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Os discos de Seu Jair do Cavaquinho e Argemiro Patrocínio

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 31 de Maio de 2002 
Assunto: CDs

Já háviamos falado aqui que os discos estão nas lojas. Os veteranos bambas portelenses estão com tudo. Fazendo show com as cantoras Marisa Monte, que os lançou pelo seu selo Phonomotor, e Teresa Cristina. Tiveram direito até a um sítio na internet que, dependendo de sua preferência, pode-se acessar pelo nome de Argemiro Patrocinio ou de Seu Jair do Cavaquinho. Lá você pode ouvir músicas dos discos e, se tiver paciência, assistir o vídeoclip da música Solidão de Argemiro. Há também os excelentes textos sobre eles escritos pelo Tárik de Souza. Uma boa notícia é que as pessoas estão conseguindo encontrar os discos a um preço bem mais em conta do que os R$48 anunciados incialmente. Agora vale a pena comentar um pouquinho sobre a beleza que são esses discos.

Já se começa a ficar encantado pelo projeto gráfico dos discos. Vêm envoltos em uma caixinha de papelão e os encartes trazem a letra das músicas, o nome dos músicos que participam de cada faixa (no do Seu Jair tem que tirar o CD para ver o nome completo dos músicos) e -- grande! -- as cifras de cada música. Já dá para sair tocando logo na roda.

Jahyr de Araújo Costa, 82 anos, integrou alguns dos mais importantes grupos de samba da História, o Rosa de Ouro, Voz do Morro, Cinco Crioulos e, atualmente, Velha Guarda da Portela e foi parceiro de gente como Nelson Cavaquinho, com quem compôs os clássicos "Eu e as Flores" e "Vou Partir". Seu disco começou a ser gerado mais cedo e, na verdade, já estava pronto há um bom tempo. Em abril de 2000, Seu Jair completou 80 anos e um grupo de músicos que o admiravam acharam que a data não poderia passar em branco. Botaram a mão na massa, arrendaram o Teatro Rival, venderam ingressos antecipados nos bares, e realizaram em sua homenagem um grande show. Tendo à frente da organização Teresa Cristina e o grupo Semente, mais a ajuda de Pedro Amorim na direção musical, o show foi um tremendo sucesso, tendo depois sido levado a outros locais, como a Sala Funarte e ao Sesc Ipiranga em São Paulo. Uma das grandes surpresas foi a altíssima qualidade e diversidade das músicas inéditas que Seu Jair tinha guardadas no baú. Daí para fazer um disco foi um pulo. Agregaram os reforços de nomes como Carlinhos 7 Cordas, Marcelo Bernardes (sopros), Paulino Fernandes (percussão) e Kiko Horta (acordeon) e foram todos para o estúdio da gravadora Acari. O disco traz seus sambas de terreiro praticamente inéditos, e ainda jongo, cateretê e outros ritmos, todos cantados por sua voz de velho sambista e com o grupo Semente tocando como se estivesse em uma boa roda de samba, mas sem esquecer os arranjos caprichados. Pro disco ser melhor só se viesse junto o Jair do Cavaquinho dançando o miudinho com toda sua elegância.

Se na qualidade das composições os discos se igualam, o disco do Argemiro Patrocínio, 79 anos, sai com um ponto na frente: grana. Desde o início o disco foi bancado pelo selo da Marisa Monte o que permitiu juntar o que há de melhor em matéria de samba e de estúdio. Ao ouvir os dois discos seguidos, percebe-se claramente uma melhor nitidez do som no de Argemiro. Na direção musical estão Paulão 7 Cordas e Mauro Diniz, que optaram por um conjunto básico, só tem o violão de Paulão, Mauro nos cavaquinhos e a percussão primorosa de Marcelinho Moreira, Felipe D'Angola, Marcelo Costa e, do próprio Argemiro. Os arranjos suaves, acompanhando a voz já muito vivida de Agemiro, destacam as belas participações especiais de músicos tão distintos como a cantora/compositora Teresa Cristina, Marisa Monte, as pastoras da Velha Guarda da Portela, o violino de Nicolas Krassik, o violoncelo de Jaques Morelembaum, a voz de Moreno Veloso e a gaita de Rildo Hora. Há que se destacar também o próprio Argemiro como instrumentista. Ele começou tarde como compositor, sendo conhecido anteriormente como Argemiro do Pandeiro. Hoje, é a última pessoa a tocar pandeiro no estilo original criado pelos ritmistas da escola. Paulão e Mauro, capricharam no pandeiro, dando-o o devido destaque. A última faixa é um novo arranjo de uma das músicas feito com todo o respeito por Marcelo D2 e Cleber França.

Vá correndo comprar os discos e não perca o show (apesar do preço salgado).

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Comentários dos leitores

Luciano, o disco está à venda nas "boas lojas do ramo". O sítio indicado na notícia acima aponta para alguns locais onde se ponde comprá-los via Internet.
Paulo Eduardo Neves
3 de Junho de 2002 #

O disco do Argemiro é simplesmente o melhor do ano disparado.
É excelente !!!
Rodrigo de Godoy
6 de Junho de 2002 #

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