Santos 
13 de Agosto de 2003 #
Desejo cumprimentar os responsáveis pela feliz e essencial iniciativa de reunir em CDs a obra da grande dama da canção brasileira - realização que tem ainda o mérito de recuperar a memória do show antológico da Divina Elizeth Cardoso,com Jacob,Época de Ouro e Zimbo Trio, no João Caetano.
Mas, convenhamos - a despeito da beleza do Samba da Joyce e da dignidade de todos os trabalhos honestos,incluindo-se aí a faxina - bem que se poderia ter encontrado um título melhor para definir a excelência da obra musical da cantora que eu prefiro lembrar como a Divina.
Antonio José Veríssimo Teixeira 
14 de Agosto de 2003 #
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