Já háviamos falado aqui que os discos estão nas lojas. Os veteranos bambas portelenses estão com tudo. Fazendo show com as cantoras Marisa Monte, que os lançou pelo seu selo Phonomotor, e Teresa Cristina. Tiveram direito até a um sítio na internet que, dependendo de sua preferência, pode-se acessar pelo nome de Argemiro Patrocinio ou de Seu Jair do Cavaquinho. Lá você pode ouvir músicas dos discos e, se tiver paciência, assistir o vídeoclip da música Solidão de Argemiro. Há também os excelentes textos sobre eles escritos pelo Tárik de Souza. Uma boa notícia é que as pessoas estão conseguindo encontrar os discos a um preço bem mais em conta do que os R$48 anunciados incialmente. Agora vale a pena comentar um pouquinho sobre a beleza que são esses discos.
Já se começa a ficar encantado pelo projeto gráfico dos discos. Vêm envoltos em uma caixinha de papelão e os encartes trazem a letra das músicas, o nome dos músicos que participam de cada faixa (no do Seu Jair tem que tirar o CD para ver o nome completo dos músicos) e -- grande! -- as cifras de cada música. Já dá para sair tocando logo na roda.
Jahyr de Araújo Costa, 82 anos, integrou alguns dos mais importantes grupos de samba da História, o Rosa de Ouro, Voz do Morro, Cinco Crioulos e, atualmente, Velha Guarda da Portela e foi parceiro de gente como Nelson Cavaquinho, com quem compôs os clássicos "Eu e as Flores" e "Vou Partir". Seu disco começou a ser gerado mais cedo e, na verdade, já estava pronto há um bom tempo. Em abril de 2000, Seu Jair completou 80 anos e um grupo de músicos que o admiravam acharam que a data não poderia passar em branco. Botaram a mão na massa, arrendaram o Teatro Rival, venderam ingressos antecipados nos bares, e realizaram em sua homenagem um grande show. Tendo à frente da organização Teresa Cristina e o grupo Semente, mais a ajuda de Pedro Amorim na direção musical, o show foi um tremendo sucesso, tendo depois sido levado a outros locais, como a Sala Funarte e ao Sesc Ipiranga em São Paulo. Uma das grandes surpresas foi a altíssima qualidade e diversidade das músicas inéditas que Seu Jair tinha guardadas no baú. Daí para fazer um disco foi um pulo. Agregaram os reforços de nomes como Carlinhos 7 Cordas, Marcelo Bernardes (sopros), Paulino Fernandes (percussão) e Kiko Horta (acordeon) e foram todos para o estúdio da gravadora Acari. O disco traz seus sambas de terreiro praticamente inéditos, e ainda jongo, cateretê e outros ritmos, todos cantados por sua voz de velho sambista e com o grupo Semente tocando como se estivesse em uma boa roda de samba, mas sem esquecer os arranjos caprichados. Pro disco ser melhor só se viesse junto o Jair do Cavaquinho dançando o miudinho com toda sua elegância.
Se na qualidade das composições os discos se igualam, o disco do Argemiro Patrocínio, 79 anos, sai com um ponto na frente: grana. Desde o início o disco foi bancado pelo selo da Marisa Monte o que permitiu juntar o que há de melhor em matéria de samba e de estúdio. Ao ouvir os dois discos seguidos, percebe-se claramente uma melhor nitidez do som no de Argemiro. Na direção musical estão Paulão 7 Cordas e Mauro Diniz, que optaram por um conjunto básico, só tem o violão de Paulão, Mauro nos cavaquinhos e a percussão primorosa de Marcelinho Moreira, Felipe D'Angola, Marcelo Costa e, do próprio Argemiro. Os arranjos suaves, acompanhando a voz já muito vivida de Agemiro, destacam as belas participações especiais de músicos tão distintos como a cantora/compositora Teresa Cristina, Marisa Monte, as pastoras da Velha Guarda da Portela, o violino de Nicolas Krassik, o violoncelo de Jaques Morelembaum, a voz de Moreno Veloso e a gaita de Rildo Hora. Há que se destacar também o próprio Argemiro como instrumentista. Ele começou tarde como compositor, sendo conhecido anteriormente como Argemiro do Pandeiro. Hoje, é a última pessoa a tocar pandeiro no estilo original criado pelos ritmistas da escola. Paulão e Mauro, capricharam no pandeiro, dando-o o devido destaque. A última faixa é um novo arranjo de uma das músicas feito com todo o respeito por Marcelo D2 e Cleber França.
Vá correndo comprar os discos e não perca o show (apesar do preço salgado).