![]() |
Seminário "O Samba em Debate" na Unicamp |
|
| Página principal » Notícias » Notícias antigas | ||
|
Se você gosta de nosso trabalho, nos apóie se tornando um Amigo do Samba-Choro. |
|
De segunda (21) a quarta (23) acontece no Instituto de Arte Unicamp o seminário "O Samba em Debate". Estarão presentes nomes como Alberto Ikeda (professor do Instituto de Música da Unesp, Carlos Sandroni (autor do Feitiço Decente) e Antonio Pedro Tota (autor do Samba da Legitimidade e Imperialismo Sedutor: a americanização do Brasil).
Voltar para Manchetes de Outubro de 2002
Comentários dos leitoresnstituto de Artes - UNICAMP
O SAMBA EM DEBATE: SEMINÁRIO 21 a 23/10/2002 Mesa de Abertura - 21/10/02 - 9h Profa. Dra. Helena Jank - Diretora do IA/Unicamp Prof. Dr. Fernando Ferreira Costa - Pró-Reitor de Pesquisa/Unicamp Prof. Dr. Eusébio Lôbo da Silvia - Coordenador da CPG-IA/Unicamp Prof. Dr. Claudiney Carrasco - Coordenador do Curso de Música Evento Musical com a Orquestra da Unicamp Mesa 1: A identidade do samba: a questão rítmica - dia 21/10/02 - 14h Expositores: Prof. Dr. Carlos Sandroni - Universidade Federal de Pernambuco Título da Comunicação: Construindo o paradigma do Estácio Resumo: No livro "Feitiço decente" sugeri que a diferença entre os sambas do período pioneiro (ca. 1917-1930) e os posteriores a 1930 se deveria, do ponto de vista rítmico, à vigência de dois diferentes paradigmas, respectivamente o "do tresillo" e o "do Estácio". Nesta comunicação vou me deter na definição do paradigma do Estácio e nas estratégias de investigação que me levaram à construção deste conceito. Serão expostas as idéias de Simha Arom sobre a rítmica africana e sobre modelização que serviram de base a minha reflexão; e também, com exemplos sonoros e partituras, os passos das análises de sambas dos anos 1930 e posteriores, e as dificuldades teóricas que tentei superar para o estabelecimento do conceito em questão. Prof. Vincenzo Cambraia - mestre em musicologia e pesquisador do laboratório de etnomusicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Título da Comunicação: Atravessando no bom sentido: uma análise etnomusicológica de concepções de tempo no samba e na música afro-brasileira. Autores: Samuel Araújo e Vincenzo Cambria Resumo: Propõe-se uma interpretação das concepções de tempo vigentes na prática do samba e da música afro-brasileira, a partir de uma revisão crítica exaustiva de estudos pertinentes e da experiência etnográfica dos autores no Rio de Janeiro e em Ilhéus. Em tal perspectiva, ressalta-se uma dimensão qualitativa, crucial para uma boa realização da música em tempo real, em que assumem relevância aspectos como timbre, melodia de timbres, movimento corporal e contexto de atualização ("performance"). Procura-se, assim, ir além de abordagens que enfatizam a dimensão quantitativa da experiência temporal, dando margem, no entender dos autores, a uma excessiva atenção aos aspectos mensuráveis da mesma (i.e., ritmo visto, de uma perspectiva eurocêntrica, como "parâmetro" isolado), o que não corresponde à prática das músicas em questão. Prof. Dr. Dilmar Miranda - Universidade Federal do Ceará Título da Comunicação: O padrão rítmico do moderno samba urbano: o ritmo de um novo tempo Resumo: O moderno samba urbano, criado em fins dos anos 20 do século passado, por artistas negros do bairro carioca Estácio de Sá, é a própria forma musical que inscreve, a um só tempo, formas de sociabilidade, transgressão e negociação. Ele é usado para publicizar a música negra, ocupando ludicamente os espaços da cidade, conforme nos depõe Ismael Silva, um dos fundadores da primeira escola de samba, a Deixa Falar, cujo nome é o próprio signo de insubmissão altiva, com seu gesto coletivo de cantar, dançar e caminhar, tudo ao mesmo tempo, materializando aquela idéia de ocupar ludicamente um território interditado. Para isso, os negros fazem uso de uma figura central constitutiva de suas danças: a síncope. Tal síncope significa a suspensão do tempo presente e o desejo de um tempo outro. Ela expressa uma imprevisível transgressão do tempo convencional, achando-se adensada no novo padrão rítmico no moderno samba urbano. Ao retardar o tempo forte ou ao intercambiá-lo pelo tempo fraco como se fosse forte, ou ao alterar os valores de tempo das notas, transformando o longo em breve, transfigura-se maliciosamente o acento do andamento, provocando um outro ritmo, dentro da previsibilidade rítmica. O som da melodia é a materialidade musical que se movimenta no espaço. O tempo forte do ritmo é uma afirmação fática do tempo, tempo forte de afirmação das certezas. Nele, o pé está firme no chão. O tempo forte é o tempo da certeza. No tempo fraco, o pé está suspenso, em tempo de espera. O tempo fraco é o tempo das incertezas, da expectativa e da esperança. Por isso, na música, ele se torna o tempo mais rico, pois não se sabe o que irá acontecer. Musicalmente, o tempo da utopia emerge pela alternância desses dois tempos. Coordenador: Prof. Dr. Rafael dos Santos -IA/UNICAMP Mesa 2 - O Samba entre exaltação e malandragem - Dia 22/10 - 9h Expositores: Prof. Dr. Adalberto Paranhos - Universidade Federal de Uberlândia Título da comunicação: Vozes dissonantes sob um regime de ordem-unida: música e trabalho no "Estado Novo" Resumo: O cerco do silêncio que a ditadura do "Estado Novo" montou em torno das práticas e discursos que pudessem destoar das normas então instituídas levou muita gente, por muito tempo, a acreditar no triunfo de um pretenso "coro da unanimidade nacional". Trafegando na contramão dessa visão, que estende seu alcance aos domínios da música popular, a comunicação "Vozes Dissonantes sob um Regime de Ordem-Unida" procura levantar uma parte do véu que encobre manifestações que desafinam o "coro dos contentes" durante o regime estado-novista. Seu foco são as vozes destoantes do samba produzido à época, apesar da férrea censura dos organismos oficiais (particularmente o DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão diretamente subordinado ao ditador Getúlio Vargas). Prof. Dr. Antonio PedroTota - PUC/SP Título da Comunicação: O samba da legitimidade Resumo: O samba surge como gênero musical popular no início do século XX, contemporâneo do advento da indústria do disco e do rádio. Nas décadas de 30 e 40, especialmente durante o Estado-Novo, o Governo Vargas soube utilizar-se dos meios de comunicação, em particular do rádio, como instrumentos de cooptação ideológica das classes subalternas. Com este trabalho, pretende-se analisar até que ponto a ideologia do trabalho do Estado Varguista premeava a produção musical dos sambistas, contribuindo, deste modo, legitimar um Estado de natureza autoritária e anti-popular. Coordenador: Prof. Dr. José Roberto Zan - IA/UNICAMP Oficina de samba (Workshop) - Dia 22/10/02 - 14h Jorge Simas - sambista, instrumentista e compositor carioca. Título do trabalho: Cantando Histórias Descrição do trabalho: o músico conta e canta a história recente do samba, particularmente dos últimos 25 anos. Esse trabalho é feito através da apresentação de um repertório sambas de sua autoria, em parceria com João Nogueira, Décio Carvalho, Cacaso, Zeca Pagodinho, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Marcus Paiva, Luis Nassif, Nelson Rufino, Paulo César Freital, entre outros. Mesa 3: Samba e carnaval - dia 23/10/ 9h Expositores: Prof. Dr. Alberto Ikeda - UNESP Título da Comunicação: O samba apropriado: música e dinâmica social no carnaval Resumo: Enfocando o samba no carnaval, notadamente das principais "escolas" que desfilem nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, a comunicação discutirá a dinâmica sócio-política dessa modalidade musical no contexto histórico e tratará musicologicamente das suas mudanças estético-estruturais nesse percurso. O interesse estará centrado sobretudo na reflexão crítica, visualizando, de um lado, o samba como prática histórica de interação e identidade das comunidades negras e das baixas classes sociais, e, de outro, o gênero incorporado nos mega-desfiles carnavalescos, resultando no propalado "maior espetáculo da terra". Prof. Dr. Edson Faria - Universidade Federal da Bahia Título da Comunicação: Samba e Carnaval, Uma Moderna Tradição Brasileira? Resumo: Herança do último século, samba e carnaval compõem espécie de dueto, no qual ambos os termos são entendidos como homólogos entre si, tendo a nação como mediador na invenção de uma moderna tradição brasileira. Diversos exercícios analíticos e históricos procuram revelar como estes pontos se intercruzaram, para hoje permitir reconhecer nas escolas de samba, por exemplo, um signo do Brasil. A proposta desta comunicação, embora tenha como suporte algumas dessas mesmas interpelações, quer retomar o engate entre samba, carnaval e nação brasileira sobre um ponto de vista até agora negligenciado, qual seja, o da modernização cultural no país, mais precisamente o desenvolvimento das condições para legitimação de práticas identificadas como de entretenimento e turismo, definindo uma esfera de relacionamento sóciofuncional com implicações seja na delimitação dos tempos sociais seja em deslocamentos nos sistemas simbólicos ou, ainda, no implemento de mediações cujos resultantes favoreceram sincronizações étnico-históricas acomodando nação e cultura popular. Prof. Dr. Samuel Araújo - Universidade Federal do Rio de Janeiro Título da Comunicação: O trabalho acústico e o uso do samba como música de carnaval Resumo: A associação entre samba e carnaval, que se forja e consolida a partir da década de 1910, depende em grande medida da ação de mediadores culturais que manipulam de modo eficiente os diversos instrumentos e mecanismos de produção musical em vários planos, da esfera comunitária à indústria do entretenimento. Tomando como referência o conceito de trabalho acústico, desenvolvido pelo autor em sua tese de doutorado a partir de concepção original do filósofo italiano Ferruccio Rossi-Landi, estabelece-se uma comparação entre duas versões da canção "Me Deixa em Paz" de Monsueto Menezes e Arton Amorim (Linda Batista para o carnaval de 1952 e Milton Nascimento com Alaíde Costa para o álbum Clube da Esquina de 1972) como exemplo significativo do contraste e simultânea complementaridade de sentidos articulados em contextos socio-históricos distintos a partir da reelaboração do material poético-sonoro. Coordenador: Prof. Hilton Jorge Valente - IA/UNICAMP O Núcleo de Sambistas e Compositores do Cupinzeiro deve fazer a roda de samba de encerramento. Não sei ainda quais serão (e se terão) outros grupos.
Gostaria de desejar sucesso aos organizadores do evento. Na impossibilidade de estar presente, solicito informações a respeito de como conseguir os anais do seminário.
Uma Abraço e boa sorte!!! Pádua Júnior Quintal do Samba, Viçosa/MG A Revista da Unicamp publicou uma reportagem sobre o evento. A reportagem vem com um breve resumo de algumas das apresentações.
|
Índice
<< Anterior
Próxima >> » Envie esta notícia para um amigo » Imprima esta notícia |